<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997</id><updated>2011-04-22T00:42:15.309+01:00</updated><title type='text'>Velocidade Pessoal</title><subtitle type='html'>"Na matemática existencial (...) o grau da lentidão é directamente proporcional à intensidade da memória; o grau da velocidade é directamente proporcional à intensidade do esquecimento" - M.K.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>132</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-113110997937258464</id><published>2005-11-06T12:00:00.000Z</published><updated>2006-11-11T10:16:09.471Z</updated><title type='text'>Prazo de Validade: 06.11.2005</title><content type='html'>&lt;a href="http://debattre.blogspot.com"&gt;De Tanto Bater O Meu Coração Parou&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus.&lt;br /&gt;FIM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-113110997937258464?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/113110997937258464/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=113110997937258464&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113110997937258464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113110997937258464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/11/prazo-de-validade-06112005.html' title='Prazo de Validade: 06.11.2005'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-113110977479713909</id><published>2005-11-04T12:14:00.000Z</published><updated>2006-11-11T10:16:08.742Z</updated><title type='text'>Crónicas do Amor</title><content type='html'>À minha frente, no metropolitano, um casal de cinquenta anos beija-se apaixonadamente, como se tivessem a idade dos filhos e não lhes interessasse o resto do mundo para nada. A mão dela desliza pelas costas a assenta no rabo dele. À minha volta vejo várias pessoas chocadas e incomodadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto pensar na gota de suor que repousava no teu mamilo à beira do suicídio. Tinha escorrido não se sabe bem de onde; tinha escorrido da tua testa, do teu pescoço, debaixo dos teus braços. Repousava no teu mamilo antes de dar o salto final, antes de cair. Gosto do sabor salgado do teu suor, das gotas que repousam nos teus mamilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma rapariga olha o telefona com o desespero adolescente de quem espera um telefonema do namorado. [Neste momento, o namorado está de certeza ocupado com outra rapariga.] Olha para o telefone que está imóvel e silencioso. [Já está à beira do suicídio, quando por acaso outro rapaz a salva. Por acaso esse rapaz é aquele empregado de balcão onde todos os dias bebe café.] Como será fazer amor com aquele rapaz? De certeza que só trabalha para ganhar dinheiro, tem um olhar tão vivo e inteligente, ainda deve estar a estudar. [Fazem amor, são felizes e têm muitos filhos, afinal trabalhava na pastelaria porque precisava de ajudar os pais; agora é um doutor muito respeitado. O ex-namorado que não lhe telefonou olha-a com infinita pena de não lhe ter dado o devido valor.] A casa está tão silenciosa. Será que o mundo parou? Os olhos estão vermelhos, de quem dormitou – então foi isso! – mas o sono não foi pacífico. [O ex-namorado que quase a levou ao suicídio, pede-lhe que volte. Ela diz que não, que vai ficar com o rapaz da pastelaria que agora é doutor.] E se tivesse que fazer essa opção? Gostava da personalidade do namorado no corpo do rapaz da pastelaria. Mas parece que não consegue dissociar um corpo de uma personalidade. Fica a pensar qual dos dois preferia. O rapaz da pastelaria é uma incógnita, sabe lá que histórias tem ele para contar. O namorado já o conhece há três anos, apesar dos defeitos, gosta muito dele. Talvez o rapaz da pastelaria sem o namorado saber. Para experimentar. O telefone toca, languidamente estende-se na cama para o alcançar,&lt;br /&gt;“Sim?”&lt;br /&gt;«Desculpa ter demorado tanto a ligar, estava um trânsito terrível e fiquei sem bateria.»&lt;br /&gt;“Não faz mal, calculei que fosse qualquer coisa assim. Sabes, estava mesmo a pensar em ti…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As barrigas ficaram coladas com o suor e achávamos que podíamos ficar assim durante muito tempo. Afinal não eram gotas de suor que escorregavam até aos teus mamilos; eram gotas de um choro que quem nunca tinha experimentado tamanha felicidade. E chorámos os dois e fizemos amor mansamente, numa noite em que o céu também chorava por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre a estação de Picoas e do Marquês de Pombal, onde há ligação com a linha Azul, o metropolitano apenas durou um beijo e um apalpão para o casal de cinquenta anos que ia à minha frente, que ia à frente de muita gente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-113110977479713909?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/113110977479713909/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=113110977479713909&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113110977479713909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113110977479713909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/11/crnicas-do-amor.html' title='Crónicas do Amor'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-113084319881610187</id><published>2005-11-01T10:36:00.000Z</published><updated>2006-11-11T10:16:08.582Z</updated><title type='text'>Dia de Todos os Santos</title><content type='html'>(Hoje saí cedo de casa, para ver o céu cinzento que secava a chuva de ontem à noite. Sentia os meus olhos pesados da noite mal dormida; era cedo ainda e os meus olhos abriam-se para ver a escuridão do quarto, para ver a luminosidade que saía do rádio; a luz verde, persistente, insistente na insónia.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o céu estava cinzento e o vento soprava pouco, o suficiente para me fazer fechar o casaco. Fechei os olhos para que o vento me varresse a cara, para sentir a carícia outonal numa cidade vazia de vida. Quando entrei dentro do carro desliguei o rádio, queria gozar esta cidade que se entregava à sua solidão.&lt;br /&gt;Grupos de crianças passeavam na rua, de sacos de plástico nas mãos. Andam pelas ruas, a bater de porta em porta, a pedir os santinhos. Também corria a cidade com alguns amigos e irmãs, o mesmo grupo que dava gosto às cartas. Mas nessa altura, esquecíamos as brincadeiras do largo, esquecíamos que nos portávamos mal e fazíamos ar de anjinhos, batendo de porta em porta, a pedir os santinhos. E regressávamos a casa com sacos cheios de doces e algumas moedas que serviam para comprar mais doces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A cidade está tão vazia de vida adulta. Aqui e ali, abrem a porta alguns rostos por barbear, algumas camisas de noite apanhadas despercebidas pelo vento que lhes bateu à porta sob forma de criança.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegados a casa, era fazer o inventário, ver o dinheiro que cada um tinha conseguido juntar. Havia aquelas casas onde sabíamos que éramos esperados, onde sabíamos que a recompensa seria muito boa, a casa dos avós e daquelas senhoras mais velhas que com o passar do tempo também se tornaram avós. E depois havias prendas que eram dadas aos pais: marmelada caseira que depois comíamos em grandes torradas com queijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Olho dois rapazes que falam à janela com um senhor; pelos gestos, eles querem que o senhor lhes dê uns doces ou então que lhes dê dinheiro suficiente para que eles possam ir comprar alguns. Mas antes disso, o senhor - de cara carrancuda - explica-lhes a origem desta tradição. Não querem saber, querem o dinheiro ou os doces. Percebendo que já ninguém quer saber dele, que já ninguém quer ouvir o que tem a dizer, diz aos miúdos que não tem nada e fecha a janela. Mas a janela que fecha, não é só a da sua casa, é também a janela para o mundo, a ponte de ligação com os que poderiam ser seus netos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que os anos foram passando, os sacos de plástico que levávamos foram ficando cada vez mais vazios, cada menos portas se nos abriram, cada vez menos víamos a sombra através do óculo das casas que depois nos abriam as portas com um sorriso. E depois o tempo para nós também passou e era mais interessante sair até tarde na noite anterior do que sair cedo no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Este vento seco tinge a cidade de uma religiosidade nunca vista, enche a cidade de silêncio; o silêncio respeitoso dos mortos que são visitados nas suas campas, as procissões familiares ao cemitério para colocar umas flores na negligenciada última morada.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-113084319881610187?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/113084319881610187/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=113084319881610187&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113084319881610187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113084319881610187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/11/dia-de-todos-os-santos.html' title='Dia de Todos os Santos'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-113068717197369751</id><published>2005-10-30T14:57:00.000Z</published><updated>2006-11-11T10:16:08.335Z</updated><title type='text'>Sótão virado casa</title><content type='html'>Acho que com o Outono me deixo sempre tomar por uma espécie de sentimento de nostalgia; não sei, encontro um enorme prazer romântico nas folhas que caem, no barulho da chuva. Mas não é só de Outonos molhados que gosto, gosto daqueles Outonos secos e ventosos, em que as folhas de plátano se enchem as ruas, deixando uma pequena camada, a qual nós pisamos. Deixamos de andar em cima da calçada, dos passeios, mas sim em cima de folhas de plátanos, quais pétalas de rosa, se realeza fôssemos. Mas não somos.&lt;br /&gt;Hoje caminhei na minha rua, numa rua em que as árvores de abrunhos se enchem de flores brancas com a Primavera, nos sacos transparentes que nós enchíamos de abrunhos que serviam de lanche nos intervalos da escola primária. Suponho que o prazer romântico que encontro em tudo isto, é apenas o mesmo prazer que encontrava numa infância despreocupada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para a parede em frente ao meu computador e vejo uma gota de humidade que desce de uma mancha escura do tecto. A gota de humidade desce, vagarosamente, como se nada mais tivesse que fazer, a não ser descer uma parede com pouco mais de dois metros. Desce timidamente a parede, como se estivesse a tentar provar a segurança de cada reentrância, como uma montanha que já se escalou e se está a descer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andava a magicar o porquê destas tantas reminiscências infantis; a casa onde vivi, durante os primeiros dezanove anos da minha vida vai ser vendida. Sempre achei um pouco ridículos os filmes americanos que falavam de quando as pessoas tinham que se separar de um carro ou de uma casa: para mim não faz sentido que uma pessoa se apegue tanto a um bem material, quanto mais a um imóvel. Achava que aqueles dilemas existências eram algo que me ultrapassava, honestamente, não conseguia compreender.&lt;br /&gt;Acontece que essa casa não é uma casa qualquer: é um sótão. Vivi durante dezanove anos num sótão adaptado a casa. Tinha o telhado a descer e em algumas partes da casa tínhamos que andar de cócoras.&lt;br /&gt;Não era, de longe, a casa perfeita. Mas a verdade é que nela senti sempre algumas raízes, algum sítio para onde sabia que era bom voltar, nem que fosse para os tectos esconsos onde passava o tempo a dar cabeçadas. A casa está vazia e de quando em vez encontro uma desculpa válida para ir àquele sótão virado em segundo esquerdo, para cheirar a casa, para cheirar o chão de cortiça envernizada. Tão fresco no verão e acolhedor no Inverno, contrariando o resto de casa. Lembro-me dos Verões quentes, de dormirmos todos no terraço, as mangueiradas de água fria, fria que o meu pai nos dava, a mim e às minhas irmãs no pico do Verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como a infância terminou anos antes, anos mais tarde a casa também terminou. Os quartos pequenos, o tecto esconso, as cabeçadas, o chão e o terraço, a mangueira de água fria, a infância.&lt;br /&gt;[Sorriso nostálgico, não triste.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-113068717197369751?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/113068717197369751/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=113068717197369751&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113068717197369751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113068717197369751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/sto-virado-casa.html' title='Sótão virado casa'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-113041383626540409</id><published>2005-10-27T12:07:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:08.021Z</updated><title type='text'>O impermeável verde</title><content type='html'>Saí de casa para chuva com o meu impermeável verde. Deixei-me ficar parado no largo em frente à minha casa. Sentia as pequenas gotas de chuva a fazer barulho sobre a capa que me cobria. Deixei-me estar com um sorriso enorme. Gosto da sensação de estar à chuva sem me molhar, a ouvir as gotas que caem, numa cadência aleatória. Puxei, com força, para dentro dos pulmões, o ar fresco da rua, o ar húmido e chuvado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto deste largo, sempre gostei. Acho que faço parte daquela última geração a que ainda foi permitido brincar nos largos, jogar futebol, jogar às escondidas nas noites de Verão, andar de bicicleta, jogar ao desequilibra ou aos dez pés. No meio de tudo isto, dou por mim, com a chuva a fazer barulho em cima do meu impermeável verde, no meio daqueles jogos todos; provavelmente acho que tinha dissuadido aquele grande grupo de colocar os limões dentro do marco do correio; mal sabíamos nós qual o castigo que teríamos, que seria um daqueles castigos que iriam servir de exemplo de como os pais podiam ser maus. Proibidos de ir às festas da cidade nos quatro dias que elas duravam. Isto tudo mo mesmo largo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho à volta. Como é que vieram aqui parar tantos carros? Sei que a escola primária é já ali, mas ainda não são horas da saída. Lembro-me de ver o largo sem carros, lembro-me achar que estava excepcionalmente vazio. Nesse dia fui buscar a minha bola de futebol e andei a atirar contra todos os muros que podia, nesse dia não havia limites, não havia carros que pudessem estragar a minha brincadeira. Mas também não havia ninguém para brincar. E nos dias em que éramos muitos, nos dias em que havia duas completas equipas de futebol, o largo inundava-se de carros. Acho que nessa altura já provávamos as amarguras da lei de Murphy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento puxou para trás o capuz do meu impermeável verde. A partir de uma determinada altura deixei de usar verde, especialmente em camisolas, camisas e casacos. Para uma ocasião especial vesti umas calças castanhas escuras, uma camisa e uma camisola verde. Quando cheguei ao local disseram-me: «Então, vens vestido de árvore?» Bem, desde essa altura nunca mais fui muito conivente com o verde, com medo que numa distracção me vestisse de novo de árvore.&lt;br /&gt;Mas o vento que me puxou o capuz para trás continua a soprar com força e deixo que me sopre os cabelos, me passe pelas orelhas. Consigo senti-lo no couro cabeludo. Não faço força para puxar o capuz para trás, deixo que o vento me feche os olhos e a chuva que ficou miudinha me encha os óculos de pequenas pingas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a puxar o capuz para cima, aperto um pouco mais o impermeável verde, para me proteger da chuva, pouco me importando se tenho umas calças castanhas ou não. Olho em volta e vejo-me a mim com várias idades, as minhas irmãs, os limões que primeiro roubámos e que depois deitámos no marco do correio da esquina.&lt;br /&gt;A chuva na cara desperta-me. Passaram apenas alguns segundos desde que saí do prédio e fiquei a olhar para o largo e para os carros. Agora tenho que ir fazer aquilo que me levou a sair de casa neste dia de chuva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-113041383626540409?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/113041383626540409/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=113041383626540409&amp;isPopup=true' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113041383626540409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113041383626540409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/o-impermevel-verde.html' title='O impermeável verde'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-113018930295796990</id><published>2005-10-24T19:40:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:07.767Z</updated><title type='text'>Castanhas e Raízes</title><content type='html'>Choveu a chuva que tinha que chover: uma chuva pequena e contínua, uma chuva que não magoa o campo, uma chuva que pousa suavemente nas superfícies. Choveu durante dois dias seguidos. O ar encheu-se de cheiro a Outono e comecei a sentir falta das castanhas assadas, do fumo que se espalha. Desci ao Rossio para comprar uma dúzia. (Como agora poderia falar de tantas cidades, de tantas cidades têm um Rossio e um vendedor de castanhas assadas no Rossio.) A minha cidade tem um Rossio e um vendedor de castanhas assadas no Rossio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou, de forma alguma, personagem conhecido na minha terra natal; sou mais um anónimo, que tanto podia ser um estudante do Instituto Politécnico como um filho da terra.&lt;br /&gt;Gosto que os regressos a um sítio que me habituei a chamar casa sejam anónimos, que o contacto seja muito limitado, apenas com a família e aqueles amigos mais chegados. Porque deste sítio que me habituei a chamar casa, arranquei as raízes há muito; mesmo no tempo em que mais andava perdido, não consegui descortinar um norte e um ponto de origem. As raízes que me prendem à terra, que me fazem regressar são afectuosas, emocionais. Têm a ver com pessoas, não com um sentimento de pertença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha já na mão o meu embrulho de páginas amarelas com doze castanhas e mais algumas porque «o menino é muito simpático e eu conheci o seu avôzinho». Não é assim que se passa, ninguém sabe de quem eu sou neto, levo as doze castanhas contadas e não me importo muito com isso. Sei que dessas todas vou comer apenas sete ou oito, que as outras estão podres. Retoma a chuva a sua dolente queda, o papel que embrulha as castanhas passa tinta para as minhas mãos. Resguardo-me na porta grande do Palácio da Póvoa e fico a olhar as pessoas, o quiosque, os carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre achei que ser alentejano tinha muito a ver com o facto de se ser triste. A solidão e calor do Alentejo, as casas no meio de nada impelem a sentimentos de ausência e tristeza, a uma religiosidade há muito esquecida. Continuo a procurar a minhas raízes e continuo sem as conseguir encontrar. Suponho que todos necessitamos que um lugar onde podemos voltar, ao qual nos sentimos em casa. E se nos sentirmos bem no mundo, sem lugar definido?&lt;br /&gt;Sinto afinidades com esta terra triste, com esta terra queimada e esquecida. Sinto que pertenço tanto a este povo sofrido, como a outro mais audaz e aventureiro; sinto esta religiosidade pacífica das horas mortas do fim da tarde, a espantar a solidão; sinto o hedonismo citadino. Sinto que as minhas raízes não passam de um nome que já esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva parou. As castanhas ficaram frias e molhadas. Começo o meu regresso a casa, à casa dos meus pais. Por mim passam alguns estudantes do liceu que experimentam os primeiros cigarros e as primeiras línguas. Rio-me para dentro ao pensar que também já tinha fumado às escondidas; depois fumei às claras e por fim deixei de fumar.&lt;br /&gt;Descobri que o amor não se descobre na adolescência, que nessa idade é um conceito demasiado vago para se levar a sério. Mas descobri que quando se descobre, percebemos, sentimos os coração acelerar sem porquê, sentimos que não encontrámos alguém igual a nós, mas sim alguém que nos completa. Descobrimos que o valor do amor está na partilha, no carinho. Que o valor está em ser a dois, de igual modo, de igual forma, de igual tamanho, enorme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-113018930295796990?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/113018930295796990/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=113018930295796990&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113018930295796990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113018930295796990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/castanhas-e-razes.html' title='Castanhas e Raízes'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-113000569362785348</id><published>2005-10-22T14:40:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:07.506Z</updated><title type='text'>Pele</title><content type='html'>Olho a pele enrugada das minhas mãos, olho-as como se pela primeira vez estivesse a contemplar com a devida atenção as cicatrizes coleccionadas ao longo dos anos. Olho as pequenas manchas que vão ficando, substituindo a pele que outrora foi rasgada.&lt;br /&gt;Desço a correr os poucos degraus que separam a minha porta da rua, espanta-me que consiga correr assim, com os pés descalços. Sinto a chuva que cai sem piedade, a pouca chuva que vai caindo ininterruptamente a pousar nos meus ombros, no meu cabelo, vai-se a cumulando na minha pele, para descer pelos caminhos insondáveis da minha pele, escorre até aos pés; desce a chuva pela irregularidade da pele que tantas vezes pareceu perfeita, imaculada. Fecho os olhos, deixo cair das pestanas a chuva que se foi acumulando. Fecho os olhos, não quero ver o cinzento da rua, o preto do alcatrão quente que me aquece os pés. A chuva continua a cair, na sua dolência leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suor é salgado; é salgado como fazer amor depois de nadar no mar. Quando se lambe a pele sente-se cada rugosidade, sente-se o sabor da pessoa, assim como quando duas línguas se tocam num serpentear de amor. Os lábios que se esmagam uns nos outros, enchendo de saliva a pele circundante à boca. O suor que escorre dos braços, da fronte, a pingar para cima do corpo que aceita isso com o peito aberto.&lt;br /&gt;A pele dos seios, que sobem e descem a cada arquejar de desejo, a pele macia do amamentar materno e amoroso e erótico. As mãos a segurarem a nuca, a não libertar a cabeça do beijo. As pontas dos dedos a roçarem o pescoço, a pele a trocar-se com a pele, as barrigas coladas com o suor salgado do amor, com o desejo frenético da ansiedade.&lt;br /&gt;Os corpos colados pela pele nas noites mal dormidas. Os seios esmagados pelo rosto, a carícia das mãos pelo cabelo, os murmúrios da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pele azulada da noite, manto velúdico que esconde os amantes, que os cobre com os ardis do amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-113000569362785348?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/113000569362785348/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=113000569362785348&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113000569362785348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/113000569362785348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/pele.html' title='Pele'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112982915288374730</id><published>2005-10-20T15:22:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:07.201Z</updated><title type='text'>Indigente</title><content type='html'>Na minha última refeição antes de regressar a casa, senti bem perto de mim, à distância de uma gemido, de um suspiro, a dor dos indigentes. Na cama em frente à minha, dormia um homem cujas pernas estavam assoladas por uma devastador e dolorosa doença; cheirava a carne podre, as pernas, ambas, dos joelhos para baixo eram uma única chaga. Um homem, conhecido da zona, que em tempos se elevava nos seus cento e noventa centímetros, um autêntico terror sempre que tinha que comprar sapatos; isto porque já tem à volta de sessenta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partilhávamos a mesa da enfermaria, ele na cadeira de rodas, eu ajeitando-me o melhor que podia; choramingava com dores, “Se fosse no quinto ou sexto piso, abria uma janela e atirava-me”, estávamos no terceiro&lt;br /&gt;Nunca fui muito adepto de suicídios, (bem, há dias uma amiga minha recordou-me a imbecil idade adolescente em que dizia que me queria suicidar aos quarenta, mas na altura ouvia muito Joy Division, por isso é desculpável) e repliquei ao senhor «Tenha calma, vai ver que tudo se resolve. Não é preciso estar aí com ideias parvas. Depois de almoço experimente a descansar.»&lt;br /&gt;“O único descanso que me resta é a cova.” Descanso era coisa que o senhor não tinha: acordava a meio da noite, acendia a luz cimeira à sua cama, número três numa enfermaria de seis, e sentava-se na borda da cama, com as pernas pendentes para o chão, sem nunca lhe tocar. Dormitava, dobrado sobre ele próprio, num precário equilíbrio entre a cama e o chão. Uma noite, terminou no chão, sucumbindo ao cansaço, depois de inúmeras noites em semi-vigília.&lt;br /&gt;Na tarde em que comigo partilhou as suas suicidas ideias, sentia as pernas mais doloridas, que o queimavam por dentro, os ossos, a alma, a carne podre.&lt;br /&gt;Horas depois tive alta e regressei a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço-o em tom de piada fácil, brejeira, conto as histórias do senhor. Mas no fundo, tudo isto é apenas um subterfúgio para a imensa pena que aquele espectro acinzentado me inspirou. Não sei, despertou-me a atenção mais do que qualquer outro paciente, até mesmo o senhor com cara de bolacha, sempre sorridente, que estava na cama ao lado da minha. Era velho e sujo, dizia mal das enfermeiras mal viravam as costas. Não era simpático, dificultava o próprio tratamento. E estava sozinho no mundo.&lt;br /&gt;Era apenas visitado por outro homem, que se ocupava dele como um familiar, que não tinha mais que fazer e que se ocupava dele. Dava-lhe o jantar à boca como um pai dá a um filho; ainda que perversa, esta matemática, era saudável para os dois.&lt;br /&gt;Nada o espera fora das portas do hospital, apenas o lar da Santa Casa, podre poço de almas moribundas, vala comum de cadáveres vivos. Contraria o tratamento, porque depois do hospital só lhe resta esperar pela morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ganha coragem, sobe ao sexto andar, no elevador, e abre uma janela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112982915288374730?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112982915288374730/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112982915288374730&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112982915288374730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112982915288374730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/indigente.html' title='Indigente'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112973405204743537</id><published>2005-10-19T15:35:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:06.925Z</updated><title type='text'>Noites em branco a olhar para o tecto enquanto à minha volta o mundo acontecia e eu não podia tomar parte activa</title><content type='html'>Quando temos tempo para dormir, para olhar o tecto e contemplar os minutos é quando mais vontade temos de nos sentir activos, de sentir que algo nasce nas nossas mãos. Na ânsia de escrever, dou por mim a cometer erros atrás de erros que surgem no ecrã do computador, assinalados, ora a verde, ora a vermelho.&lt;br /&gt;Parece que, de repente, acordei de um sonho mau. A anos de imobilidade física, intelectual emocional, segue-se um caudal de novas experiências, de pequenas felicidades acumuladas que me dão um sentido para caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Este tempo de reflexão, aprisionado a uma cama, com as veias a transportar os soporíferos que me acalmavam os gritos de noite; não gritava por mim, não tinha dores, queria apenas o meu tempo forçado de reflexão. Mas não, os velhos ressonam, os velhos chamam as enfermeiras e os velhos caem da cama. E obviamente, eu faço coro com eles, mandando-os para aqui e para ali, mandando-os calar, para ver se consigo um pouco de sono e descanso para mim. Mas não, nem quando a minha chinela sai em direcção à cabeça de um deles, se calam. Resultado, as enfermeiras ataram-me as mãos, porque o gajo teve que ser suturado no trombil. E eu nem sequer tive direito a um valium para dormir, já que a vodka estava completamente fora de questão.&lt;br /&gt;Mas retomando a história antes de me atarem à cama por ter atirado a chinela: os velhos caem da cama. O Sr. F. (para minha protecção do personagem) cai da cama a meio da noite, acorda o quarto inteiro e eu durmo. Desconfio que me deram uma dose maior, com medo que me levantasse e começasse a brandir o suporte do soro contra todos por me terem acordado. Até que hoje, me deram um chuto no rabo e me puseram a andar, naturalmente o chuto no rabo é figurado, porque se assim tivesse acontecido, teria que lá ficar mais uns dias, e acho que já ninguém tinha muita paciência para mim.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, eu parei e o mundo não. Tenho agora que fazer um esforço extra para o apanhar. No entanto, ainda me encontro parado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112973405204743537?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112973405204743537/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112973405204743537&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112973405204743537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112973405204743537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/noites-em-branco-olhar-para-o-tecto.html' title='Noites em branco a olhar para o tecto enquanto à minha volta o mundo acontecia e eu não podia tomar parte activa'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112947067758739351</id><published>2005-10-16T14:29:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:06.666Z</updated><title type='text'>Inteligência por oposição a estupidez crónica, patológica, escatológica, psicológica</title><content type='html'>“Finalmente Margarida rebelo Pinto deixou de ser ignorada pela crítica. No seu blog, o jornalista João Pedro George ocupou-se de todos os livros da escritora (cinco romances e três colectâneas de crónicas). Para chegar a conclusões espantosas: que a escritora 'se repete, copia frases de uns para outros livros, utiliza citações de escritores sem lhes atribuir origem, tem deslizes de ortografia e comete erros gramaticais'. Isto à parte da monotonia de temas e de personagens. Perante esta apurada análise da sua obra, Margarida prefere remeter-se ao silêncio: 'Não tenho absolutamente nada a dizer, não alimento polémicas.' E, embora recusando responder às criticas, lamenta o facto de a não entrevistarem pelos seus feitos literários.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Visão, n.º 658, 13 a 19 de Outubro de 2005, pp. 121&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, suponho que contra factos não há argumentos.&lt;br /&gt;Nada mais há a acrescentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112947067758739351?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112947067758739351/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112947067758739351&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112947067758739351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112947067758739351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/inteligncia-por-oposio-estupidez.html' title='Inteligência por oposição a estupidez crónica, patológica, escatológica, psicológica'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112942378806837524</id><published>2005-10-15T01:03:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:06.373Z</updated><title type='text'>Sem título #1</title><content type='html'>«E todas as vezes depois de satisfeita a paixão e renovado o amor, dormimos muito juntinhos sem querer saber onde começa um e acaba o outro, nem de quem são estas mãos ou estes pés, numa tão perfeita cumplicidade que nos encontramos nos sonhos e no dia seguinte não sabemos quem sonhou com quem, e quando nos movemos entre os lençóis o outro preenche os ângulos e as curvas, e quando um suspira o outro suspira, e quando um acorda o outro acorda também.»&lt;br /&gt;Isabel Allende, “Paula” (1994)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as palavras se esgotam em nós, recorremos aos outros, que as já utilizaram com maior mestria para explicar ponto por ponto, pinta por pinta, aquilo que nós sentimos e queremos dizer. E nessa altura, remetemo-nos ao silêncio, pedindo licença para fazer das suas palavras, nossas também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112942378806837524?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112942378806837524/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112942378806837524&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112942378806837524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112942378806837524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/sem-ttulo-1.html' title='Sem título #1'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112930316929352643</id><published>2005-10-14T15:11:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:06.033Z</updated><title type='text'>O cemitério e homem »duas raquíticas fábulas lisboetas«</title><content type='html'>Sou um utente conformado; sigo nas carreiras dos autocarros com um ar triste e embrutecido, desejando a paz da minha casa, a paz do valium e da vodka. Mas antes dessa pacífica hora nocturna chegar, sou um utente que paga o passe e que se levanta para deixar os idosos e os inválidos sentarem-se. E tenho ar de funcionário público.&lt;br /&gt;Corria a carreira do quarenta e dois a meio, ali pelas banda do Alto de São João, quando vi aquilo que vos pretendo contar. Olhei para dentro do cemitério e vi o coveiro, de profundas olheiras carregadas, a lavar a sua motorizada; preta, naturalmente. E fez-se luz sobre os barulhos que me mantêm acordado à noite.&lt;br /&gt;Quando fecham as portas do cemitério, quando os lobisomens uivam da mata de Monsanto – que com certeza todos já ouvimos falar das prostitutas comidas – quando os justos repousam nos seus lares, o coveiro sai. Vestido de cabedal preto, em cima da sua motorizada. A sacar cavalinhos entre as campas e mausoléus, entre criptas e carreiros de flores, lá vai ele, acordando mortos e vivos, com o seu barulho infernal, com os seus berros satânicos.&lt;br /&gt;E durante o dia, com as profundas olheiras carregadas, lava a sua Suzuki Address com a mangueira com que rega as flores pisadas na noite anterior. Com os olhos raiados de vermelho e o sorriso de quem pensa na próxima noite, nos mortos acordados e nos vivos sem conseguir dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos livres posso ser quem sou. Tiro da cara expressão cinzenta de funcionário público, esqueço que sou utente e passageiro da carreira do quarenta e dois que passa pelo Alto de São João.&lt;br /&gt;Dediquei uma tarde aos trabalhos caseiros; à montagem de alguns móveis para a minha casa. Eram pesados, mas nada que um homem não pudesse, até me fazia bem aos bíceps. Depressa me enchi de calor e achei que era melhor estar à vontade. Tirei a camisola que vestia deixando os pelos do peito ao vento, coloquei um lápis atrás da orelha. Faltava mesmo a cerveja. Senti-me um verdadeiro homem, o suor a escorrer pela minha fronte, os pelos do peito a ondularem ao sabor da brisa que percorria o quarto pelas janelas abertas que faziam corrente de ar. Quando terminei, senti-me homem, cocei-me e achei que faltava mesmo a cerveja. Estava tudo bem montado, metódico e matemático. Sou um homem, um homem a valer.&lt;br /&gt;Sou um homem de cama porque a aragem fez com que me constipasse; ainda não morri porque não calhou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112930316929352643?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112930316929352643/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112930316929352643&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112930316929352643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112930316929352643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/o-cemitrio-e-homem-duas-raquticas.html' title='O cemitério e homem »duas raquíticas fábulas lisboetas«'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112922622441552185</id><published>2005-10-13T18:14:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:05.701Z</updated><title type='text'>Alice, meu amor</title><content type='html'>Olho à minha volta e leio inúmeras pessoas a escrever sobre o mesmo, sobre uma Lisboa impessoal e fria, com os subúrbios cheios de prédios altos e cinzentos, com pessoas encavalitadas umas em cima das outras numa promiscuidade erótica. Sobre o sentimento de pertença que se extingue aquando essa vivência comum.&lt;br /&gt;Muitas vezes dou por mim a imaginar que antes de tamanhos prédios serem construídos, apenas existia ar. E antes de colocar de novo os edifícios no seu lugar, imagino as pessoas a flutuar, como se o prédio se tivesse tornado invisível; como se pudéssemos observar a sua bidimensionalidade.&lt;br /&gt;As cidades grandes tornam-se impessoais por haver, no mesmo espaço físico, muitas pessoas muito diferentes. Cada qual no seu castelo de muralhas invisíveis, à distância da imaginação do próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um final sobre a dor.&lt;br /&gt;A Alice perdeu-se dos pais. A Alice morreu enquanto guiava. Duas Alices tão distantes que oferecem a quem delas gosta a dor da existência.&lt;br /&gt;A primeira Alice morre a guiar. Mas a morte é algo finito, algo com qual se consegue compactuar, se consegue conformar. A dor que nos dilacera o peito é abrasiva; mas vai-se suavizando até que restam só as olheiras, no fim.A segunda Alice, a Alice pequena, ainda confere alguma esperança a quem a procura. Parece transfigurar-se em todas os rostos anónimos que passam a rua lisboeta, não deixando um fim para o seu caminho, não uma folha que chegou ao fim, mas um risco de lápis que deixou de ser traçado. As olheiras foram o primeiro passo, a infinidade humana frente ao blocos gigantes de cimento, os seguintes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112922622441552185?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112922622441552185/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112922622441552185&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112922622441552185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112922622441552185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/alice-meu-amor.html' title='Alice, meu amor'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112912742883991672</id><published>2005-10-11T20:05:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:05.407Z</updated><title type='text'>O céu como reflexo</title><content type='html'>Os dias cinzentos que tanto gosto acabaram por ter me trair. Trouxeram-me Às mãos memórias de um passado que julgava já esquecido, trouxeram-me às mãos a razão pela qual eu gostava tanto deles.&lt;br /&gt;Lembraram-me que gostava mais de ser triste do que alegre, lembraram-me que gosto de chafurdar na lama da auto-comiseração. Lembraram-me que isso se passou há oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tantas porcarias na cabeça durante tantos anos, às vezes pergunto-me como é que nunca me suicidei. Quer dizer, eu achava que o facto das pessoas sofrerem era algo extremamente belo, achava que o momento em que batiam no fundo e depois se conseguiam levantar tinha algo de romanticamente trágico e, naturalmente, belo.&lt;br /&gt;Certo é que nunca fui corajoso ao ponto de nunca ter experimentado esse caminho. Ou então fui corajoso ao ponto de bater no fundo para depois me levantar. Ou então fui cobarde por nunca ter tomado uma decisão concreta até ao dia em que descobri que me estava levantar, com ajuda, mas que me estava a levantar. E nesse dia decidi que queria ficar de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estas coisas não se fazem sem uns revezes, assim até perderia o encanto de batalha ganha. Suponho que isto seja um desses revezes, num processo que está fadado para um fim glorioso e bonito, com a minha felicidade.&lt;br /&gt;Tem tudo para assim ser, mas o céu cinzento traiu-me. Disseram-me mais tarde que dias assim estão cheios de energias negativas. Está bem. Seja como for, houve muitos dias cinzentos que eu gostei. Talvez porque sentia um prazer onanista no desespero do sofrimento.&lt;br /&gt;Mas já não sinto, sinto-me uma massa podre quando fico parado. Mas arranquei do chão as raízes, sem vontade de voltar ao mesmo ciclo vicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«I don’t know where we’re heading, but I’m glad that we’re doing it together.»&lt;br /&gt;Não sei em qual foi, mas sei que vi isto num filme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112912742883991672?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112912742883991672/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112912742883991672&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112912742883991672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112912742883991672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/o-cu-como-reflexo.html' title='O céu como reflexo'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112902532253801195</id><published>2005-10-10T22:06:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:05.078Z</updated><title type='text'>Chuva nos telhados</title><content type='html'>Está aquela luz que eu tanto gosto, a luz do céu cinzento, brilhante, que reflecte o alcatrão molhado, os telhados escurecidos pela chuva. O vermelho que ontem era tão vivo ao sol tornou-se escuro, com pequenas ervas verdes que crescem às primeiras chuvas de Outono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os regressos a casa não se fazem apenas de tardes silenciosas e noites excessivamente boémias. Há pessoas que vemos e que já não reconhecemos, que nos perguntam com o maior desinteresse o que é que fizemos com a nossa vida.&lt;br /&gt;Suponho que seja justo que não se interessem por mim, eu também já vou perdendo o interesse; simplesmente sou honesto e não faço perguntas das quais não pretendo saber resposta alguma. Prefiro permanecer em silêncio. Talvez seja mesquinho e egoísta da minha parte, mas parece-me melhor assim.&lt;br /&gt;Lembro-me de estar sentado, num restaurante, a ouvir conversas, a participar pouco. Simplesmente a estar, a tentar desfrutar as pessoas com quem me encontrava, a tentar encontrar um novo referencial no meio de tudo aquilo. Sinto-me perdido no meio de um sítio que conheço tão bem. O jantar terminou e as pessoas começaram-se a separar, cada uma para seu lado. Nem sei para onde fui, nem sei porque fui. Talvez fosse porque estava habituado a ir, porque o meu corpo se movia de forma automática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje choveu mais do que ontem. Caíram bátegas de chuva durante a noite. Dormi num quarto vazio que ecoava todos os ruídos do prédio onde me encontrava. O quarto tinha um chão de lajes, era frio. Tinha, além da cama, um armário e um cadeira. E uma persiana que não fechei porque quis adormecer a ouvir a chuva; e a mesma que me ajudou a adormecer ajudou-me a acordar, ia a manhã quase meia, quando me acordou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de tantas pessoas, nunca me tinha sentido tão só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112902532253801195?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112902532253801195/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112902532253801195&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112902532253801195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112902532253801195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/chuva-nos-telhados.html' title='Chuva nos telhados'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112879875216986301</id><published>2005-10-08T19:52:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:04.671Z</updated><title type='text'>Longo caminho para casa</title><content type='html'>Regressei a casa pela porta pequena, pela estação de camionetas, sem ninguém à minha espera, com quinze minutos de caminho a pé porque não estava ninguém para me ir buscar. Estava mesmo sozinho e com o coração apertado.&lt;br /&gt;Tinha o coração apertado por regressar a casa: estes regressos trazem-me sentimentos ambivalentes, sentimentos contraditórios e paradoxais. Gosto de voltar, de sentir a cidade; mas não gosto por ser a cidade que é, por ser pequena de pessoas e caminhos. Quando regresso sinto que sou um filho bastardo que já nada tem a fazer cá, mas que volta porque sente uma espécie de encanto místico, uma qualquer atracção espiritual.&lt;br /&gt;Há dias em que gosto de voltar, em que me sinto bem; há dias em que sinto que sufoco, que a cidade me oprime e esmaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei cedo e saí de casa, coma roupa da noite anterior vestida, umas calças sujas, camisola a cheirar a tabaco misturado com colónia. O céu estava coberto por nuvens fininhas, que deixavam passar os raios de sol mais audazes. Outros passariam também, se mais ousados. Tinha chovido há pouco; andei a pé por locais que há muito não via, por caminhos que durante anos fiz e que estavam esquecidos. Lembrei-me do quintal do pastor alemão do qual morria de medo só do ladrar e do cão pequenino que afrontava todas as pessoas que passavam: ladrou tanto, tanto, que nos últimos anos de vida sofria de afonia.&lt;br /&gt;Não sei se me soube bem regressar, está tudo com uma tonalidade demasiado cinzento pálida e tendo eu uma atracção por esse ambiente, não tenho a certeza de que estarei a fazer um juízo honesto. Sinto-me dividido, sinto que a cidade me quer dividir entre aquilo que fui, e aquilo que sou, bom ou mau.&lt;br /&gt;Regressei a casa e fechei todas as persianas de todas as janelas, menos de uma. Voltei para  cama e deitei-me a ouvir uma música sugestiva de recordações doces e primeiros beijos. E dormi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu cinzento deu lugar a um sol quente, mas nem por isso lavou o cinzento da cidade. No fundo percebo que estou muito longe de casa, ela não se encontra num local palpável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112879875216986301?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112879875216986301/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112879875216986301&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112879875216986301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112879875216986301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/longo-caminho-para-casa.html' title='Longo caminho para casa'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112867547479682034</id><published>2005-10-06T22:55:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:04.374Z</updated><title type='text'>Charme e arrogância</title><content type='html'>Apesar de nunca o ter reconhecido muito bem, a arrogância sempre foi dos meus piores defeitos. Muitas vezes disfarçada de várias formas, sempre fez parte da minha forma de encarar a vida e as outras pessoas. E desde sempre fui avisado, por mais do que uma vez, por mais do que uma pessoa. Chegou a haver uma altura, não há muito tempo que dizia em viva voz «quando reconhecemos e assumimos o nosso valor não é arrogância, é charme.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E escondido sob a pretensa capa de charme, achava que as coisas me estavam a correr mesmo bem. No fundo acertei numa coisa, estava escondido. Estava escondido da minha vida atrás de mim mesmo.&lt;br /&gt;Nem sempre somos capazes de reconhecer os nossos defeitos, aliás, só somos mesmo capazes de os reconhecer após outros no-los terem apontado repetidas vezes. Porque nós próprios somos incapazes de reconhecer aquilo que não gostamos em nós, os defeitos que conseguimos reconhecer, mesmo que inconscientemente. E no momento em que nos apercebemos, tentamos corrigir os defeitos, evitando-os conscientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto o calor da ansiedade a escorrer-me nas costas sobre a forma de suor, a fronte que se alaga e torna perturbada, o semblante carregado. Num só momento, numa só fracção de segundo consigo sentir-me cheio e vazio. As mãos pressionam com força o teclado, rompendo o silêncio da casa, arrancando ecos das paredes que me sufocavam e que agora permanecem verticais. De quando em vez levanto-me, limpo a fronte com as costas da mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de quando estudava filosofia no secundário; lembro-me das teorias evolucionistas que estudámos, o continuismo e o descontinuismo. A primeira defendia que a evolução se fazia de forma fluida e constantes; a segunda defendia que a evolução se fazia aos arranques, aos arremedos, aos empurrões. Mesmo que não fosse adepto, tornei-me um assíduo praticante desta última prática evolutiva.&lt;br /&gt;São estranhas as recordações que retiramos do passado. Nunca pensei que me pudesse ainda lembrar disto, passados estes anos todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evolução à parte ou não, charme ou não, a verdade é que levei uma lição sobre humildade e medo que me vai ficar durante muito tempo. Há muito que não mexiam assim dentro de mim.&lt;br /&gt;Quando terminaram, perguntaram-me se eu não tinha saudades de ser revolvido assim, bem no fundo das entranhas. Respondi que não, disso não tinha saudades.&lt;br /&gt;Ainda me estou a perguntar porque é que menti, se soube tão bem ser revolvido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112867547479682034?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112867547479682034/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112867547479682034&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112867547479682034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112867547479682034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/charme-e-arrogncia.html' title='Charme e arrogância'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112853117684459643</id><published>2005-10-05T14:00:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:03.983Z</updated><title type='text'>Efeito de estufa</title><content type='html'>Estou a ficar com falta de ar, estou a sentir-me sufocado. As paredes começam a fechar-se sobre mim e no momento em que vão desferir o derradeiro golpe, voltam à posição inicial, como se a sua função fosse assustar-me, ver quando é que eu pestanejava e fechava mesmo os olhos. As paredes estão a fazer comigo um jogo que eu fazia com os amigos quando era miúdo. Simulávamos um murro na cara do outro, sem lhe tocar; quem pestanejasse, perdia. Como é natural, as distâncias não eram bem medidas e cheguei a ir para casa com o nariz esborrachado.&lt;br /&gt;Mas eu sei que as paredes a caírem para cima de mim é apenas uma ilusão óptica, que existe porque tenho estado desde manhã a respirar o mesmo ar, estou a ficar intoxicado com dióxido de carbono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala há uma cadeira com uma pele de leopardo verdadeira em cima; e dentro de uma arca está a pele de uma cobra. À noite, quando é hora de dormir, faz-se magia negra, bebe-se sangue em copos de vinho. Interpreta-se o passado e prevê-se o futuro.&lt;br /&gt;E não se dorme porque algo habita estas paredes e rouba o sono.&lt;br /&gt;E acorda-se com os olhos vermelhos, com a cara inchada, com o saque sanguíneo digerido. E as paredes tombam e o ar rareia e as alucinações fazem-nos sair à varanda, puxar com força todo o ar que está na rua e tentar respirar. E com os pés no parapeito, inclinados para frente, inspiramos com pulmões infinitos, vemos o efeito do vácuo; e inclinamo-nos mais e mais e mais e queremos mais ar e inclinamo-nos tanto que fazemos equilibrismo no lancil e caímos e quando tocamos o chão a vida expira-se e o ar expira-se e a normalidade volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112853117684459643?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112853117684459643/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112853117684459643&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112853117684459643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112853117684459643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/efeito-de-estufa.html' title='Efeito de estufa'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112842488480723150</id><published>2005-10-04T11:30:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:03.510Z</updated><title type='text'>Esquerda-direita-direita-esquerda</title><content type='html'>Como contar algo que já tinha tido início há mais de um ano? Ou seja, quero dizer que ando a tentar acertar o passo comigo mesmo há mais de um ano. E acertei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abreviando, e muito, tudo começou na quinta-feira, dia vinte e nove de Setembro. Descia uma rua movimentada de Lisboa quando me telefonam a marcar a entrevista. Era uma entrevista para uma aplicação que tinha entregue dois dias antes, dia vinte sete de Setembro. Quando regressei a casa, olhei para o meu guarda-roupa, que actualmente é uma cadeira com um amontoado de calças, camisolas, meias e boxers.&lt;br /&gt;As meias que tinha que levar já estavam à partida escolhidas, as calças não as usava há mais de quatro dias, para não as sujar, a pensar naquele momento e a camisola levou tratamento igual. Os boxers, esses foram escolhidos um dia depois, quando vieram de lavar. Ah!, os ténis também já estavam designados, visto não ter outro calçado. Basicamente, eram as calças de ganga menos largas que tenho, uns boxers vermelhos, uma camisola branca, lisa, umas meias escuras e uns ténis castanhos, de camurça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista estava marcada para ontem, dia três de Outubro. Um dia antes, tinha roupa toda pronta. Mas faltava-me uma meia. Em pânico, virei o cesto da roupa suja ao contrário e fui encontrá-la bem no fundo. Enchi um pequeno alguidar com água tépida e algum detergente e lá dentro depositei a meia. Meia hora depois tirei-a, enxaguei-a e pu-la a secar.&lt;br /&gt;No dia seguinte, ontem, já estava seca.&lt;br /&gt;Bem, depois disso já não havia nada a fazer, a entrevista eram favas contadas, fui aceite no Mestrado em Estudos Comparatistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jantei sozinho, festejei com dois copos de vinho e duas pratadas de sopa, caldo-verde. Entretanto tive companhia e os dois copos transformaram-se em duas garrafas, Monte das Servas.&lt;br /&gt;Acho que preciso de uma aspirina e outro café.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112842488480723150?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112842488480723150/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112842488480723150&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112842488480723150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112842488480723150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/esquerda-direita-direita-esquerda.html' title='Esquerda-direita-direita-esquerda'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112835706869184330</id><published>2005-10-02T18:56:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:03.182Z</updated><title type='text'>Dez anos de diferença</title><content type='html'>A primeira vez que pensei que podia ser escritor tive medo: e se um dia se me esgotassem as ideias? Na altura tinha umas quantas e com medo que me fizessem falta um dia mais tarde (passados uns dias já nem sequer me lembrava do sucedido, já nem sequer pensava que gostaria de escrever). Acima de qualquer coisa, tinha medo que me viesse o chamado bloqueio de escritor, assim nos ensinam os filmes norte-americanos. Acontece que desde essa altura até agora, nunca me tinha decidido a ser escritor, portanto nunca tinha tido o bloqueio de escritor.&lt;br /&gt;Desde a primeira vez que pensei em ser escritor até agora, passaram dez anos. Entretanto não me tornei escritor, mas escrevo muito. E da mesma forma que nunca senti ímpetos de inspiração também nunca senti bloqueio de escritor. Acho que no fundo o processo criativo deve ser encarado como um acumular de experiências que nos leva a um lugar onde nunca ninguém esteve antes: ou então leva-nos a um lugar onde já está muita gente, mas numa perspectiva que nunca ninguém viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como grande parte das reflexões que faço, era de noite e ia a guiar. Suponho que a criação esteja directamente ligada à sensibilidade, às diferentes formas que temos de absorver o que nos rodeia e o que nos sensibiliza.&lt;br /&gt;Lembro-me, no meio de um deboche alcoólico, argumentar sobre processos criativos. Alguém defendia que para fazer arte era necessário noventa e oito por cento de criatividade e apensa dois por cento de trabalho; na altura fiquei a pensar naquilo, sem emitir opinião. Parece-me agora noventa e oito por cento de trabalho e dois por cento de criatividade.&lt;br /&gt;Porque entretanto passaram dez anos, não me tornei escritor mas escrevo muito. E não tenho ímpetos de inspiração nem bloqueio de escritor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112835706869184330?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112835706869184330/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112835706869184330&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112835706869184330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112835706869184330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/10/dez-anos-de-diferena.html' title='Dez anos de diferença'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112816249538976391</id><published>2005-09-30T18:56:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:16:02.911Z</updated><title type='text'>Memória Fotográfica</title><content type='html'>&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/Imagem45.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de algumas fotografias que tinha tirado com o telemóvel. Têm quase dez meses, mas parece que foi há muito mais tempo.&lt;br /&gt;Esta fotografia foi tirada numa noite de muita chuva, num bar muito pequenino em Évora. O interior de um esquentador feito candeeiro. Um atirou fumo do cigarro para a luz e o outro tirou a fotografia. Há muitas mais memórias dessas noites, mas gosto particularmente desta fotografia, pelo efeito que as cores ganham com a má qualidade da fotografia. E porque me faz lembrar de quem fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/Imagem25.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi tirada no penúltimo dia da exposição da Paula Rego no Museu de Serralves, dia vinte e dois de Janeiro. Viajámos de Évora ao Porto e voltámos.&lt;br /&gt;É um dos quadros que mais gostei. Apesar dos personagens terem sempre expressões muito grosseiras e masculinas, acho este quadro pleno de intimidade feminina, de confidência.&lt;br /&gt;Tenho pena de já não me lembrar do nome do quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que é bonito recordar, encontrarmo-nos com o passado sem que com isso haja conflitos. Hoje encontrei-me com o meu, no exacto momento em dei um grande passo para frente. Dei o passo para frente e olhei para trás, para ter a certeza de onde tinha vindo, para ter a certeza para onde vou.&lt;br /&gt;Olhei para trás sem saudades, apenas com melancolia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112816249538976391?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112816249538976391/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112816249538976391&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112816249538976391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112816249538976391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/memria-fotogrfica.html' title='Memória Fotográfica'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112799086959900164</id><published>2005-09-28T22:57:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:57.240Z</updated><title type='text'>Três noites sem sono</title><content type='html'>Uma a uma, as pessoas deitaram-se. Sinto bem na pele o cansaço da terceira noite de semi-vigília. O sono custa a chegar, as horas da noite arrastam-se e, chegando a manhã com o seu sol conciliador, chega também a ausência de sono, o cansaço acumulado sobre o corpo. Erguem-se os dias numa barreira de solidão e inutilidade, erguem-se vorazes, devoradores da rapidez do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada dia que se arrasta é apenas uma colecção de horas que faço, esperando a notícia, a novidade. Mas os dias demoram, estendem-se em contornos de ansiedade e respirações profundas. Às vezes olho ao espelho e penso que talvez esta tenha sido uma má altura para deixar de fumar: agora era uma boa altura para ter uma desculpa que me permitisse fumar desalmadamente. No entanto, não sinto vontade de fumar.&lt;br /&gt;Olhei ao espelho a meio da noite, após ter conseguido dormir três horas. Eram quatro. Reconheci na minha testa rugas de expressão. E estava a dormir. Não tenho tido um sono pacífico, povoado de sonhos estranhos, visões e desejos de um futuro próximo. Receios e medos recentes ou reincidentes. As três horas que tinha dormido tinham-se resumido a um visceral combate entre o corpo e a matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando volto a levantar a cabeça, escrevi duas páginas de um código indecifrável. São os meus sonhos elevados ao expoente do ecrã de computador, incompreensíveis até para mim. Deixam uma marca indelével na memória do acordar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112799086959900164?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112799086959900164/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112799086959900164&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112799086959900164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112799086959900164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/trs-noites-sem-sono.html' title='Três noites sem sono'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112791313380362051</id><published>2005-09-27T16:28:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:56.871Z</updated><title type='text'>Pessoas da rua</title><content type='html'>Só vi pessoas que se assemelhavam a personagens de livros, pessoas tristes e felizes, pessoas que tem casa para onde voltar, pessoas reais e pessoas que só podem existir na minha imaginação. No fundo, não se eram mesmo personagens do livro que tinha andado a ler na última semana. Eram todos tão parecidos; podiam ser também personagens de outros livros que já tinha lido, anos antes, meses antes, semanas antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no metro na estação de Saldanha e estava um homem alto, risca ao lado e cabelo comprido sentado num banco; sentei-me ao seu lado e assaltou-me uma dúvida, onde é que eu já o tinha visto. Usava um pólo às riscas azuis, verdes e vermelho escuro, calças de bombazina vermelhas, escuras também e um casaco de fazendo grosseira, puído e descarnado nas mangas e nas bainhas. Trazia uma pasta.&lt;br /&gt;Chegou o metro e as pessoas desviaram-se dele, afastaram-se entrando por outra porta que dava acesso a outra carruagem. Comecei por segui-las, mas acabei por voltar para trás, acabei por escolher um lugar que me deixava contemplar o homem à vontade. Alto como era, estava levemente encolhido sobre si mesmo, como se o medo das outras pessoas lhe pesasse nos ombros.&lt;br /&gt;Saiu na estação de Entrecampos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinha de casa para casa. No autocarro, longa carreira, de quarenta minutos. Reparei noutro homem, pele curtida pelo sol, áspera, como as mãos que se agarravam evitando o desequilíbrio do corpo. Sentou-se ao meu lado, do outro lado da coxia quando uma senhora se levantou. Na paragem seguinte entrou outro senhor, que se dirigiu ao primeiro perguntando-lhe pelo dinheiro que lhe devia.&lt;br /&gt;Tinha uma voz nasalada, uma voz de perigo, de quem não se intimida por estar num autocarro cheio. O primeiro respondeu que se ali tivesse o dinheiro lho dava, mas que não tinha. A culpa tinha sido do outro que lhe tinha emprestado o dinheiro e que não lhe agradava que ele o andasse a expor em publico, no autocarro.&lt;br /&gt;Saíram duas paragens antes da Praça do Chile, pelo vidro de trás vi uma navalha a sair e a rasgar a cara do primeiro, num lanho profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha-me levantado um pouco antes. Olhei em volta, as pessoas do autocarro. Qualquer uma delas de ouvidos e olhos atentos ao que se passava, mas muito pouco interessadas no desfecho.&lt;br /&gt;Senti-me conivente com elas, anónimo, escroto.&lt;br /&gt;Subi ao sexto andar e contemplei a rua onde costumo ver as mulheres, de noite e madrugada, aceitar e rejeitar os carros que passam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112791313380362051?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112791313380362051/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112791313380362051&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112791313380362051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112791313380362051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/pessoas-da-rua.html' title='Pessoas da rua'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112774363216401279</id><published>2005-09-25T14:24:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:56.537Z</updated><title type='text'>Vento Cinzento</title><content type='html'>E o monsenhor disse “Que a paz de Deus esteja convosco.”&lt;br /&gt;E eu pensei «Que se foda a paz de Deus, eu preciso é de paz de alma.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi por aqui que começou o fim-de-semana, mas bem podia ter sido. Nem sei bem quando começou.&lt;br /&gt;Acho que os dias não são tão estanques como a semana nos pretende impor, já não existe uma tão definida separação entre o que são os dias úteis e os dias inúteis, os do final da semana. Os dias agregam-se uns aos outros, numa toada desfocada, numa espécie de continuidade cinzenta. E chegado o final da semana dei por mim a arrumar malas sem sequer as ter desfeito, a viajar de um local para outro, desejando no fundo um pouco de paz.&lt;br /&gt;Passadas duas horas acordei. Tinha guiado durante esse tempo todo. Tinha? De certeza? Não me lembro, nem sequer da última ultrapassagem. Só quando a cara dos familiares a aproximarem-se para nos cumprimentar é que dei conta de onde estava. Outra vez longe de casa, sem ter um sítio onde chamar casa. Porque nos últimos tempos tenho andado sempre tão longe dela, a dormir aqui e ali, sem pouso definido e concreto.&lt;br /&gt;O vento soprava forte e o céu estava cinzento. Na sala da casa havia uma janela enorme, com várias portas, viam-se os socalcos do terreno, as casas feias, tudo em tonalidades de sujidade e abandono. Estava um dia de Outono. Vento e frio. Um raio de sol que espreitava; havia alturas em que parecia ter retornado à época medieval, quando os olhos ficavam muito tempo presos na lareira, a contemplar a irregularidade das labaredas. E de repente alguém gritava,&lt;br /&gt;«Não deixes morrer o lume… Quem é que trouxe esta lenha? Está toda podre, arde num instante…»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos quinze numa mesa muito grande. Todos familiares, uns directos, outros por afinidade. Antes disso a casa foi benzida pelo monsenhor, familiar directo. Terminou.&lt;br /&gt;E o monsenhor disse “Que a paz de Deus esteja convosco.”&lt;br /&gt;E eu pensei «Que se foda a paz de Deus, eu preciso é de paz de alma.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou o almoço na mesa grande, com conversas cruzadas e de inocência turvada. Senti-me cada vez mais longe de casa, pensei que devia era estar com o vento do Outono que anuncia a breve chegada do Inverno, devia estar no céu cinzento que permite um raio de sol de quando em vez. Sentia a terra a entrar dentro de mim, a terra húmida e fria, lamacenta. Tentei não perder de vista as sensações deste Outono, a vontade de ser vento veloz, a vontade de ser terra húmida, de ser sombra de árvore em dias de nuvens.&lt;br /&gt;O monsenhor voltou a falar, a rezar qualquer coisa dos frutos da terra. No fundo acho que ninguém lhe prestou muita atenção, talvez a minha avó, sua irmã, católica devota. Os outros, católicos falsos e verdadeiros, pensavam nos frutos silvestres de um doce que não durou até ao lanche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi na cama das minhas lágrimas, na tarde sem sol.&lt;br /&gt;Saí de casa, caminhei por um caminho de alcatrão que julgava ser de terra.&lt;br /&gt;Regressei no banco de trás, mais uma vez sem ter tido consciência da viagem que fiz. Jantei na companhia de três pessoas, sem sequer me conseguir lembrar daquilo que conversavam, daquilo que partilhavam umas com as outras. Tinha ainda demasiado dentro de mim, demasiado à flor da pele a terra húmida, o vento frio da tarde sem sol. Do miúdo e da bicicleta que desafiava todos, na sua valentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de ouvir alguém a falar ao telemóvel, para depois reportar a todos que a terra da minha mãe estava a arder. Contaram que tinha havido um casamento de 600 pessoas. As aldeias estavam vazias. Quem pegou o fogo, em três locais diferentes, foi o 601º convidado. As pessoas são perversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde de vento e céu cinzento acabou em tarde de cinza, longe de casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112774363216401279?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112774363216401279/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112774363216401279&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112774363216401279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112774363216401279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/vento-cinzento.html' title='Vento Cinzento'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112738400731196413</id><published>2005-09-21T22:37:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:56.287Z</updated><title type='text'>Marca de água</title><content type='html'>Senti finalmente a paz inundar-me o espírito, consegui finalmente estabelecer uma trégua eterna com os meus demónios, fantasmas, passado que me assombrava e me retirava o sono, ou o descanso que com ele conseguia.&lt;br /&gt;Senti a paz como uma traição. Porque neste momento deveria estar a experimentar o mais profundo sentimento de perda; no entanto não o sinto. Sinto que a minha vida deve continuar a evoluir, não deve ficar parada no tempo e ainda que eu sofra com a perda, não deixo que esta manipule a minha vida, que a tome pelos pulsos, braços, tronco, pernas e a devolva à inércia em que vivi. Sinto-me agora capaz de lidar com a ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive com poucas pessoas hoje, três ou quatro, falei com outras tantas ao telefone. Algumas perguntaram-me como estava. Estou bem, triste mas bem. Porque é parte inalienável do amor, a tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há marcas que são indecifráveis, que só passados anos é que as reconhecemos como inícios ou finais de períodos da nossa vida. Outras são tão óbvias que se não as reconhecermos logo é porque as não queremos ver. No mesmo dia, perdi parte de mim e fui publicado pela primeira vez, comecei a ver um sonho esboçado a ganhar contornos de realidade. Há marcas que não se podem ignorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desce pelo meu corpo a paz que mais tarde chamarei desespero e dor, mas que agora ainda é paz. Sorrio, no espelho da porta vejo que é um sorriso triste. Mas é um sorriso de paz, um sorriso que me diz que vai tudo correr bem. Mas cresce, numa proporção directa à certeza de que tudo vai correr bem, a dor da ausência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112738400731196413?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112738400731196413/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112738400731196413&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112738400731196413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112738400731196413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/marca-de-gua.html' title='Marca de água'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112720975039974397</id><published>2005-09-19T22:56:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:55.814Z</updated><title type='text'>«Keep Strong»</title><content type='html'>As lágrimas que caem sobre o teclado não existem: são as mesmas que caem sobre o ecrã do computador sob a forma de letras.&lt;br /&gt;(Lembro-me do tempo em que me autodestruía de forma a conseguir ser criativo e vejo-me agora incapaz de raciocinar, de dar um seguimento aos pensamentos porque me sinto vazio.)&lt;br /&gt;Arrancaram de mim uma importante parte. Arrancaram pelas vísceras, arrancaram com todas as forças. Como conseguir ser criativo se me sinto tão vazio? Sai-me tudo demasiado pessoal, demasiado íntimo para ser partilhado. Não há metáforas nem hipérboles nem hipérbatos que consigam transformar esta dor, que lhe consigam dar uma toada mais lírica. Dói que parece que vamos explodir, que não vamos aguentar mais, que nem sequer cabemos em nós, que desesperamos. Não dói do amor frustrado, dói do amor conseguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despedida foi hoje, mas a partida é amanhã. Cedo.&lt;br /&gt;Talvez seja melhor assim, talvez não seja forte o suficiente para aguentar a violência de uma despedida deste tamanho. É a primeira vez que vivo uma perda como esta: por todos os verbos acabados em “ar” que me ensinaram.&lt;br /&gt;Tenho-me debatido no dilema de ir ou não ir ao aeroporto, de esquecer que à volta existem mais despedidas e que existem pessoas e que existe uma cidade que rodeia aquele momento e deixar-me esvair em lágrimas. Mas sucumbi à cobardia dos que não têm força para aguentar a violência existencial. Talvez seja melhor assim. Talvez não. Talvez.&lt;br /&gt;Conversámos e achámos que era melhor assim. Evocámos todas as razões racionais e sentimentais para que fosse melhor a minha não ida ao aeroporto. Mas porque é que me sinto tão mal? Sei que no aeroporto desejaria mil vezes que aquilo acabasse rápido, não fui talhado para despedidas longas e dolorosas. Violentas, dilacerantes. A conversa terminou, achámos que era mesmo demasiada violência, para qualquer um de nós, para os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se as últimas horas em amena conversa, em riso tranquilo e sem pressas. A disposição era calma, como se o tempo do mundo estivesse ao nosso dispor, não houve pressas nem atropelos, foi uma tarde que foi passando. Os ponteiros ignóbeis, ignorados. O tempo foi nosso, nem demasiado rápido, nem demasiado lento, na proporção exacta.&lt;br /&gt;De vez em quando um clarão negro de tristeza surgia nos olhos, ou de um ou de outro; era rapidamente apagado com um beijo ou com um carinho. Houve um momento em que não abri a boca, em que disse tudo. Ela respondeu «Eu ouvi o que disseste». Sorri, há coisas que não necessitam ser ditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde alongou-se até chegar com os braços à noite, agarrou-a e puxou-a a si. Abraçaram-se, tarde e noite, com força, até a madrugada vir para as soltar. Ao passar pelo parque, a caminho do carro, é que senti realmente que estava minutos de me perder, de perder parte de mim. Abraçados o caminho todo, estava frio, o vento do Outono tinha chegado dois dias antes, já ameaçava Lisboa, já ameaçava as folhas das árvores.&lt;br /&gt;Entrámos no carro, andámos alguns metros até à porta do meu prédio. Dois suspiros, longos, langorosos e doridos ecoaram pelo carro.&lt;br /&gt;Num abraço de desespero incontido, senti a boca encostar-se ao meu ouvido, num movimento quase imperceptível, num sussurro quase inaudível. Eu disse «Eu ouvi o que disseste». Respondeu-me com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí e começou a manobrar o carro. Estava sinal vermelho. Fiquei a olhar para ela. Abriu o vidro e aproximei-me. Agarrou a minha mão com força, beijou-me a palma e disse-me «Keep strong».&lt;br /&gt;Ficou verde e arrancou, no meio dos outros carros, no meio das luzes da cidade.&lt;br /&gt;E as lágrimas negras, uma a uma sobre o teclado, uma a uma no ecrã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112720975039974397?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112720975039974397/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112720975039974397&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112720975039974397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112720975039974397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/keep-strong.html' title='«Keep Strong»'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112712605978480939</id><published>2005-09-18T21:48:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:55.346Z</updated><title type='text'>Pacto de Ternura</title><content type='html'>Voltei ao parque, descalço. Com vontade de receber sol e ver a relva, os olhos espalhados pela imensidão de verde.&lt;br /&gt;Fiquei com o livro fechado sobre o regaço e o leitor de música na mochila, a inspirar a felicidade das pessoas. Havia a avó super protectora a dizer aos netos que não podiam sair do jardim, os casais que namoravam, as pessoas que estavam só por estar, os que liam e os que tentavam ler, os que jogavam futebol, os que passavam, por fazer o parque parte do seu caminho.&lt;br /&gt;O casal com a criança de um ano que começava a conseguir pôr as pernas, uma à frente da outra, nos primeiros arremedos de passos. E caía na relva e voltava levantar-se e ria-se e voltava a tentar pôr os pés um à frente do outro. Os pais deleitavam-se com a menina que ria e levantava o vestido e se levantava do chão; disputava o casal o amor da filha, que sem saber, já era objecto de discórdia. Com visível amor, o pais queriam que a filha gostasse mais de um do que de outro; faziam esse ritual de auto-segurança sem darem bem conta do que estavam a fazer. E pensar que havia tanto amor. Porque a mãe luta pela criança com as mamadas, com a relação umbilical. O pai recupera agora o tempo perdido, disputa a filha com cócegas e mimos, com histórias de adormecer e um biberão de leite morno. Como a disputará com uma nota de vinte euros dada à socapa nas primeiras saídas nocturnas.&lt;br /&gt;Mas o casal é feliz na doce disputa do amor. O amor entre eles já não interessa, interessa sim o amor da filha, porque esse existirá enquanto a vida existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do parque não guardo só as memórias da tarde, as imagens que recolhi das pessoas, os movimentos e os gestos. Guardei também todos os outros parques em que estive, em que partilhei e dos quais agora me despeço. Não que agora tenha deixado de ir para os parques, agora despeço-me deles porque os encaro numa perspectiva diferente, muito diferente. Não sinto a mesma vontade de ir partilhar segredos e beijos: porque agora vou sozinho. E não é igual, não é mesmo nada igual.&lt;br /&gt;Mas a despedida não implica ausência, vou continuar a ler nos parques, a observar as pessoas.&lt;br /&gt;Porque se continua a partilhar a mesma ternura, o mesmo olhar ansioso de outro amasso, o mesmo segredo dito em voz muito baixa, quase imperceptível, o sussurro que se transformou em beijo. À distância de muitos quilómetros. À proximidade de um bater de coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112712605978480939?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112712605978480939/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112712605978480939&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112712605978480939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112712605978480939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/pacto-de-ternura.html' title='Pacto de Ternura'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112688057201413608</id><published>2005-09-16T14:23:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:54.790Z</updated><title type='text'>Atirar pedras ao mar e fazer ricochetes</title><content type='html'>Sempre me acompanhou uma sensação de perda; não de agora, de há anos. Como se parte da minha vida me tivesse sido negada e não a conseguisse mais encontrar.&lt;br /&gt;Numa noite de muito vinho, de gin, o sentimento de perda foi-se acentuando, e à medida que as horas vão passando, acentua-se cada vez mais. Uma espécie saudosa por antecipação.&lt;br /&gt;Já não se contabiliza o tempo por semanas ou dias, começam as horas a tomar conta do pensamento. Sinto que tudo à minha volta se começa a estragar, o ecrã do computador, o álbum riscado, o iogurte fora da validade. Parece que as pequenas coisas dão forma à sensação da ausência, da morte interior que vai ganhando forma; começa, à minha volta, a morte a acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem assinei o contrato para uma casa; uma casa que vou partilhar com mais pessoas. Uma casa que marca o início de uma nova fase, de um novo sentido na minha vida que, até agora, tinha sido totalmente desprovida de um. Comecei há pouco a ter uma noção definida daquilo que pretendo fazer, daquilo que me faz acordar todos os dias, daquilo que me faz sentar ao computador e premir as teclas. O que me faz acordar todos os dias é justamente o premir das teclas, o barulho que faz este teclado tão antigo, as ideias escritas à pressa e espalhadas em pedaços de papel na secretária, ou no banco que serve de banca de cabeceira. O som que sai distorcido das colunas pequenas, a música que me faz tremer por dentro, a mesma música triste que daqui a alguns dias vou achar insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor não existe por existir, a dor não existe para trazer com ela a criatividade dilaceradora e falsa. A dor existe porque faz parte do todo, porque faz sentido existir, porque está intimamente ligada – muito intimamente – ao amor. E por compreender que é o lugar dela existir, aceito-a, minimizando-a com a esperança de que se vais contabilizar o tempo por horas e não por meses e semanas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112688057201413608?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112688057201413608/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112688057201413608&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112688057201413608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112688057201413608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/atirar-pedras-ao-mar-e-fazer.html' title='Atirar pedras ao mar e fazer ricochetes'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112669582637272470</id><published>2005-09-14T11:11:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:54.168Z</updated><title type='text'>Alice, Miguel, Norah, Régine</title><content type='html'>O vento entra pelas janelas abertas, um vento quente, suão. Mas é de noite, as luzes da estrada dão algum conforto na solidão. Carros e carros e pessoas dentro dos carros a dormir. Pessoas que contemplam aquilo que a velocidade do carro lhes permite, o vento que faz com que semicerrem os olhos, com que semicerremos os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice.&lt;br /&gt;Ia a guiar e morreu. Morreu num acidente. Gosto de pensar que ia a guiar e a contemplar o céu a azular, a escurecer no crepúsculo que ela julgava ser apenas do dia, não o seu. Porque morreu sem dar conta, com as imagens das montanhas e o sol a esconder-se, o céu azul e vermelho, as suas roupas rasgadas e ensanguentadas, vermelhas e azuis. Os olhos abertos, sem vida, a contemplar a morte e as montanhas e o céu. Morreu com um sorriso. E uma folha mais caída da árvore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel.&lt;br /&gt;Ia a guiar e viu a morte. Ia olhava para a beata acesa do cigarro, distraía-se com a música que pulava violenta do auto rádio. Quando saiu do carro vomitou, quando saiu do carro chorou sozinho por não ter morrido, por se ter entregue à morte e ter sobrevivido. Sentou-se na berma da estrada a olhar o carro e mais do que nunca sentiu-se sozinho.&lt;br /&gt;Quando tentava viver, agarrar-se à vida sem saber como, tentaram matá-lo. Ia a guiar e baterem-lhe de lado. Não lhe acertaram, acertaram do outro lado. Não morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norah.&lt;br /&gt;Dormia na paz do banco de trás enquanto acontecia o crepúsculo do dia. As janelas iam baixas, o vento sussurrava-lhe a face, aliciando-a ao sono. Os olhos iam-se fechando com o cansaço e com o vento forte, o vento cálido era tão saboroso. O carro deslizava quase sem barulho, o vento cantava aos seus ouvidos uma canção de embale muito doce, fechou os olhos e adormeceu. Não deu conta de ter morrido e quando a encontraram tinha uma expressão de doce sono, de nunca ter dado conta de que tinha morrido. Era filha da Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Régine.&lt;br /&gt;Canta a morte da Alice e da Norah. Canta-a com a dor pujante de quem não morre, de quem fica para trás a apanhar os restos daqueles que já partiram. Conta as folhas que caem da árvore tão depressa e não deviam, é Primavera, não Outono. Sente dentro de si a morte dilacerar as vísceras, sente-se morrer mais do que aqueles que teve que ver descer para debaixo da terra. Canta com raiva e amor. E muita tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrito a partir de «In The Backseat», Arcade Fire, “Funeral” (2004)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112669582637272470?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112669582637272470/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112669582637272470&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112669582637272470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112669582637272470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/alice-miguel-norah-rgine.html' title='Alice, Miguel, Norah, Régine'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112652101836679927</id><published>2005-09-12T10:59:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:53.871Z</updated><title type='text'>Segunda-feira de sol</title><content type='html'>Descalcei-me e senti nos pés a relva fresca. Deitei-me no chão, olhei para o céu. Vi o risco branco de um avião e lembrei-me do que me tinham ensinado: pedi um desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom ter um jardim com um relvado grande à porta de casa. De manhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112652101836679927?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112652101836679927/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112652101836679927&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112652101836679927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112652101836679927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/segunda-feira-de-sol.html' title='Segunda-feira de sol'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112652096529533733</id><published>2005-09-10T18:57:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:53.591Z</updated><title type='text'>Sábado Sabático em Silêncio</title><content type='html'>A casa esteve fechada o dia inteiro. A luz foi filtrada pelas persianas, pelas cortinas, pelos vidros das janelas. Respirei o mesmo ar vezes sem conta, até que os pulmões de inspirar e expirar o mesmo ar.&lt;br /&gt;Desde cedo que fiquei sozinho e me entreguei aos mais perversos exercícios mentais, os pensamentos de quem se encontra sozinho, de quem está entregue a uma casa e não quer ser encontrado; ou quer?&lt;br /&gt;Sei que temo o momento em que vão tocar à porta, em que vão arrancar palavras da minha boca, em que as minhas cordas vocais vão vibrar deliberadamente porque é socialmente necessário que eu responda a quem a mim se dirige. Podia ficar em silêncio, evitar a comunicação com o mundo exterior. Estive sete horas sem conversar, nem mesmo comigo. Estupidifiquei-me deitado, sentado, adormecido, acordado, no sofá. Decidi que mais não podia ser. Liguei o computador e aquele álbum que me ofereceram ontem, por ocasião de um festejo tardio do meu aniversário, Nouvelle Vague.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo ainda sentir os olhos sonolentos de uma manhã mal resolvida na cama. Consigo senti-los a pesar perante a luz forte do computador. Esteve um dia de sol e eu não o vi, escondi-me atrás dos vidros e das cortinas e das persianas. Dirigi-me a outra divisão da casa e tive que voltar a respirar, o ar pesado respirado e repisado não era o mesmo, era um ar fresco e frio como essa parte da casa que não recebe sol, durante parte alguma do dia.Espreito por entre as frestas da persiana, pelos pequenos buracos o dia que se esvai, desperdiçado, vazio, sem sentido. Volto a sentir o peso nas minhas costas, o peso que preferia não carregar, da culpa da inércia, da preguiça e da eterna luta da vontade contra o peso e os músculos e a carne.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112652096529533733?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112652096529533733/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112652096529533733&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112652096529533733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112652096529533733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/sbado-sabtico-em-silncio.html' title='Sábado Sabático em Silêncio'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112626590894776342</id><published>2005-09-09T11:46:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:53.239Z</updated><title type='text'>O Adrian Mole e eu</title><content type='html'>Quis ser escritor pela primeira vez aos treze anos. Mais ou menos na mesma altura em que estava a ler Adrian Mole. Ler os primeiros três livros deixou-me um sabor amargo na boca, porque encontrava, mais coisa menos coisa, o meu retrato. Bem, talvez o retrato de todas as pessoas que têm treze anos e querem ser escritoras.&lt;br /&gt;Era inspirado pele mesma amargura, pela ternura arrogante, pela altivez de quem se julga especial. Com todas as coisas boas e más que vêem aliadas a isso; mais as más que as boas, porque boas não há muitas. Identificava-me muito com Adrian Mole pelo ostracismo a que me votava. E ao mesmo tempo, não queria ser como ele porque ele era xenófobo, racista, imbecil, parvo, pouco inteligente e eu não era nenhuma dessas coisas. (Olhando para trás, acho que era tudo menos racista e xenófobo.)&lt;br /&gt;Os anos foram passando e eu sempre pensei muito no Adrian Mole. Na sua capacidade de escrever, na ausência de vida amorosa, na ignorância a que se entregava. Comecei a achar que talvez fossemos muito diferente – não que a minha vida seja muito interessante para os outros, pelo menos eu sinto-me feliz com ela e quando não me sinto, faço algo para a mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me do Adrian Mole e de mim quando hoje ia na rua, à chuva. Vinha da Culturgest, ao chuvisco e passou por mim uma rapariga que ficou muito tempo a olhar para mim. Não me olhava como se estivesse interessada em ver que roupa eu vestia ou o que é que a minha camisa tinha escrito. Olhava-me fixamente nos olhos, como se quisesse ver-me por dentro, como se estivesse interessada no que me preenchia e não no meu invólucro. Não consegui suportar o olhar que me revirava por dentro, que descortinava e remexia nas minhas entranhas. Baixei os olhos e olhei para uns ténis pretos e brancos e umas calças de ganga que passaram por mim.&lt;br /&gt;E pensei se esta rapariga, que me olhou tão para dentro, me reconheceria quando eu pudesse apenas escrever livros, quando as pessoas lessem aquilo que eu tenho para escrever.&lt;br /&gt;E lembrei-me de um e-mail que me enviaram alguns dias atrás: não dos mais fáceis de ler, mas dos mais bonitos pela honestidade que comportava. Dizia que eu era arrogante e que era uma fábrica de boas ideias subaproveitada; que na ausência da arrogância, seria uma pessoa muito melhor porque saberia receber ajuda que tornaria as minhas ideias muito melhores.&lt;br /&gt;E lembrei-me do Adrian Mole e da sua própria arrogância. Do seu isolamento do mundo, da sua pretensa superioridade. Voltei de novo aos treze anos e não quis ser assim.&lt;br /&gt;Passava por cima do rio Tejo, numa ponte e disseram-me que eu partilhava e que isso era uma das coisas boas em que eu tinha mudado. Lembrei-me do e-mail da minha irmã e do Adrian Mole e das conversas que tenho com a minha Dulcineia. Está na altura de partilhar a ideias, não só sentimentos e espaço.&lt;br /&gt;É bom ter pessoas que gostam assim de nós e nos impelem a ser melhores pessoas e a mudar. E que nos dizem estas coisas com honestidade e sinceridade sem magoar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112626590894776342?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112626590894776342/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112626590894776342&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112626590894776342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112626590894776342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/o-adrian-mole-e-eu.html' title='O Adrian Mole e eu'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112601432611076995</id><published>2005-09-06T13:47:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:52.885Z</updated><title type='text'>Mesmo que feches os olhos</title><content type='html'>Mesmo que feches os olhos vais ver.&lt;br /&gt;Isto porque se passou, há alguns dias atrás, bem à minha frente. Estava dentro de um carro e não sozinho, olhava pelo vidro da frente uma prostituta, que carro atrás de carro, renunciava clientes. Até os cinco homens que vinham dentro de um Honda Civic, com suspensões rebaixadas, saias e escape barulhento, que prometiam mundos e fundos e muito dinheiro e mesmo sem o dizer prometiam violência e não pagamento. Olhava uma imagem que dias mais tarde me trouxe pesadelos, horas mais tarde me trouxe pesadelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma mulher, metros adiante tinha um chulo que conversava com outros chulos, que guardavam as suas mulheres, que as rodavam com outras mais noves e menos gastas – no seu linguajar – e que as vendiam para ganhar dinheiro, para poder ter aquele carro melhor, mais um fio de ouro ou o que quer que seja que faz um homem vender uma mulher.&lt;br /&gt;A mulher renunciava todos os carros que passavam, os melhores, não vi parar nenhum carro que não se pudesse considerar um carro bom. Desejei-lhe bem, desejei pela sua sorte quando o Honda Civic parou. Dizia em voz alta, por favor não aceites, não aceites. Porque num carro daqueles com aquelas pessoas, a noite não acabaria bem. Nunca acaba, suponho eu, para pessoas assim. Umas vezes acaba melhor, outras nem por isso. Mas para quem vive assim, a noite nunca pode acabar bem. Ou acabar a bem.&lt;br /&gt;Custa a primeira vez que abrem as pernas por dinheiro. Chora-se, sentem-se sujas. Depois depende-se do dinheiro ganho a vender o corpo, qualquer parte que seja, é igual. O que muda é o preço.&lt;br /&gt;Pára um carro pequeno, lá de dentro sai uma outra mulher. O cigarro bem atravessado nos lábios, mal aceso pela pressa. Por cima das calças de tecido preto, arranja as cuecas. Custa-lhe o andar, não terá sido fácil esta parte da noite. Arranja as cuecas para que estas não lhe magoem mais a alma, para que a não mais a torturem quando se for deitar, quando ao céu aparecerem os primeiros alvores. À distância de poucos metros, está a mulher que renuncia os carros, que se aproxima dos vidros mas que se amedronta aquando a negociação. Faltam alguns metros e à mulher que vem com o cigarro atravessado nos lábios e a arranjar as cuecas para não a magoarem custa-lhe andar. Metros que parecem quilómetros.&lt;br /&gt;Peço para ir embora dali, que já não suporto mais o abjecto espectáculo. Consigo imaginar todas as lágrimas que são derramadas quando, aos primeiros alvores, sucumbindo ao cansaço no leito.&lt;br /&gt;Vejo estas mulheres nos meus sonhos que demasiado cedo se tornaram cadáveres, esqueletos da espécie humana. Pedaços de ossos sem carne. Por muito que tivesse fechado os olhos, elas voltaram. A rejeitar os carros, a fumar e a arranjar as cuecas dos abusos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112601432611076995?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112601432611076995/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112601432611076995&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112601432611076995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112601432611076995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/mesmo-que-feches-os-olhos.html' title='Mesmo que feches os olhos'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112591445794460891</id><published>2005-09-04T22:44:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:52.645Z</updated><title type='text'>Gin-Tonic e malmequeres</title><content type='html'>«Hum, gin-tonic… Que bom gin…»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei início ao serão com uma golada de gin, dei as boas vindas ao fim do fim-de-semana com uma valente golada de gin-tonic sem gelo; por muita vontade que tivesse de uma bebida bem gelada, de um aperitivo que desse as boas vindas ao fim do fim-de-semana, não havia gelo. Então seja, algo à temperatura ambiente. Algo que, de certeza, fará uma grande barafunda gástrica e mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-me cansado, senti que todo o peso da ausência de sono tinha caído em cima de mim; lembrei-me de como, há alguns meses atrás, conseguia aguentar noitadas bem regadas e ainda ir trabalhar, como tinha força para dormir poucas horas durante muito tempo. E vejo nas portas espelhadas uma cara que me pede sono, umas olheiras que se estendem negras. E um copo de bebida, para enganar o cansaço. Como se, subitamente, todo o cansaço acumulado caísse em cima de mim. E não só o cansaço do último ano, nem dos últimos quatro anos. Algo um pouco mais longo, que se estende à cronologia dos últimos dez anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ausentei-me de mim durante tanto tempo, para descobrir que não tinha razões para ser tão ausente. Para descobrir que talvez não fosse tão socialmente inadaptado. Ou sou, ou não sou ou sou ou talvez seja como o jogo do malmequerbemmequer, aleatório. Ou se previamente contarmos o número de pétalas, sabemos por onde começar e sabemos onde vai terminar e sabemos se casamos ou não.&lt;br /&gt;(Ou jogo das papoilas infantis, galo galinha ou pintainho.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o dia afundado no sofá, na inércia do não fazer nada, na ausência de pensamentos ou vontade do fazer. E abri o cucuruto da minha cabeça e despejei, à temperatura ambiente, copo e meio de gin-tonic, a frio. Porque não havia gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isto para não conseguir dizer nada, para continuar absorto em pensamentos e passar nada para a escrita. Para encontrar, impresso no ecrã do computador uma série de pensamentos aleatórios sobre o fim do fim-de-semana, ligações desconexas e esparsas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112591445794460891?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112591445794460891/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112591445794460891&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112591445794460891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112591445794460891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/gin-tonic-e-malmequeres.html' title='Gin-Tonic e malmequeres'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112556871631309922</id><published>2005-09-01T10:16:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:52.401Z</updated><title type='text'>Arte Comestível</title><content type='html'>Trabalhar de manhã é sempre complicado; não porque é de manhã, mas sim porque antes de ser manhã foi noite. E com a noite vinho e conversa.&lt;br /&gt;Mas vamos pôr os pontos nos “is” e os traços nos “ts” antes de começar. Porque tudo isto acontece num contexto temporal desfasado da realidade, ou seja, já aconteceu há algum tempo atrás.&lt;br /&gt;Recentemente fui ver o filme “Charlie And The Chocolate Factory”. Isto porque acho que o personagem principal, interpretado pelo Johnny Depp, tem algo a ver com o que se passou. Porque para ele o fabrico de chocolates era arte, tinha por trás um conceito artístico muito sustentado, assente em pilares de paladar e conhecimento muito sólidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em casa da minha irmã, de conversa. Não estava sozinho, estava com a minha irmã e com a minha doce companhia. Conversávamos, nada de importante, nada de especial. A minha doce companhia estava a ver a casa da minha irmã pela primeira vez, observava com os seus astutos olhos o circundante. Tínhamos um jantar combinado, não ali. Num repente lembrei-me&lt;br /&gt;«O queijo…»&lt;br /&gt;Porque para o combinado jantar tínhamos comprado um queijo que necessita de frigorífico – queijo feta. Enquanto me dirigia à cozinha para entregar o queijo ao refresco frigorífico ouvia na sala o diálogo. Dizia a minha doce companhia olhando um puzzle na parede, a servir de quadro&lt;br /&gt;«Ah, gostas de Klimt?»&lt;br /&gt;Ao que a minha confusa irmã responde&lt;br /&gt;“Não sei, nunca provei.”&lt;br /&gt;Ao que parece estava a pensar no queijo. De qualquer das formas, há dias voltei a casa da minha irmã e reparei que faltava uma peça ao quadro. Peguei outra vez na conversa, tentando tirar a prova dos nove. Responderam-me&lt;br /&gt;“A sério, Klimt é muito bom. Muito bom mesmo.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112556871631309922?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112556871631309922/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112556871631309922&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112556871631309922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112556871631309922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/09/arte-comestvel.html' title='Arte Comestível'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112548531442228848</id><published>2005-08-31T10:48:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:52.091Z</updated><title type='text'>Pessoal</title><content type='html'>O tempo virou velocidade e o que era Junho virou Julho que se tornou Agosto e desembocou em Setembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velocidade pessoal é algo que acontece sem que saibamos como; meses atrás o tempo era uma marcha lenta, uma cadência dolente que demorava a passar. Tornou-se então sem medida, ausente de presença, esquecido e rápido, o tempo.&lt;br /&gt;O tempo é agora um esgotar de dias muito rápido, que vemos escorregar pelas mãos como areia, que vemos desaparecer à nossa frente, que vemos fugir de nós que tentamos que ele pare, que se torne imóvel, que volte à dolência cadente da lentidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofereceram-me, há alguns dias atrás, uma galinha com forma de ovo. Uma galinha de metal que se dá corda e ela bica o que há para bicar, em cima da mesa, onde habitualmente a ponho. Bica restos de alguma coisa que comi perto do computador, restos de pensamentos, ideias, algumas notas de música que vou ouvindo para não me sentir.&lt;br /&gt;Embora não muito supersticioso, há hábitos que crio sem saber bem como nem porquê. Já não sou capaz de começar a trabalhar sem dar corda à galinha; como se o acto de bicar a mesa, significasse que estava a apanhar os restos de ontem, abrindo espaço para as ideias de hoje. Ou então o acto de dar corda simbolizasse que estaria a dar corda à capacidade de criar. Estranho é, por simbólico que pareça, que quando dou corda à galinha, altera-se a capacidade de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou por mim a sorrir quando ouço uma música que nunca tinha ouvido antes. Lembro-me de mais umas quantas melodias que me trazem este sentimento de quase-felicidade. Porque a música não é feliz, traz em si um sentido de esperança, como se significasse a alvorada de uma nova fase.&lt;br /&gt;E é. A noite foi passando bem quente durante o Verão. E o dia antes do Outono ter início é em si o início do Inverno. E olho pela janela, as nuvens que cobrem Lisboa, trazendo um Outono antecipado, a alvorada do Inverno duro e ríspido, de um frio nunca antes visto ou sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Map Of What Is Effortless» – Telefon Tel Aviv&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112548531442228848?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112548531442228848/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112548531442228848&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112548531442228848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112548531442228848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/pessoal.html' title='Pessoal'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112531415412029765</id><published>2005-08-28T11:39:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:51.782Z</updated><title type='text'>Outono Estival</title><content type='html'>Os dias têm nascido frios. As noites esquivam-se para dentro dos lençóis, escorrem por entre os corpos, espalham um frio outonal no final de Agosto.&lt;br /&gt;Estava em casa, a conversar, a olhar para televisão desligada – prática corrente, nos dias de hoje. Sugeriram-me música, qualquer coisa alegre para contrastar com ambiente modorrento, com o calor que empastava os movimentos e enrolava a língua. Sentia-me fundido com o sofá, como se começasse também eu a ficar daquela cor de vinho, com as pequenas irregularidades da textura. Fui até ao leitor de música. Sugeri um, dois, três álbuns.&lt;br /&gt;«Meu Deus, tu ouves música tão deprimente.»&lt;br /&gt;Ouço? Nunca me tinha conta. De certeza?&lt;br /&gt;Acho que ao longo do tempo me fui habituando a ser triste; acho que ao longo do tempo me fui habituado a ser triste. Lembro-me uma vez de uma citação de um livro que já não me lembro o nome. A citação, essa, tenho-a muito presente: “É natural que a beleza nos entristeça porque sabemos que é efémera.” Acho que era de Jostein Gaarder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguíamos chegar a um consenso sobre a banda sonora da nossa conversa. Decidimo-nos por um álbum sensual, de uma cantora negra já morta. Voltei ao sofá onde me acolheram, onde me encostaram a cabeça ao peito. Sabia-me bem os movimentos do respirar e os batimentos do coração. Fez-se a noite madrugada e eu fiquei sozinho. Batucava na minha cabeça o que me tinham dito «Meu Deus, tu ouves música tão deprimente.»&lt;br /&gt;Deitei-me com isso. Pensei na música que mexe comigo, naquela que me faz pele de galinha. Serei assim tão triste? Estarei assim tão impregnado com a decadência humana e com a ausência de felicidade? Não, nem nada que se pareça. Então qual a necessidade de ouvir música tão pesadona, tão visceral.&lt;br /&gt;Não consegui dormir, voltei à sala e olhei para os álbuns que tinha à disposição. Resolvi-me a ouvir um que tem muito piano. Ouvi os cinquenta e dois minutos até ao fim, li o libreto dessa ópera da tristeza. Na faixa nove ouvi chorar.&lt;br /&gt;Fui-me deitar, na esperança de conseguir, desta feita, dormir. Ainda não, mas também já não me conseguia voltar a levantar para mais cinquenta e dois minutos de catarse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre o estore, as luzes da rua entravam, preenchendo o quarto com sombras. Olhei para o tecto do quarto e revivi uma conversa no carro, a caminho do restaurante. Era sobre a felicidade.&lt;br /&gt;Sou feliz, sem dúvida alguma. Mas gosto de música triste.&lt;br /&gt;Não é contraditório nem paradoxal, as pessoas são felizes e tristes ao mesmo tempo, as pessoas têm defeitos e qualidades, as pessoas gostam e detestam.&lt;br /&gt;Mas sou feliz, sem dúvida alguma. E gosto de música triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ler a ouvir “The Boatman’s Call” (1997) de Nick Cave &amp;amp; The Bad Seeds)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112531415412029765?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112531415412029765/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112531415412029765&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112531415412029765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112531415412029765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/outono-estival.html' title='Outono Estival'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112505314817844184</id><published>2005-08-26T10:08:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:51.534Z</updated><title type='text'>A sala escarlate</title><content type='html'>A noite foi-se tornando longa e mais longa, cada vez mais. As vozes foram soando baixas e mais baixas, cada vez mais. Os copos já estavam vazios, cada vez mais; como se as gotas de vinho regressassem à garrafa após terem sido votadas ao abandono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei pela casa no silêncio nocturno; ouvia pela casa as respirações sossegadas e profundas. Nem essas me traziam o devido sossego, acordavam-me, mantinham-me desperto, embrenhavam-se nos meus ouvidos como os carros a passar, céleres, na avenida, Seis andares abaixo.&lt;br /&gt;Horas antes, algumas horas antes, conversava ao telefone na varanda. Varanda onde tantos cigarros fumei. Num momento em que notaram a minha ausência perguntaram&lt;br /&gt;«Estás a fumar não estás?»&lt;br /&gt;Por acaso não estava, mas as minhas mãos crispavam-se no parapeito de ferro verde. Sabia que as mãos se sujavam de pó naquele momento, do pó escuro, citadino. Não, não fumava.&lt;br /&gt;«Estás ausente, passa-se alguma coisa?»&lt;br /&gt;Observava a polícia montada, desmontada, ao lado dos dois cavalos. Para ver os cavalos, duas prostitutas tinham-se aproximado. Não traziam o ar de engate, queriam ver os animais; antes de serem prostitutas eram mulheres, pessoas. Contava isto a quem me notava ausente. Senti um sorriso, do outro lado do telefone.&lt;br /&gt;«Ora, não te admires que eles estejam a conversar, antes de serem polícias, são homens.»&lt;br /&gt;Ri-me. Desviei o olhar do que se passava lá em baixo. Uma quinta pessoa, aproximava-se do grupo, uma quinta pessoa masculina. Despedimo-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressei para dentro, à sala. Sentei-me numa cadeira com assento giratório, coberta por uma pele de leopardo e tentei concentrar-me na telenovela que se via. Esforço inglório, não fui talhado para tamanha ausência de pensamentos, já não consigo ter somente parte passiva naquilo que vejo. Tive vontade de esbofetear um personagem, esticar a mão e despejar-lhe um par de latadas na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lembrei-me do último filme que vi, “De tanto bater o meu coração parou”.&lt;br /&gt;Fui à cozinha, abri o armário; abri o outro ao lado e descobri o que queria. Enchi o copo com vinho e regressei à sala. Num momento em que o silêncio tomou conta de todos, liguei o leitor e ofereci a Chavela Vargas a cantar “La Llorona”. E as paredes da sala ficaram vermelhas e as pessoas ficaram boémias e o tom de voz ficou mais baixo, mais grave, mais quente, mais sussurrado e combinou-se uma conspiração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112505314817844184?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112505314817844184/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112505314817844184&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112505314817844184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112505314817844184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/sala-escarlate.html' title='A sala escarlate'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112489333442274938</id><published>2005-08-23T13:47:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:50.953Z</updated><title type='text'>Acordar</title><content type='html'>A primeira pessoa com quem falei ao vivo disse-me «Estás com um ar de merda.»&lt;br /&gt;E não é que estava mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinha falado com algumas pessoas antes de ouvir este comentário, mas estas não me tinham visto, estávamos à distância de ondas magnéticas. Depois de acordar tinha passado quase três horas sem falar, nem sequer tinha tido vontade de comunicar comigo mesmo. Sentia o corpo cansado e pesado.&lt;br /&gt;A primeira voz que ouvi era rouca como a minha. Era rouca mas conseguia reconhecer nela o calor que me aquecia – porque há calores que sabem sempre bem, quer seja Inverno ou Verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso fiquei sem falar outra vez. Andava de um lado para o outro, na casa, a pensar. Pensava no acordar, no despertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei a falar, a abrir a boca, a articular palavras. À mesma distância.&lt;br /&gt;“Meu Deus, como precisava que aqui estivesses.”&lt;br /&gt;Precisei de um cigarro; corri à mochila onda nada encontrei. Pela primeira vez comuniquei comigo, lembrando-me que tinha deixado fumar e como há decisões que não têm ponto de retorno, pensei que talvez tivesse sido uma não muito boa altura para deixar de fumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me um filme que me faz sorrir e senti-me conivente com o personagem principal. Porque há uma altura em que ele está vestido, dentro e uma banheira e chega a mulher dele que faz um olhar de espanto. Ele diz&lt;br /&gt;«Estava com muita sede.»&lt;br /&gt;E puxa-a para dentro da banheira, onde se beijam dentro de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apetecia-me estar dentro de água e puxar alguém e partilhar os lábios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112489333442274938?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112489333442274938/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112489333442274938&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112489333442274938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112489333442274938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/acordar.html' title='Acordar'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112463346247931456</id><published>2005-08-21T14:24:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:50.747Z</updated><title type='text'>A identidade do amor</title><content type='html'>O amor não é simples. E não é linear como o julgamos. Cada dia que passa descubro mais coisas sobre o amor, descubro que a sua complexidade me assusta: sei que não sou simples, bem longe disso, mas tenho alguma dificuldade em compreender como posso comportar em mim um sentimento tão cheio e tão complexo. Os ardis do amor são terrenos que nunca pisei. Porque para mim o amor é simples linear, gosta-se e pronto. Ou pelo menos era.&lt;br /&gt;Deixou o amor de ser simples; quer dizer, retirei-lhe eu o manto da simplicidade com que o tinha coberto. E encontrei um sentimento cheio de meandros, de ruas sem saída: e de ruas largas.&lt;br /&gt;“Que rua tão torta e tão longa, a do amor&lt;br /&gt;Que vento tão forte lá sopra, é o do amor&lt;br /&gt;Por vezes parece uma rua assombrada&lt;br /&gt;Com sombras de bruxa fazendo fada.”&lt;br /&gt;Escreveram uma vez a propósito do amor infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o amor começa com contornos complexos e depois simplifica com o tempo; simplifica mas não fica simples.&lt;br /&gt;Penso nisto depois de ter visto o “Closer” de Mike Nichols e de ter lido “L'Identité” de Milan Kundera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas separam-se e traem-se e voltam a juntar-se porque não são permeáveis à mudança.&lt;br /&gt;(Mudança é uma palavra que aqui figura muito. Este registo é um registo de mudanças e alterações ao longo de um ano na minha vida. E não hesito a usar a palavra mudança.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas mudam todos os dias, as pessoas alteram os seus comportamentos a cada segundo que passa, por influência externas ou por motivações internas, facto é que as pessoas mudam. E as relações evoluem com as mudanças, a paixão deixa de ser paixão para ser amor e o amor deixa de ser amor para ser conformismo. Porque as pessoas não cuidam das suas relações, porque mudam e as deixam morrer, não as fazem evoluir.&lt;br /&gt;E no momento em que o amor se transforma em conformismo, a relação é composta por quatro pessoas, duas reais e duas idealizadas. Não acompanhando a mudança do parceiro, cada pessoa idealiza um outro que já não existe, uma pessoa que ficou presa no passado, que não corresponde ao seu real, cuja identidade está deturpada por um amor morto, ideal, parado no tempo. Ou seja, existem duas pessoas reais e dois eus idealizados que não existem. E dá-se a ruptura do amor, porque confrontados com a sua identidade idealizada há quem sucumba ao conformismo e quem se rebele rompa com a sua identidade idealizada, porque estas não coabitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas mudam e não mudam.&lt;br /&gt;O amor nasce e morre, porque as pessoa se aborrecem de si e dos outros, precisam de se reinventar a cada nova relação. Mas no fundo não mudam. As pessoas, hoje em dia, estão podres e mortas, como maçãs demasiado maduras que já caíram ao chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto como se estivesse debaixo de água demasiado tempo. Bebi com avidez o ar que me era oferecido pela superfície. Engoli golfadas de oxigénio até me engasgar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112463346247931456?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112463346247931456/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112463346247931456&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112463346247931456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112463346247931456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/identidade-do-amor.html' title='A identidade do amor'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112448516652604028</id><published>2005-08-19T21:38:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:50.548Z</updated><title type='text'>O primeiro fim e o segundo começo</title><content type='html'>A quarenta e sete quilómetros de casa, fumei o meu último cigarro. Um Camel cravado ao amigo que ia ao meu lado. Já a viagem ia longa e o sol começava a arrefecer, assim como o Verão após o solstício.&lt;br /&gt;Estavam findas mais de sete horas de viagem quando decidi que era altura para deixar de fumar; descobri também que gosto de viajar de carro, longas viagens, apesar de muito cansativas. O acto de deixar de fumar não é isolado, tem mais do que o esquecimento do simples acto de tirar o filtro, a mortalha, algumas gramas de tabaco e enrolar o cigarro. Não é o esquecimento destas acções, que nos últimos anos se tornaram automáticas, que irá mudar algumas coisa. O facto de já ter mudado é que influencia a ausência das acções. Podia continuar a fumar, mas não quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminou a quarenta e sete quilómetros de casa uma fase da minha vida; uma das mais penosas e turbulentas, embora tenha já tido contornos de paz no fim. Faltava ainda o derradeiro golpe, aquele que me faria ver o que era preciso ser visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E visto isto, fumei o último cigarro, esmaguei-o o cinzeiro, uma metáfora inútil no momento em que o fim romanceado e o fim real aconteciam ao mesmo tempo e eram o mesmo tempo e aconteceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E rompidos os primeiros quarenta e sete quilómetros do segundo começo, lavei-me.&lt;br /&gt;Um banho longo para lavar e levar os “blues” para bem longe, porque embora eles já tivessem ido, encontraram agora um local onde podem estar, onde quero que estejam, para os lembrar, para os sentir sempre que necessário.&lt;br /&gt;Mas para não me acompanharem sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112448516652604028?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112448516652604028/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112448516652604028&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112448516652604028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112448516652604028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/o-primeiro-fim-e-o-segundo-comeo.html' title='O primeiro fim e o segundo começo'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112395327642142604</id><published>2005-08-14T03:04:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:50.159Z</updated><title type='text'>Sol de Mel *</title><content type='html'>Descansado e refastelado, observo as beldades que passam por mim na praia, semi-nuas: olham para mim com incontida inveja. Invejam a garrafa de vodka abaixo do rótulo e a palete de valium 10 pela metade. Acho que o meu sorriso é o mesmo há três horas. Mas nem tudo me corre de feição nestas férias, nem tudo foi tão perfeito como esta praia, esta garrafa, esta palete e este corpo. Este corpo que me atura as más disposições e birras: insurgi-me de forma violenta contra um frasco de mel na geleira, para comer na praia. Capitulei a primeira vez porque não era eu quem o ia comer cheio de areia. Desejava até que uma rajada de vento o enchesse de areia. Sem ninguém reparar pus dentro do frasco o dedo. “nada de especial” disse, tinha sido apanhado. E o pior é que o mel era mesmo bom. Capitulei um segunda, terceira e quarta vezes quando enchi a minha colher e a levei à boca sob um olhar sorridente e um sorriso maroto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as coisas não aconteceram assim, há que respeitar uma cronologia, há que ser organizado e metódico e matemático. E acima de tudo, é necessário beber mais uns decilitros de vodka e o comprimido branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Luís já foi a Paris.&lt;br /&gt;Ou melhor, o Luís voltou para debaixo da pedrinha da linha de onde saiu.&lt;br /&gt;Tinha chegado há pouco tempo ao parque de campismo onde tinha decidido passar as férias; apenas o tempo de montar a tenda, esticar os cordéis da roupa, abrir os sacos-cama e umas latas quaisquer para consolar o estômago. Isto na costa vicentina, quase, quase no Algarve. Certo; já estava no Algarve, embora não estivesse deliciado por dizer que estava no Algarve. Para todos os efeitos vou dizer que estive na costa alentejana apesar de estar no Algarve. Na costa alentejana, certo?&lt;br /&gt;Estava na escuridão da minha tenda, partilhando uma lata de atum espanhol, num parque na costa alentejana, quando chega o Luís e a sua prole: uma esposa loira oxigenada deslavada, dois Duartes, Bernardos, Rodrigos, Afonsos, ou o que quer que fosse e um sotaque da linha mesmo à mete-nojo.&lt;br /&gt;A caminho da sua tenda familiar, o Luís embateu na nossa corda da roupa, a qual prontamente arrancou com toda a virilidade,&lt;br /&gt;“Mas que é isto? De quem é isto?”&lt;br /&gt;Timidamente respondemos que era nossa.&lt;br /&gt;“É que eu tenho um metro e noventa e isto ia-me cortando a jugular.”&lt;br /&gt;O nosso silêncio era aborrecido, tinham arrancado a nossa corda da roupa.&lt;br /&gt;“Eu ponho isto mais alto e se quiserem eu estendo-vos a roupa, se chegarem à corda.”&lt;br /&gt;Ficámos parvos, sem responder.&lt;br /&gt;No dia seguinte verifiquei que o Luís tinha o mesmo metro e noventa que eu. E eu meço um metro e oitenta e três. Olhava para mim com ar de desdém. Eu rangia os dentes. Havia testosterona no ar.&lt;br /&gt;No outro dia, bem cedo, levantava acampamento. Entre palavras apressadas e ansiosas percebi que lhe tinham fanado a carteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Sra. TVI.&lt;br /&gt;Na minha primeira manhã, não acordei com o sol que despontava no horizonte porque o céu estava cinzento e porque alguém ouvia, um volume bastante alto, o programa matinal da TVI. Discorriam histórias de graça e desgraça, todas sem graça. Fui descobrindo, ao longo do dia e dos dias que era permanente aquele canal, naquela tenda. Com uma excepção: o programa de comedia da SIC segundas à noite. Ouviam-se risos na tenda. A minha inocente companhia perguntou-me se não era aquele programa com o Marco Aurélio.&lt;br /&gt;“Não. É o Marco Horácio.” Fazendo-me de esperto ainda disse “Marco Aurélio era um jogador do Sporting.”&lt;br /&gt;“Mas antes disso foi um imperador Romano.”&lt;br /&gt;Toma que já almoçaste, Miguel Ceia. Não devias ler tanto o Record. Fim de argumentação.&lt;br /&gt;Passei pela tenda e espirrei. Lá de dentro ouvi “Eu disse-te para não andares à chuva Toninho.” Tonhão, o mancebo tinha quase trinta anos.&lt;br /&gt;Visto que a conversa não era comigo continuei o meu caminho. Mas também tinha andado à chuva; pelo sim, pelo não, apressei o passo até à casa de banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cagões e amigos limitados.&lt;br /&gt;Mas não só de televisores a nossa vizinhança se compunha. Havia um casal. Ele fazia o lume e assava o peixe, ela lia e lavava a loiça. Pacífica era a sua existência. Um dia chegaram os amigos com outra tenda. Armou-se o reboliço. Foi-se a minha paz. Melhor forma de colocar estacas, estado do lume, orientação da tenda, tudo servia para os novos amigos opinarem. Mas não foi isso que me deixou arisco que nem gato. A amiga entra na tenda da que lia e lavava a loiça, e toca de ligar o aspirador e aspirar. E nem assim alguma coisa diziam. &lt;br /&gt;Foi vê-los na cafetaria a beber a sua caipirinha e de conversa suave e amena. Mas na beleza e calidez - frio de casaco, diria a minha doce companhia - dessa noite, nada faria esperar o desfecho do dia seguinte. Um carro avariado, amigos desavindos numa discussão sem importância, cheia de palavras bonitas e salamaleques de cerimónia. Arrumou-se a tenda, arranjou-se o carro e foram-se embora os amigos novos.&lt;br /&gt;Ele continua a fazer o lume a assar o peixe e ela continua a ler e a lavar a loiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tournée alentejana da Britney Spears.&lt;br /&gt;Tinha o sossego voltado à nossa área de acampamento quando algo nos fez voltar a cabeça, a mim, à minha cândida companhia e até à Sra. TVI, que virou a sua cabeça cheia de segundos, terceiros e quartos queixos. Um grupo de ruidosos pré-adolescentes ouvia música e instalava-se em altos berros. As duas coisas, a música e a instalação. &lt;br /&gt;Como qualquer grupo grande, os seus gostos eram muitos e variados. Mas em nenhum dos casos bons. Enumerá-los demonstraria que os conheço e isso seria vergonhoso para mim. Era má música que não conheço. Por ali estiveram, fumaram charros, perderam a virgindade, engataram os rapazes da cafetaria. Enfim, um sem fim de rituais muito próprios da idade. Assim vieram, assim foram passados uns dias. E com eles o despertar com Britney Spears, Bon Jovi ou 50 Cent. Felizmente. Yô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O treinador de bancada ou o Clint Eastwood da praia da Amoreira.&lt;br /&gt;A praia. A doce praia que nos acolhe. A mim, a ela e à vodka e aos comprimidos. Olhámos à volta e a vizinhança parecia boa. (Dou por mim em férias a utilizar demasiado o radical vizinho.) Em breve notámos muitas maquinações até que descortinámos o enredo: ao acompanhar o percurso de uma criança que se queixava ao pai, observámos que esta lutava injustamente contra uma rapariga de oito anos e um manipanço de catorze. Injusto por serem dois e por ele só ter dez anitos. Perto de nós, um rapaz vestido dos pés à cabeça, ténis, calções, camisola, gritava palavras de ordem: “Dá-lhe Marta”, “Força Zé”, “Cuidado”. Era esse da idade do cachopo que sozinho lutava contra a rapariga e o manipanço. Atiravam-no à água e esfregavam-lhe areia molhada nas trombas, puxavam-lhe os calções para baixo, invectivados pelo rapaz que permanecia sentado debaixo do guarda-sol com um olho na bulha e outro no gameboy.&lt;br /&gt;Meti mais um valium no bucho e levantei-me, solidário com os fracos e oprimidos. Dirigi-me ao rapaz que estava sentado, dei-lhe uma latada e enfie-lhe a cabeça na areia: a este acabou-se-lhe o pio. De seguida, agarrei na rapariga de oito anos e atirei-a para o mar alto, ela que puxa-se os calções aos salva-vidas quando a fossem buscar. &lt;br /&gt;Deixei o garoto a lutar com o manipanço e tendo a doce sensação de justiça reposta, voltei à toalha onde o resto da garrafa foi fazer companhia ao solitário comprimido que nadava no meu estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música e eu.&lt;br /&gt;E nesta hora escura e sombria em que largo o ecrã e vejo as horas. Vejo a mala semi-feita, as garrafas arrumadas e os comprimidos alinhados. Volto a viajar. Sozinho, sem a minha Dulcineia ou Julieta, rumo a norte.&lt;br /&gt;Deixo-a com um pé ao peito. Um dedo partido na praia, numa rocha escondida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Por oposição a Lua de Mel ou qualquer astro de Mel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112395327642142604?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112395327642142604/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112395327642142604&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112395327642142604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112395327642142604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/sol-de-mel.html' title='Sol de Mel *'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112315567791692438</id><published>2005-08-04T06:07:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:49.900Z</updated><title type='text'>Bank Holiday</title><content type='html'>Grandma has got new dentures&lt;br /&gt;To eat the crust on pizza&lt;br /&gt;Been taken out by her daughter&lt;br /&gt;Because she thought she ought'a&lt;br /&gt;The kids are eating snickers&lt;br /&gt;Because they're so delicious&lt;br /&gt;Then there's sticky fingers&lt;br /&gt;And mother looses her knickers&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bank holiday comes six times a year&lt;br /&gt;Days of enjoyment to which everyone cheers&lt;br /&gt;Bank holiday comes with a six pack of beer&lt;br /&gt;…Then its back to work A.G.A.I.N.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bar-b-que is cooking&lt;br /&gt;Sausages and chicken&lt;br /&gt;The patio is buzzing&lt;br /&gt;The neighbours they are looking&lt;br /&gt;John is down the fun pub&lt;br /&gt;Drinking lots of lager&lt;br /&gt;Girls and boys are on the same&lt;br /&gt;All the high streets look the same&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bank holiday comes six times a year&lt;br /&gt;Days of enjoyment to which everyone cheers&lt;br /&gt;Bank holiday comes with a six pack of beer&lt;br /&gt;…Then its back to work A.G.A.I.N.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Back to work A.G.A.I.N.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bank holiday comes six times a year&lt;br /&gt;Days of enjoyment to which everyone cheers&lt;br /&gt;Bank holiday comes with a six pack of beer&lt;br /&gt;…Then its back to work A.G.A.I.N.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bank holiday&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blur, “Parklife” (1994)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112315567791692438?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112315567791692438/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112315567791692438&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112315567791692438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112315567791692438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/bank-holiday.html' title='Bank Holiday'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112297490766805354</id><published>2005-08-01T23:51:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:49.642Z</updated><title type='text'>O quebra-nozes quebrado</title><content type='html'>Há dias em que tudo corre mal, acabando depois por correr tudo bem. Felizmente para mim, ou então ficaria a dormir na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha irmã tem a campainha avariada; mas não é a mesma irmã, tenho duas: já foram mais iguais, agora são bem diferentes. Quer dizer, agora que penso nisso sempre foram muito diferentes apesar de serem gémeas. Tem a campainha avariada e não abre a porta a ninguém, porque quando tocam nas outras cinco casas do prédio é a campainha dela que responde.&lt;br /&gt;Tinha lá ido a casa, de chave em punho para conseguir entrar buscar uma mochila, se bem que não interessa muito o que lá eu tinha ido fazer. Apanhei a mochila e fomos aos correios, porque não ia sozinho.&lt;br /&gt;Tirámos a senha e faltavam oito pessoas para sermos nós a expedir o nosso correio. Entra uma senhora com o seu “Mimi”, “Pipi”, “Bóbi”, “Lili”, “Chi xi”, enfim, uma bola branca a que alguns ousam chamar cão. Estávamos entretidos a adivinhar o nome da bicheza quando o nosso número surge no ecrã e nos dirigimos à senhora. Aviámo-nos.&lt;br /&gt;Saímos, a par com a senhora do “Mimi”, “Pipi”, “Bóbi”, “Lili”, “Chi xi”.&lt;br /&gt;Viraram-se para mim&lt;br /&gt;“Lindinho”.&lt;br /&gt;Até pulei, sabendo que a  minha companhia não é muito amiga de usar diminutivos amorosos, tal como eu. De qualquer das formas, ficava o elogio e eu feliz. Mas estranhado&lt;br /&gt;“O quê?”&lt;br /&gt;“Era o nome do cão, Lindinho.”&lt;br /&gt;Afinal não fiquei assim tão feliz, nem tão elogiado. Não é mesmo amiga de diminutivos amorosos, tal como eu. Mas talvez soubesse bem, de vez em quando. Muito de vez em quando; muito mesmo, quase a roçar o raramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos a casa e não tínhamos chave, tendo esta ficado em casa da minha irmã. Vamos lá voltar, mas tenho que lhe ligar. Liguei e tinha o telemóvel desligado. Mau. Chegámos e comecei a tocar. Nada. Toquei com mais insistência. Nada. Continuei a tocar, chegando mesmo a ser malcriado com a campainha. E nada. E o telemóvel que devia tocar não tocava, desligado. Desesperei, inventei mil desculpas para ela não estar em casa, para me não atender. Corremos os sítios próximos onde ela pudesse estar. Nada. Voltámos, quase duas horas depois a casa dela, campainha e telemóvel sem ser atendidos. Toquei à vizinha e pedi que me abrisse. Bati à porta dela com punho cerrado e furioso. Estava no sofá a ver um filme a reclamar com quem quer que fosse que estava a tocar à campainha dela. Mesmo que esse quem quer que fosse, fosse eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente em casa; a entrada foi inundada de mochilas e outras coisas que connosco trazíamos. Eram nove e estávamos nestas voltas desde as sete. Corremos para a cozinha e para o frigorífico; uma cesta de nozes e amêndoas chamou-nos à atenção. À primeira amêndoa, o quebra-nozes quebrou-se.&lt;br /&gt;Acabámos os dois no chão da cozinha a rir à gargalhada.&lt;br /&gt;Quando acabou o festim de gargalhadas só restava uma coisa a fazer. Encaixar o quebra-nozes e deixá-lo lá para o próximo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112297490766805354?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112297490766805354/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112297490766805354&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112297490766805354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112297490766805354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/o-quebra-nozes-quebrado.html' title='O quebra-nozes quebrado'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112297474737021330</id><published>2005-08-01T11:57:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:49.457Z</updated><title type='text'>O diabo saiu à rua</title><content type='html'>Dia bonito, ontem. Dia de sol quente e ar fresco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinham-me sugerido, antes de ir para o FIAR em Palmela, uma ida à praia. Parecia-me muito bem, ver o mar sentir aquele cheiro e o sabor a sal que se entranha nos lábios, na pele. Saí de Lisboa em direcção à aldeia do Meco, para um meio de tarde na companhia das ondas e da mão que procurava a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentados no areal, bem em frente às ondas, com a areia húmida a molhar as calças e o vestido, conversávamos. O vento corria fresco, frio de mais. O que não era mau de todo, muito pelo contrário: ela abraçava-se a mim procurando um pouco de calor, algo reconfortante, uma mescla de segurança e protecção. Estávamos os dois bem conscientes do nosso papel de rapaz e de rapariga; ou de homem e mulher. Pelo menos no que se refere e esse jogo giro da sedução.&lt;br /&gt;E as ondas enviavam-nos o cheiro a mar, a conversa era sussurrada ao ouvido, a praia estava quase vazia. Restávamos nós, a nossa conversa, a brisa fresca do mar, o cheiro das ondas.&lt;br /&gt;O momento estava a ser perfeito, não poderia querer mais da vida do que estar abraçado a quem gosto à beira mar, com as calças cheias de areia, os pés descalços e o vestido um pouco subido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas passavam, dolentes e doces. Também para mim a vida é boa: sorri-me. Acho que até sou simpático, sorrio-lhe de volta.&lt;br /&gt;Levantei-me, o tempo tinha sido traidor. As calças estavam molhadas, o vestido subido também.&lt;br /&gt;Corremos para o carro e para Palmela. Íamo-nos atrasando, filas enormes à nossa frente, filas de biquinis e fatos de banho, toalhas dentro de automóveis. E nós cada vez mais longe no tempo. Chegámos o espectáculo tinha sido atrasado, adiada a última sessão para as nove horas. Afinal “O Natal É Todos Os Dias”. Pelo menos para nós e para o boneco de neve e anjo que representavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei a mão ao bolso e lembrei-me de uma combinação antiga; tinha a chave do carro dos meus pais. Sorri para dentro e esse sorriso deve ter saído para for aporque me perguntaram&lt;br /&gt;“Porque é que te estás a rir?”&lt;br /&gt;“Tenho a chave da carrinha dos meus pais no bolso,” – que como bons pais, assim como eu sou bom irmão, tinham ido ver a representação da minha irmã – “ e se a mudássemos de lugar ia ser uma partida dos diabos, não achas?”&lt;br /&gt;“Não, acho que ia ser uma partida do diabo.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112297474737021330?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112297474737021330/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112297474737021330&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112297474737021330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112297474737021330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/08/o-diabo-saiu-rua.html' title='O diabo saiu à rua'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112266043255600500</id><published>2005-07-29T18:41:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:49.301Z</updated><title type='text'>«Os Pássaros» do Gulbenkian</title><content type='html'>Há um sítio em Portugal em que podemos ser alemães e ninguém repara. Em que podemos levar um piquenique e estar na relva a mordiscar lábios e a mordiscar abrunhos. Em que podemos estar estirados na relva e os pássaros esvoaçam perto de nós.&lt;br /&gt;Os pássaros esvoaçam mas não nos matam, não nos ferem com os seus bicos afiados. Gozam a sua Primavera e o seu Verão perto dos pequenos lagos e riachos que percorrem os jardins da fundação. São uns passarinhos amigos, os do Gulbenkian, não têm nada a ver com os pássaros assassinos do Hitchcock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava deitado na relva, a comer um abrunho, de conversa amena, com a cabeça na sombra e as pernas ao sol; elogiava estes passarinhos tão civilizados e amigos.&lt;br /&gt;Até que um me cagou em cima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112266043255600500?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112266043255600500/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112266043255600500&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112266043255600500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112266043255600500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/os-pssaros-do-gulbenkian.html' title='«Os Pássaros» do Gulbenkian'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112265119392814846</id><published>2005-07-27T19:07:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:48.993Z</updated><title type='text'>Violência da Existência</title><content type='html'>Senti a dor de cabeça a chegar, com a certeza da nuvem que cobriu o sol durante segundos. Ainda me tentei convencer que não duraria muito e que com a mesma rapidez que a nuvem cobriu e descobriu o sol, também o latejar duraria o tempo da nuvem a cobrir o sol.&lt;br /&gt;Mas a nuvem cobriu e descobriu o sol mais um sem fim de vezes ao mesmo tempo que a minha dor de cabeça se mantinha constante, com uma aceleração de 0. Se tivesse acompanhado a nuvem e o sol, seria uma excelente enxaqueca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite ontem não estava fadada para ser perfeita; um cinema romântico, um pulinho a um bar e depois. O cinema até correu bem, estávamos de mãos dadas, o peito subia e descia com exaltação; não das peripécias vividas pela moça que ansiava pelo seu amor, mas sim pela violência com que o Mickey Rourke esmagava a cabeça de um informador contra o macadame com o carro em movimento. E uma continuação de outros fait divers, o Bruce Willis a desfazer uma cara amarela com os punhos – algo a que já nos habituou – excepto a parte colorida, o Elijah Wood a ser comido por um cão após lhe terem sido cerrados as pernas e os braços, uma prostituta feita Uma Thurman com sabres e estrelas da morte em forma de suástica.&lt;br /&gt;Acabou o filme num clima não apropriado ao romance. Chovia, chovia tanto. Bem, a chuva é romântica, ainda podia salvar a noite. Sugeri:&lt;br /&gt;«Então, vamos dar um saltinho aos artistas?»&lt;br /&gt;“Mas está a chover...”&lt;br /&gt;Merda, ir a esse bar implicava mais de dez minutos a pé, garantindo um bom lugar para o carro perto da baixa. Valia pela decoração, pelo jazz, pela Audrey Hepburn com o cigarro e a boquilha, pelo Marlon Brando no «Apocalipse Now», pelo Robert de Niro no «Taxi Driver». Mais os mojitos, as caipirinhas e o jazz.&lt;br /&gt;“Vamos para casa, está a chover.”&lt;br /&gt;Chuva romântica para a puta que a pariu. Dava uma facada no bucho a quem me dissesse isso agora. Porque ir para casa implicava casas diferentes. Anuí cobardemente,&lt;br /&gt;«Está bem.»&lt;br /&gt;Parou o carro perto da minha casa. Ainda ficámos algum tempo dentro do carro a conversar, a misturar lábios, a disciplinar mãos. Na rua as pessoas olhavam para nós com olhares reprovadores, alguns com olhares de conhecimento da situação. Mas como assim poderia ser, se eles eram velhos desdentados? Nem os olhares reprovadores compreendia, quanto mais os outros.&lt;br /&gt;Um carro passou em frente ao nosso estacionamento três vezes.&lt;br /&gt;Será que os moradores da zona do técnico são todos tão conservadores quem nem um casal de namorados se pode despedir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol voltou e desapareceu novamente. Mas a dor de cabeça mantém-se imutável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112265119392814846?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112265119392814846/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112265119392814846&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112265119392814846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112265119392814846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/violncia-da-existncia.html' title='Violência da Existência'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112227521594315342</id><published>2005-07-25T07:45:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:48.762Z</updated><title type='text'>Coisas da escrita</title><content type='html'>Estava ontem, deitado na cama a uma hora cedo; a minha cabeça latejava de dor e as aspirinas da manhã não tinham ajudado nada. Estava a ler uma revista e encontrei uma crónica de um amigo meu que é escritor, Vicêncio Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigo de longa data e de tropelias várias, discorria alguns episódios que passámos juntos quando me lembrei a sua primeira sessão de autógrafos em Lisboa, aquando o lançamento do seu primeiro livro “Escritos do Escroto”.&lt;br /&gt;Estava o meu amigo sentado numa mesa, quando vem um senhor e lhe pede:&lt;br /&gt;- Podia escrever “Para a Rosinda, que é a minha namorada, com muito carinho e um beijinho muito grande de Parabéns, porque ela faz anos amanhã e que quero oferecer-lhe o seu livro.”&lt;br /&gt;Mas o meu amigo era jovem e tinha em si o fel da arrogância literária, ou seja, encarava de forma muito especial ainda o seu processo de criação, qualquer que fosse a escrita: quer fosse criativa o quer fosse uma merda de autógrafo.&lt;br /&gt;- A mim ninguém me diz o que escrever, respondeu com prontidão, eu sou o único responsável pelo meu processo criativo e escrevo aquilo que me apetece.&lt;br /&gt;Por essas alturas o meu amiga usava uma rebelde melena capilar sobre os olhos e puxou-a para trás com um meneio de cabeça, que lhe dava um ar muito teatral, mas muito pouco literário.&lt;br /&gt;O pobre rapaz estava muito atrapalhado e não sabia o que dizer, balbuciava algumas desculpas que não satisfaziam de todo o meu amigo. Até que é salvo por um outro, Álvaro Antão, agente do Vicêncio Vieira, meu amigo.&lt;br /&gt;- Olha, tens que assinar estas coisas, é urgente. Não pode passar de hoje, ouviste.&lt;br /&gt;E o meu amigo, qual carneirinho amestrado, escreveu o nome próprio no sítio onde o agente lhe mandou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz ofereceu o livro por autografar à namorada, o Vicêncio Vieira tem uma crónica semanal e escreve o nome quando lhe mandam e o Álvaro Antão continua a editar livros, mas com menos disposição para madurezas por causa do reumático e da marreca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112227521594315342?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112227521594315342/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112227521594315342&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112227521594315342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112227521594315342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/coisas-da-escrita.html' title='Coisas da escrita'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112223777170659609</id><published>2005-07-24T21:15:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:48.448Z</updated><title type='text'>Um olhar maternal sobre a noite</title><content type='html'>A noite alongou-se quase mais que o dia até roçar as pontas da madrugada.&lt;br /&gt;Para trás deixei uma noite de póquer, de cigarros, de fichas em cima da mesa e de bebida. Mas sem o pano verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha manhã começou pouco depois da madrugada ter terminado. Ouvia passos pela casa que me indicavam que duas pessoas estavam já acordadas; passos leves, de mulher.&lt;br /&gt;Saí da cama, devagar. Os olhos estavam um pouco colados, assim como tudo o resto que funcionava apenas com o mínimo necessário. Cheguei à cozinha, procurei o material que necessitava. Dei início ao processo: tudo muito metódico e calculado, como estas operações devem ser.&lt;br /&gt;Em pouco tempo os passos que ouvia na cama chegavam-se a mim.&lt;br /&gt;“Ai filho, que cara essa. Ontem devem ter ficado todos bonitos. Ai, vocês não têm juízo nenhum.”&lt;br /&gt;“E aspirinas, onde estão?”&lt;br /&gt;“Estão ali” - disse-me apontando uma pequena cesta - “Mas vê lá se estás maldisposto.”&lt;br /&gt;“Não, está tudo bem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Girou sobre os calcanhares e saiu da cozinha borboleteando com a sua habitual boa disposição matinal; fiquei de novo só, com a minha operação a meio e duas aspirinas no estômago a lutar com os restos da noite.&lt;br /&gt;Estava quase finda a operação quando a minha mãe volta entrar na cozinha. Olhou para a minha cara e riu-se. Aproximou-se e deu-me um beijo na cara.&lt;br /&gt;“Devias ter mais cuidado com o teu fígado.”&lt;br /&gt;Olha a porra, pensei, tu que te encharcas em aspirinas e afins falas do meu fígado. E a tua futura úlcera aspirínica? Mas fiquei calado. Voltou à carga, olhando a minha caneca:&lt;br /&gt;“Hum, é café fresco?”&lt;br /&gt;“Não” - respondo já farto das tentativas de conversa - “está a ferver porque tive que utilizar água quente.”&lt;br /&gt;“Parvo” - disse-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda levei uma palmada no rabo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112223777170659609?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112223777170659609/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112223777170659609&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112223777170659609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112223777170659609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/um-olhar-maternal-sobre-noite.html' title='Um olhar maternal sobre a noite'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112212776279595337</id><published>2005-07-23T14:38:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:48.206Z</updated><title type='text'>Multiculturalidade Ibérica</title><content type='html'>Tentando não sucumbir à rotina modorrenta alentejana, tento alimentar a minha vida de pequenos episódios que me fazem não perder o tino, ou pelo menos o sentido da vida.&lt;br /&gt;Afogava as minhas mágoas da distancia germânica em cerveja portuguesa; infelizmente ainda não tenho dinheiro para comprar vodka nem um médico amigo que me receite valium 10 para conseguir sobreviver, ou pelo menos entorpecer-me o suficiente para me não lembrar de nada.&lt;br /&gt;E estava nos aniversário de um amigo.&lt;br /&gt;E estava sentado numas escadas, na entrada de um bar, com alguns amigos. Maldita província e falta de dinheiro. Nem mulheres bonitas nem vodka. Apenas a morte lenta da cerveja com alguns momentos de verticalidade devido ao efeito diurético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entram, de rompante, mulheres. Mulheres gordas, mulheres magras, mulheres feias, mulheres bonitas, mulheres maduras, mulheres verdes, mulheres crianças, mulheres velhas, entram mulheres, muitas mulheres de rompante, mulheres espanholas.&lt;br /&gt;Todas as pessoas do sexo masculino com que me encontrava debutaram diversos comentários. Reconheço que os decotes e as calças brancas possam ser apelativos, a pele acobreada pode dar vontade de tocar. Um sem número de mais valias femininas. Os comentários às mulheres eram de índole diversa; optei por ficar calado, não sou um virtuoso e eloquente participante dessas rodas.&lt;br /&gt;Afastaram-se de nós percebendo o teor brejeiro e popular dos comentários&lt;br /&gt;Continuei calado. Distraído com o cigarro que estava a enrolar, senti no braço um toque muito suave, quase angelical, etéreo. Olhava para mim com uns grandes olhos, um sorriso, cabelos pretos e pele pigmentada de sol e sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhei um obrigado mas perdi duas mortalhas e nem sequer fui convidado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112212776279595337?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112212776279595337/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112212776279595337&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112212776279595337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112212776279595337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/multiculturalidade-ibrica.html' title='Multiculturalidade Ibérica'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112162316754405600</id><published>2005-07-21T20:06:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:47.778Z</updated><title type='text'>Histórias e Memórias: Berlim-Londres-Porto-Lisboa-Portalegre</title><content type='html'>Berlim.&lt;br /&gt;Em Berlim mal houve tempo para despedidas. Também não gosto muito de as fazer; não houve choros nem lenços brancos. Apenas o Çarik com pena de não ganhar mais dinheiro à nossa custa, os velhotes do Café da Córsega que já não olham para nós carregados de sacos de compras do mercado, a menina da padaria que não mais me vai sorrir ou piscar o olho. A mulher mais gorda do mundo teve um princípio de AVC e decidiu-se a pôr a banda gástrica que os filhos e os genros há muito insistiam que pusesse; o Lucas e o Isauro estão felizes, creio que vão para a Holanda tentar adoptar um filho: arrufos são normais em qualquer casal, hetero ou homo.&lt;br /&gt;Saí de Berlim com a alma lavada e os braços cheios de dores, sob o peso cardado de duas malas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Londres.&lt;br /&gt;Sete horas e dez minutos. Ouvem-se roncos por todos os cantos e pedaços de chão livre; sempre é mais animado que Colónia há três meses atrás, em que se trocaram as cadeiras do aeroporto por um Íbis à mão de semear por mais uns quantos euros. Desde criança ouvi dizer “em Londres sê londrino” e eis que o sou. Vesti o casaco do fato, pousei a mala cheia de fita adesiva para não rebentar com o excesso de volume e carreguei no play do leitor portátil de música para ouvir um álbum de edição única japonesa dos Blur, comprado numa feira da ladra, versão berlinense: “em Londres sê londrino”.&lt;br /&gt;Um ronco especialmente sonoro e o olhar desconfiado de dois senhores munidos de munições nas suas metralhadoras a tiracolo.&lt;br /&gt;Decidi-me pelo cappuccino mais caro da minha vida onde esbarrei com dois portugueses: felizmente iniciei a conversa em inglês, tal é a minha lusofobia.&lt;br /&gt;À minha frente uma moça inglesa bebe chá e observa, pelo rabo do olho, o meu bater de pé ao ritmo da música que não ouve, a minha frenética escrita enquanto enrola um cigarro. E ainda a família inglesa: a avó ensina os lavores à neta através de uma revista adquirida à cinco minutos atrás com a intenção de pelo natal próximo oferecer toalhões bordados a todos os membros da família; o filho lê avidamente o último livro do Harry Potter, vendido no aeroporto por 11.99 libras, feitas as contas 16.79 euros; o pai cabeceia para cima do copo de chá em cima da mesa; a mãe comenta, com uma amiga, via mensagem de texto do telemóvel, os novos escândalos da família real que também tive oportunidade de ler nas letras grandes do Sun e do Daily Mirror.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Faço check-in daqui a uma hora e meia. O meu cappuccino caro e gelado já está acabado e a última golada foi tudo menos gelada. Desinteressei-me da rapariga que me olhava pelo rabo do olho quando reparei nos pés visíveis pelas sandálias que usa. Há muito que não vêem uma lavagem, ao que parece.&lt;br /&gt;Em cima da minha mesa: um maço amarrotado, um cinzeiro com as beatas dos meus três últimos cigarros, uma caixa de fósforos, o telemóvel, um isqueiro, 68 pence, o marcador do bloco de notas, o leitor de música, uma garrafa de água pela metade, o copo do cappuccino vazio. Um bloco de notas e uma mão bastante frenética que segura uma caneta que escreve a preto e vermelho e ai da tem lapiseira.&lt;br /&gt;Duas crianças, a uma distancia de seis metros, com quatro e seis anos, abraçam a mãe com verdadeiro amor edipiano. Gosto mesmo de longas esperas em aeroportos, da familiaridade casual das pessoas que esperam e roncam espalhadas pelo chão e pelos cantos. Gostava mais se a minha companhia não fosse eu próprio.&lt;br /&gt;Abro a mochila, tiro o outro tabaco e enrolo um cigarro. Para acompanhar com o meio litro de água que me resta e com a sanduíche que esperava que durasse até Portugal.&lt;br /&gt;Toca aos meus ouvidos: “Wrestling with words at last.” Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto.&lt;br /&gt;Fechei os olhos para não reconhecer que estava em Portugal. Fiz mal; porque quando tive que os abrir reparei numa inglesa que trazia uma mini saia muito mini e que tinha andado na fila sempre à minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa.&lt;br /&gt;Um dia mais tarde, hoje mesmo de manhã, ia com uma das minhas irmãs no metro. Aparece no fundo da carruagem um acordeonista  a tocar e a pedir. Cheguei a mão ao bolso das calças e senti a carteira; queria dar-lhe algum dinheiro e lembrei-me que era pobre. Olhei a carteira e pensei: “não tenho dinheiro para mandar cantar o ceguinho, quanto mais para mandar cantar um que vê. Ora esta.”&lt;br /&gt;Gastei o dinheiro num álbum da Nina Simone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portalegre.&lt;br /&gt;Supostamente casa. Mas já não o é. Deixou de o ser.&lt;br /&gt;Lamento. Ou não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112162316754405600?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112162316754405600/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112162316754405600&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112162316754405600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112162316754405600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/histrias-e-memrias-berlim-londres.html' title='Histórias e Memórias: Berlim-Londres-Porto-Lisboa-Portalegre'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112162308313039210</id><published>2005-07-17T19:07:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:47.507Z</updated><title type='text'>O Pão Nosso de cada Dia e as últimas histórias de Berlim</title><content type='html'>Todos os dias o nosso pão é comido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As desventuras berlinenses continuam, lamentavelmente quase no fim. Já a cidade tem, nesta luz dourada e crepuscular um cheiro a saudades. Passei pelo Café da Córsega e olhei os velhotes. Tão cedo não os vejo, assim como o nosso amigo Çarik:&lt;br /&gt;o Çarik vendia-nos a nossa DDR de pistachos, cajus e pevides. Aquilo que nós necessitávamos quando parávamos nos parques onde víamos tantos outros Lucas e Isauros, assim como Helgas e Evas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo tem esta toada delicodoce.&lt;br /&gt;Um dia em Leipzig. Cidade muito bonita e tudo mais. Foi o meu primeiro piquenique na Alemanha apesar de muitas vezes ter estado em parques. Assámos salsichas, pimentos, beringela, cogumelos. Mas o lume apagou-se; e agora? Agora espera-se que acabe de chover porque as nuvens parecem passageiras. Fomos ficando e ficando. E toca de correr para o comboio. A porta fechou-se à nossa frente; pedimos por tudo à senhora que no-la abrisse. Não, num alemão simples e eficaz, com aceno a condizer, disse-nos que não. Implorámos em inglês e em arranhos de alemão. O comboio arrancou e ainda tive tempo de dizer, em português «Vai à merda!»&lt;br /&gt;Depois não há muito mais para contar. Ficámos na cidade e embebedei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As nossas visitas gostaram da casa; fomos ver a escola de Belas Artes, de Design e de Multimédia, em três exposições que duraram o dia.&lt;br /&gt;E ainda fomos sair à noite, nada de tropelias. Num bar, grande, calmo, para pessoas grandes ou calmas&lt;br /&gt;Tantos casais iguais: homens com homens e mulheres com mulheres. Fiz questão de juntar os meus lábios aos da Susana de dois em dois minutos. Só para ter a certeza. Ainda por cima estava a fumar Camel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitados, corpos cansados e bem aninhados.&lt;br /&gt;«Sabes, fui pôr Nouvelle Vague para ouvirmos bem baixinho antes de dormir. Mas para não incomodar ninguém pus tão baixinho que nem oiço.»&lt;br /&gt;Risos.&lt;br /&gt;“Oh, pensava que não estava a tocar nada e desliguei o amplificador.”&lt;br /&gt;Gargalhadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112162308313039210?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112162308313039210/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112162308313039210&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112162308313039210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112162308313039210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/o-po-nosso-de-cada-dia-e-as-ltimas.html' title='O Pão Nosso de cada Dia e as últimas histórias de Berlim'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112141904029159131</id><published>2005-07-15T11:14:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:47.332Z</updated><title type='text'>Erdinger Weissbrau</title><content type='html'>Leipzig&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/erdinger.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com" /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente bebi as minhas cervejas alemãs. Misturadas com vinho tinto e vinho branco. Cerveja de trigo e muito forte.&lt;br /&gt;Devias ter juízo Miguel Ceia.&lt;br /&gt;É bem feita a dor de cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112141904029159131?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112141904029159131/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112141904029159131&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112141904029159131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112141904029159131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/erdinger-weissbrau.html' title='Erdinger Weissbrau'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112141895464953186</id><published>2005-07-14T10:56:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:47.018Z</updated><title type='text'>O café da Córsega e mais histórias de Berlim</title><content type='html'>Todos os dias passo por um café. O café chama-se Oyzeri To Steki Cafe. Duas vezes por dia. Quando voltamos para casa, por volta das oito, nove horas, há sempre um grupo de senhores turcos que se junta à porta, numa espécie de esplanada a conversar sobre o tempo, sobre os véus que as mulheres usam. «Epá, o véu daquela dá cabo de mim, rasgava-o todo com os dentes». Obviamente que não passam de desejos; porque eles são velhos e já não são atraentes as e porque eles já não têm dentes. Tenho tentado reconhecê-los, dia após dia. Difícil, nem sequer o bigode consigo decorar. Mas há um que desde o primeiro dia o reconheço e que nos rosna, olhando de soslaio. O cão que guarda o café da Córsega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui a um parque. Estávamos os dois de conversa muito românticos, beijinho aqui, beijinho ali. Nada que não se estivesse a passar à nossa volta. Eis se não quando, à nossa frente, algum rebuliço.&lt;br /&gt;Um casal de homossexuais acabava de dar início a um arrufo de namorados. Eram eles o Lucas e o Isauro. Um fez menção de se levantar e ir embora, o outro puxou-o pelo braço, uma cena digna da mais romântica telenovela mexicana. Voltou a sentar-se. Ficaram calados, a contemplar o céu, a ponderar aquilo que os unia. Sempre sem se olharem, Lucas e Isauro. Chegou um terceiro elemento, que voltou a juntar o casal desavindo.&lt;br /&gt;Naturalmente não estava muito interessado, preferia os beijinhos que me estavam a dar.&lt;br /&gt;Não os vi sair, mas tenho a certeza que passaram um fim de tarde fantástico, assim como o início da noite. Os três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que a culinária portuguesa e italiana têm a ver com um cozinheiro indiano e um mercado turco? Nada. Aparentemente.&lt;br /&gt;Depois de voltar do parque fui para casa. Comer, que era muita a fome. Ela ficou com o pesto e eu com o gaspacho. Não vivermos sozinhos, partilhamos a casa com mais três galifões alemães. Simpáticos. Ora, um após outro, foram-se sentando e perguntando o que era aquilo que estávamos a culinar . Depois da primeira pergunta, a outra. Podemos provar? Claro que sim, quem somos nós para recusar alimento a uns pobres que só comem coisas de lata. Estava bom; por boa educação não repetiram.&lt;br /&gt;Até à estocada final. Entra uma amiga de um deles com duas cervejas. Perguntou logo quem tinha culinado, conhecendo bem os cantos à casa. Provou, gostou e comeu. Até ao fim.&lt;br /&gt;O Woody Allen ia ter inveja da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112141895464953186?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112141895464953186/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112141895464953186&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112141895464953186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112141895464953186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/o-caf-da-crsega-e-mais-histrias-de.html' title='O café da Córsega e mais histórias de Berlim'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112119334898062522</id><published>2005-07-12T20:18:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:46.727Z</updated><title type='text'>A mulher mais gorda do mundo e outras histórias de Berlim</title><content type='html'>Ontem fui ao pão. Estou a tornar-me uma pessoa muito saudável e bem disposta; realmente o género de pessoas a quem a vida lhes sorri e nós sorrimos de volta, naturalmente. Fui ao pão e não vi nada. Mau, pensei, quem é que deixou o elefante na padaria? Afinal o paquiderme que se afiançava aos pães era uma mulher, a mulher mais gorda do mundo.&lt;br /&gt;Toda ela se agitava em gordura, em roscas de gordura destilada e transparente. Continuar a descrever seria ofensivo. Pedia mais um pão, um bolo, uma bola de Berlim – ou não estivéssemos em Berlim – qualquer coisa para o cão. Enfim, deixou lá dez euros. E com as suas roscas a abanicar saiu da loja, a muito custo, com a respiração asmática devido à gordura que lhe oprime os pulmões.&lt;br /&gt;E aí tudo se resolveu. Dei um passo em frente, pedi o que queria em inglês. E no final ganhei um sorriso e um piscadela de olho. Ainda bem que a mulher mais gorda do mundo estava lá para eu depois poder ganhar umas polidelas de ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias antes; andava a fazer o reconhecimento da zona onde estava sitiado. Passei por um barbeiro turco. E o que é que o barbeiro turco tem diferente dos outros barbeiros? Aparentemente nada, mas tem. Faz o corte de cabelo turco especial, aquele que mais nenhum povo europeu u asiático consegue fazer. O corte de cabelo turco segue parâmetros muito exactos e há o corte de cabelo turco para o papá para os filhotes e até para a mamã, embora este último não se veja devido ao véu que lhe cobre a cabeça. Querem saber como é? Vejam os jogos da Liga dos Campeões que envolvam equipas turcas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi, há duas noites atrás, a polícia a repreender veementemente alguns jovens turcos que se envolviam em desacatos com outros habitantes do bairro. Começou por ser apenas um grupo de quatro adolescentes e um adulto para acabar por ser os quatro adolescentes, dois adultos e uma valente matrona – não, não era a mulher mais gorda do mundo – a reclamar com a polícia. Tudo por causa do hip-hop turco intervencionista contra os malandros dos alemães que os tratam mal e até os deixam viver nas suas cidades. Conversa de reaccionário? Ná, era o que o hip-hop dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior; a pior história de todas. Estava eu num parque, bandulho cheio e refastelado quando me dei pelo terrível facto: estou na Alemanha há quase duas semanas e ainda não bebi uma cerveja.&lt;br /&gt;Devias ter vergonha Miguel Ceia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112119334898062522?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112119334898062522/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112119334898062522&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112119334898062522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112119334898062522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/mulher-mais-gorda-do-mundo-e-outras.html' title='A mulher mais gorda do mundo e outras histórias de Berlim'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112103709309624767</id><published>2005-07-11T00:52:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:46.585Z</updated><title type='text'>Chuva Seca de Berlim</title><content type='html'>Dias de descanso, estes primeiros. Muitas horas longas a recuperar o sono, a devolver o descanso ao corpo. Sabia bem olhar para a rua, ver os pingos grossos de chuva, os pingos que também caíam dos olhos assim que estes viam muita luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou a chuva e os dias na cama. Sei que são duas semanas, mas também é desperdício. Estou numa casa com tectos muitos altos, no meio de muita gente turca; não é mau, vivo de falafel e pistachos.&lt;br /&gt;Ainda não me atirei aos turismo citadino, vi apenas um memorial do holocausto dedicado ao judeus. Suprema injustiça, não terão outros grupos minoritários sido também chacinados com igual violência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Corri uma rua que me interessou bastante, a Kastanienallee; um local onde a cidade pula de vida, onde se pode realmente ver como é Berlim. Conhecem-se as cidades não só pelos monumentos que agregam, mas também pelo estilo de vida que as pessoas levam ou pelos hábitos que nós desenvolvemos quando com elas contactamos. Estive deitado num parque – óptimo hábito, este, que desenvolvo sempre que venho À Alemanha – e simplesmente estive. Vi as pessoas, vi-me a mim próprio pela objectiva de uma máquina fotográfica digital.&lt;br /&gt;Gosto da parte leste. Desci a Karl Marx Allee para depois a subir de metro. Lembrei-me do filme «Goodbye Lenin!» e calculei que vivessem num daqueles prédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui proibido de tirar fotografias num cinema fantástico, «Kino Internacional», tinha uma espécie de carisma bondesca com laivos de «Radio Days» do Woody Allen.&lt;br /&gt;Descobrimos alguns cinemas em que se vêem filmes no original: em dois dias «Garden State» e «Bonnie &amp; Clyde».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempo para aquelas saudades e para os amigos que enviam MMS, que fazem com que o coração fique bem apertadinho.&lt;br /&gt;Na aparelhagem toca Nouvelle Vague. E o coração aperta mais um pouco. Atrás de mim uns braços enlaçam-me a cintura e uns lábios roçam-me o pescoço.&lt;br /&gt;Até amanhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112103709309624767?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112103709309624767/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112103709309624767&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112103709309624767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112103709309624767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/chuva-seca-de-berlim.html' title='Chuva Seca de Berlim'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112064652192977239</id><published>2005-07-06T11:27:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:46.396Z</updated><title type='text'>Hauptbahnhof</title><content type='html'>Cheguei ontem e já estou de partida; olho para as malas a medo, parece que a qualquer momento há uma revolução e as roupas saem lá de dentro, organizadas em fileiras de exército, flanqueando o meu movimento de fuga. Marcham e cantam:&lt;br /&gt;“Vamos esmagar-te porque nos esmagaste/Vamos esmagar-te porque nos esmagaste” numa cadência militar sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De estação de comboio em estação de comboio. Destino: Berlim.&lt;br /&gt;Sinto já nos meus braços a sensação esmagadora das malas que pesam, mas que trazem lá dentro a inebriante sensação de descanso, aquela dos parques, de há três dias atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo sentir já nos meus ouvido, a dolente cadência das rodas do comboio a passar no encaixe dos carris. Aquela sensual sonolência que nos leva a mente a despertar, a dormir.&lt;br /&gt;Partilho o banco do comboio com os olhos verdes que velaram o meu sono; estão eles fechados agora, velo eu pelo seu sono.&lt;br /&gt;A cabeça encosta-se ao meu ombro.&lt;br /&gt;Com um pequeno toque de lábios digo: «Chegámos.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112064652192977239?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112064652192977239/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112064652192977239&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112064652192977239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112064652192977239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/hauptbahnhof.html' title='Hauptbahnhof'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112056733984572365</id><published>2005-07-05T14:29:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:45.838Z</updated><title type='text'>Melancia Esquizofrénica</title><content type='html'>Nunca tinha eu visto uma melancia amarela, tão pouco provado. Tem um nome bastante sugestivo, melancia de mel: parece que o próprio nome escorrega pela língua. Dá vontade de provar e é mesmo muito, muito boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00047.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto foi só um pequeno abrir de apetite porque a parte boa veio depois: uma sandoca de maçã, queijo de cabra, alface roxa, mel e sementes de sésamo. O pão nem sei bem como o descrever, é qualquer coisa de muito especial. Consegue encostar a um cantinho o meu pão alentejano e eu nestas coisas até sou muito bairrista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00048.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provem quando tiverem oportunidade, acreditem que não se vão arrepender. Nada, nada mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112056733984572365?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112056733984572365/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112056733984572365&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112056733984572365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112056733984572365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/melancia-esquizofrnica.html' title='Melancia Esquizofrénica'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112049993748643340</id><published>2005-07-04T19:50:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:45.584Z</updated><title type='text'>Notas de música, muitas</title><content type='html'>Neste momento chove e troveja; não posso sair de onde estou.&lt;br /&gt;Ouço Portishead ao vivo no Festival do Sudoeste, Agosto de 1998.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lavagens de alma continuam...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112049993748643340?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112049993748643340/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112049993748643340&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112049993748643340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112049993748643340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/notas-de-msica-muitas.html' title='Notas de música, muitas'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112049852088689534</id><published>2005-07-04T17:15:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:45.274Z</updated><title type='text'>Sete Notas Soltas</title><content type='html'>Revejo-me aqui à três meses atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subo, com um escadote, para um pedestal límbico. Sou agora deus-omnipotente-omnipresente; olho para mim com menos três meses, olho para mim agora. Não deixo de esboçar um benévolo sorriso, como bom deus que sou. Mudei muito, mas tê-lo-ei notado? Não, longe disso. Fizeram-mo notar? Também não; mentira, talvez um pouco, de há três semanas para cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas mudam, eu quero acreditar que sim. Tenho pensado muito nisto. A mudança que se processa no dia a dia não é notada, porque é mínima, quase irrisória. Nota-se em grandes espaços de tempo. Sou deus, olho para a frente e para trás, faço analepses e prolepses e tudo sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para trás, dois, três, quatro meses, verão que todos mudámos. Uns mais rapidamente porque acharam que era altura de mudar, outros sucumbem à inércia do conforto ilusório, aquele que nos adia o futuro. Custa-me ver pessoas sucumbirem dessa forma, a deixarem-se perecer; custa-me porque são pessoas de quem muito gosto e sabendo que eu próprio estive já sob o poder dessa inércia, sei o que dela custa libertarmo-nos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou com a perspectiva de duas semanas em Berlim; já vi uma exposição muito boa (&lt;a href="http://www.pier-der-wissenschaft.de/"&gt;www.pier-der-wissenschaft.de&lt;/a&gt;) e espero continuar a encher-me de cultura até transbordar. Porque, para quem como eu, vive em Portugal, às vezes são preciosas estas lavagens de alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei e vi os mais lindos olhos a velar pelo meu sono, olhos verdes e profundos. Domingos não são dias para passar em casa; gosto de passear de chinelos e calças de ganga rotas, gosto de passear e sentir a mão que segura a minha, gosto de me deitar na relva e sentir que usaram a minha barriga como almofada (suponho que seja confortável – lá fofinha é).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera-me um jantar de sushi e sopa miso. Não é só uma lavagem de alma, é também de paladar.&lt;br /&gt;(E agora, em crescendo, o final de guitarra do “I Want Wind to Blow” dos The Microphones).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112049852088689534?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112049852088689534/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112049852088689534&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112049852088689534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112049852088689534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/sete-notas-soltas.html' title='Sete Notas Soltas'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112048738608565361</id><published>2005-07-01T03:31:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:45.084Z</updated><title type='text'>Socialmente Inadaptado</title><content type='html'>Desde crianço que me dizem que sou muito sociável e simpático. Era, sou; nem sei bem que tempo verbal hei-de usar.&lt;br /&gt;Dou por mim a pensar até que ponto serei/seria eu simpático, ou que os meus sorrisos eram de genuína simpatia. Não que não goste de pessoas, até gosto de conviver, mas sou mais solitário que social. As origens do meu carácter mais solitário derivam de questões familiares, não que estas sejam de importante monta ou que eu seja perturbado – embora às vezes... – simplesmente foi assim. E o que nunca ninguém se dignou a reparar foi que eu sorria por timidez, não por charme. Ao invés de fechar o semblante, sorria. E assim ganhei a fama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho dificuldade em iniciar uma conversa, há pessoas com as quais tenho uma inabilidade enorme de conversar. Enorme não, total.&lt;br /&gt;Isso acontece nas mais diferentes ocasiões. Complexo ou não, mania da perseguição ou não, teoria da conspiração ou não, a verdade é que em grandes situações de socialização sinto sempre que estou um pouco de lado, sinto sempre que não sou capaz de me sentir integrado. Não que isso tenha grande influência na minha vida social, até já me disseram que sou boa companhia. Eu é que me sinto assim.&lt;br /&gt;Sinto é que a minha vida passa por mim eu não me dou bem conta, uma estranha sensação que me liberta de uma inércia de dez anos em que não fui feliz e que me diz que só agora comecei a viver.&lt;br /&gt;Pena é ter perdido dez anos em coisas que quase não lembro e que podiam ter sido aproveitados em coisas boas. Pena é eu ter deixado as coisas chegar a um ponto em que quase, quase bati no fundo; senti o dedo grande do pé a roçar a lama e lodo do fundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112048738608565361?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112048738608565361/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112048738608565361&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112048738608565361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112048738608565361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/07/socialmente-inadaptado.html' title='Socialmente Inadaptado'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112057214512166080</id><published>2005-06-29T10:38:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:46.110Z</updated><title type='text'>Perigo de Explosão</title><content type='html'>O meu voo é daqui a alguns minutos. Voar de avião nunca foi das coisas que mais gostei de fazer; gosto da descolagem, do impulso que nos encosta à cadeira, com a força das turbinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava perto da porta de embarque, divagando teorias da conspiração. Olhei, porta de embarque, C7. Será algum parente ainda mais violento do explosivo C4? É de certeza um sinal da minha morte próxima, o desvio que o avião fará até Beirute e onde explodirá e o atentado será reivindicado por algum grupo extremista que luta por uma qualquer causa que a eles lhes parece justa e a outros não e depois far-se-ão imensas manifestações porque morreram cidadãos europeus inocentes que em nada podiam contribuir para beneficiar a sua causa só mesmo para a prejudicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, que eu saiba, o C7 não é mais poderoso que o C4 e nem sequer é explosivo. Vou chegar bem, cansado da viagem e sem nenhuma peripécia para contar, porque desta vez o voo é directo e não devo perder as malas.&lt;br /&gt;Mas se não as perder, o que é que me acontecerá então?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112057214512166080?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112057214512166080/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112057214512166080&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112057214512166080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112057214512166080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/perigo-de-exploso.html' title='Perigo de Explosão'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-112047058735526224</id><published>2005-06-28T20:21:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:44.858Z</updated><title type='text'>O Algarve está podre e tresanda</title><content type='html'>Comecei as minhas férias de Verão com um passeio de quase-seis-horas ao longo do Alentejo até ao Algarve dentro de um autocarro da rede de expressos. Até estava algo feliz pela viagem, apesar de saber que passadas as primeiras duas horas já me estaria a revolver no banco e a queixar-me do espaço que não tinha para pôr as pernas. O tempo até estava ameno, a música foi bem escolhida – uma compilação de 1995 «Sharks Patrol These Waters, The Best Of Volume».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É facilmente reconhecível o momento em que se chega ao Algarve. Vêem-se muitas pessoas loiras e muitas peles acobreadas, de solário e de praia. Mas o percurso do autocarro é perverso e recomendo-o porque se aprende muita coisa.&lt;br /&gt;Divide-se me duas partes o meu Algarve; a fronteira, essa divisão entre a ostentação e a podridão estão na Nacional 125. Da fronteira para Norte está tudo podre, entregue ao abandono e deus-dará.&lt;br /&gt;Vi aquilo que em tempos foi um parque aquático, ou seja, um grande lago de cimento que as ervas começavam a cobrir. Descobri que era um parque aquático porque na berma da estrada se encontravam as tubagens onde as pessoas em tempo escorregavam com prazer, onde faziam pequenas feridas nas vértebras por passarem nos encaixes dos mesmo tubos.&lt;br /&gt;Vi cafés, muitos cafés, colados, geminados, gémeos. E as pessoas têm um olhar tão vago, tão desencantado e triste. E não se atrevem a passar essa fronteira, porque do outro lado não têm lugar. Um pouco quase como o «Admirável Mundo Novo» em que o personagem principal vai a um “jardim zoológico” ver como os humanos procriam naturalmente, com sexo e fluídos. Assim vivem os habitantes do lado Norte algarvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os do lado Sul, o mar é o limite, têm barcos. E a pele acobreada de tardes de solário, e camarão e cabelos loiros e festas e jogadores de futebol.&lt;br /&gt;Um dia faz-se a revolução, porque os olhares desencantados e esgazeados pelo álcool e drogas baratas já têm lampejos de ódio e raiva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-112047058735526224?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/112047058735526224/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=112047058735526224&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112047058735526224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/112047058735526224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/o-algarve-est-podre-e-tresanda.html' title='O Algarve está podre e tresanda'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111995132779195753</id><published>2005-06-28T10:10:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:44.627Z</updated><title type='text'>Há títulos que não sabemos dar...</title><content type='html'>Lembro-me de mim sentado numa mesa a conversar e a fumar. Não exactamente a fumar, mas a enrolar um cigarro. Vi a minha noite a passar como se dela não tivesse feito parte, quase como um filme que gosto de ver e vejo repetidas vezes. Não pela conversa que estava a ter, não pela música, mas pelo ambiente, pelo amigo que comigo estava. Só que desta vez não foram só dois dedos de conversa e uma mão de amizade. Os dedos perdi-lhes a conta e a mão transformou-se em abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para despedida soube bem a noite cálida da qual agora acordei. A conversa não muito interessa, interessa a intensidade do olhar, uma fracção de segundo a dizer: "Sabes que podes contar comigo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para despedida não há melhor; quando entrei no carro estava a dar um programa de heavy metal. Desliguei e fui no silêncio. Mas quase jurava que perto de casa ouvi o Camané: "Adeus que me vou embora/Adeus que me vou embora..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111995132779195753?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111995132779195753/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111995132779195753&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111995132779195753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111995132779195753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/h-ttulos-que-no-sabemos-dar.html' title='Há títulos que não sabemos dar...'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111989608380393727</id><published>2005-06-27T18:40:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:44.382Z</updated><title type='text'>Cerejas do Fundão</title><content type='html'>Ontem ao almoço comi cerejas do Fundão. E frango assado com batatas a murro. Mas não foi isso que me deixou com a sabor a saudades. Foram as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fwb 48h e 40m.&lt;br /&gt;Cheguei à Beira com medo do que me esperava. Quatro anos sem ir visitar amigos é feio e dá direito a um calduço bem dado, daqueles com força. Há muito que não me atirava à estrada, de carro ou autocarro, para ir estar com os amigos. A chegada: falar com as pessoas, umas que logo te reconhecem, outras que não e o comentário que mais ouvi durante a noite: "Estás feito um homenzinho, até já tens barba." Sorria porque me sabia bem sorrir aos beirões que são pessoas de quem gosto. Mas caramba malta, tenham tino, não sou muito mais novo que vocês, a minha barba é que foi semeada em dia de vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui às compras, fui deixar as compras, encontrei mais pessoas conhecidas. Não é que as pessoas não estavam esquecidas de mim? Eu não as tinha esquecido, algumas fui vendo aqui e ali, outras não me lembrava da cara, mas assim que as vi reconheci-as. Nomes é que é mais complicado. Fez-se o jantar, pôs-se a mesa, bebeu-se sangria, cantou-se, dançou-se. Podiam ter ficado as imagens em câmara lenta, ao som de The Concretes. Foi perfeita, a noite.&lt;br /&gt;Conversei tanto, soube-me tão bem conversar. Fiquei longe de tudo isto durante quatro anos; foram quatro anos em que as coisas foram estranhas, em que não fui feliz, em que me escondi atrás de muitas coisas.&lt;br /&gt;Um dia resolvi espreitar do meu esconderijo, olhei à volta e saí. havia um espelho à saída: não gostei do que vi. E por isso mudei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui à discoteca, sai de lá de dia; fui à santa, saí de lá para ir comer pão à Flor do Fundão. (Obrigado pelo croissant da tarde, Isabéis).&lt;br /&gt;A manhã há muito tinha começado quando dormi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei, foi o almoço, aquele com que comecei. Comecei a sentir o peso das horas em cima de mim, a obrigação que me levava de volta a casa. "Não podes demorar outra vez quatro anos", disseram-me. Eu sei, espero não voltar a demorar tanto tempo só para fazer cento e vinte e dois quilómetros.&lt;br /&gt;Foi apenas uma caminho que fiz, não porque o tenha escolhido, mas porque tinha que o fazer. Desculpem, fundanetes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive perto da piscina a gozar a sombra. Evitei o regresso o mais que pude. Guiei com o sabor a cerejas e saudades. Sinto falta destas pessoas em doses grandes. Fazem-me sentir bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111989608380393727?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111989608380393727/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111989608380393727&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111989608380393727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111989608380393727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/cerejas-do-fundo.html' title='Cerejas do Fundão'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111964451831579770</id><published>2005-06-23T15:19:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:44.117Z</updated><title type='text'>Imagens do Fim</title><content type='html'>Tenho uma camisola de Verão vestida, com as meias vestidas e sem calças. Da minha boca vai saindo fumo de droga que podia estar a fumar. Ao meu lado está um copo com um líquido que tanto podia ser whiskey como chá. Isto tudo acontece comigo deitado em cima da cama.&lt;br /&gt;Acho que não há imagem mais bonita do degredo. Umas quantas mochilas estão espalhadas pelo quarto. Esforço-me por ver um filme, o único que tenho aqui, que está numa das gavetas do computador. Bebo um golinho da bebida que está ao meu lado e dou mais uma baforada na pretensa droga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo cair a cabeça para trás, para cima da almofada. As paredes estão despidas, porque já estiveram vestidas. O título de um livro indica-me que a vida não é aqui. Eu sei que não é. Por isso levanto-me e vou até à casa de banho. Antes de lá chegar caio no chãop do corredor. Era mesmo droga, era mesmo whiskey. O corpo não mais aguentou, colapsou com o calor com a incauta ingestão de tantas substâncias.&lt;br /&gt;Contra a minha cara sinto o fresco da tijoleira e penso como é bom estar assim deitado. Com a aragem que corre, vejo pequenos pedaços de cotão cinzento a passar diante dos meus olhos. Fecho-os com força para apenas sentir o fresco da tijoleira. Mas o contacto com a minha cara tornou-a quente. As gotas de suor, caem, fazendo pequenos lagos circundando a minha cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém me pegou pelos ombros, arrastou-me até à cama e atou-me. Tiram-me os restos de roupa, a droga e o whiskey.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111964451831579770?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111964451831579770/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111964451831579770&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111964451831579770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111964451831579770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/imagens-do-fim.html' title='Imagens do Fim'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111964446170365981</id><published>2005-06-22T18:40:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:43.831Z</updated><title type='text'>Verão: Sangue Suor e Calor</title><content type='html'>Os meus dias estão cada vez mais vazios. Transformam-se em horas encavalitadas em minutos e estes encavalitados em segundos.&lt;br /&gt;Sinto as gotas de suor que escorrem pelos flancos, umas caindo para o chão, outras absorvidas por uma toalha, a últimas conseguem descer e encontram uma camada de algodão com um padrão de sapos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes julgo que não vou aguentar com este calor. Sinto que o meu corpo se começa a empastar, ganha uma forma disforme, uma amálgama liquefeita na qual não se distinguem ossos, massa encefálica, cabelo e mesmo unhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha testa há uma corrida: pequenas gotas agrupam-se na raiz do cabelo, preparando-se para a corrida que as levará até ao meu queixo. Mas a prova não é fácil: há aquelas gotas que preferem ir para o nariz, sem saber que as espera um abismo: essas acabam no chão, sem ter terminado a corrida. Umas outras vão pelas sobrancelhas, mas chegando aos olhos encontram o fim da sua corrida. Por fim, as mais inteligentes e perseverantes, que começam por contornar a testa, descem pela parte lateral da minha cara, e se conseguirem passar a barba, de certeza que chegarão ao seu destino, o queixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda há os bichinhos que gostam do meu sangue. Sei que tenho o sangue doce, já o provei. Mas não sou o único a acha-lo. A par de mim há os bichos nocturnos que gostam de dar umas trincas nos mais estranhos lugares. O pior é quando trincam sítios onde não conseguimos alcançar com as mãos para coçar e temos que nos chegar às paredes rugosas para nos esfregarmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Remédios: fenistil, ar condicionado e paciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111964446170365981?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111964446170365981/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111964446170365981&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111964446170365981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111964446170365981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/vero-sangue-suor-e-calor.html' title='Verão: Sangue Suor e Calor'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111964437901939876</id><published>2005-06-21T12:07:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:43.588Z</updated><title type='text'>Primavera Celibatária</title><content type='html'>Ontem terminou a minha vigésima terceira Primavera. Conto-as desde mil novecentos e oitenta e três, visto que fui parido como cria no final do Verão de mil novecentos e oitenta e dois.&lt;br /&gt;Não é das estações que mais gosto, a Primavera. Ainda por cima se esta se torna perversa, bulindo com os nossos nervos, dando muito azo às hormonas potenciadas e provocadas pelas feromonas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem sempre as Primaveras tiveram este efeito devastador em mim, até passava por elas com bastante naturalidade, sem necessidades hormonais de especial monta. Era uma coisa que passava por mim sem deixar estragos por aí além, não me deixava ansioso nem totalmente desesperado, como esta Primavera que ontem se encerrou. Mas outras houve em que as coisas se tornaram muito complicadas, também já ultrapassei o auge da adolescência e das cambalhotas hormonais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E houve Primaveras que foram muito importantes, Primaveras de descoberta do corpo, da sexualidade, ou não fosse, lá está, Primavera. Na Primavera de mil novecentos e noventa e seis descobri o que era o prazer sexual. Três anos mais tarde descobri o que era o prazer sexual com uma rapariga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerro esta Primavera com um sabor agridoce na boca e no corpo. Foi uma Primavera que trouxe muitas certezas, mas em que as feromonas me emboscaram com todas as suas forças e exércitos.&lt;br /&gt;As certezas foram mais fortes do que qualquer hormona ou feromona. São-o porque são certezas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111964437901939876?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111964437901939876/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111964437901939876&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111964437901939876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111964437901939876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/primavera-celibatria.html' title='Primavera Celibatária'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111918629296773798</id><published>2005-06-19T13:43:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:43.110Z</updated><title type='text'>So This Is Goodbye*</title><content type='html'>Foi um fim de semana de conversa difíceis. Não que as não quisesse ter, simplesmente são conversas que se têm muito  poucas vezes, conversas que mexem connosco, conversas que falam do passado, que resolvem coisas.&lt;br /&gt;Num filme que há dias vi, a Julie Delpy dizia: "Memories are a wonderful thing if you don't have to deal with the past."&lt;br /&gt;Ou seja, é sempre fantástico recordar para aprender, para não repetir erros; é bom aprender, mas não é nada bom lembrar o sofrimento inerente a esses acontecimentos. Daí a frase dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as coisas têm o seu tempo, por isso não me sinto especialmente nostálgico por sair de Évora. Há pessoas de quem sempre gostaremos e essas deixam saudades. Mas as coisas têm o seu tempo e reconhecendo isso dou mais um passo em frente, prefiro não estagnar como poderia, se quisesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro então não recordar, as coisas têm o seu tempo. As memórias também: ni fim de uma vida só acabamos por nos lembrar daquilo que é realmente importante. Enquanto pessoa nova que sou, sei que armazeno tudo, bom e mau, importante ou supérfluo. À medida que for envelhecendo - cabelo grisalho e rugas de experiência, olhar sabedor - vou seccionando e seleccionando aquilo que foi mais importante daquilo que não interessa.&lt;br /&gt;Acabo por ter as memórias e lidar com o passado que importa, com aquele que vai sempre influenciar a minha forma de olhar.&lt;br /&gt;O outro, não que não seja importante, mas não interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*título de uma canção de Stina Nordenstam&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111918629296773798?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111918629296773798/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111918629296773798&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111918629296773798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111918629296773798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/so-this-is-goodbye.html' title='So This Is Goodbye*'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111904198550868811</id><published>2005-06-16T15:25:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:42.773Z</updated><title type='text'>Arremedos de tédio</title><content type='html'>10.30h - Acordar&lt;br /&gt;10.45h - Sair da cama e tomar o pequeno-almoço&lt;br /&gt;10.58h - Lavar os dentes&lt;br /&gt;11.00h - Fazer dezasseis quilómetros de bicicleta&lt;br /&gt;11.50h - Regressar a casa e fazer alongamentos&lt;br /&gt;12.00h - Tomar banho&lt;br /&gt;12.20h - Pensar no que vai ser o almoço&lt;br /&gt;12.30h - Fazer compras de última hora para o almoço&lt;br /&gt;12.50h - Fazer o almoço&lt;br /&gt;13.25h - Almoçar&lt;br /&gt;13.40h - Lavar a loiça do almoço e do pequeno-almoço&lt;br /&gt;13.50h - Fumar um cigarro&lt;br /&gt;13.57h - Lavar os dentes&lt;br /&gt;13.59h - Dormir a sesta&lt;br /&gt;15.15h - Acordar&lt;br /&gt;15.30h - Sair da cama&lt;br /&gt;15.31h - Ligar o computador para trabalhar&lt;br /&gt;15.33h - Jogar Solitaire&lt;br /&gt;16.00h - Ir beber café à tasca sem ter começado o trabalho&lt;br /&gt;16.43h - Regressar a casa e começar a trabalhar&lt;br /&gt;18.00h - Acabar o trabalho&lt;br /&gt;18.05h - Ver um filme da Guerra das Estrelas&lt;br /&gt;20.10h - Jantar os restos do almoço&lt;br /&gt;20.30h -Lavar a loiça&lt;br /&gt;20.40h - Ler &lt;br /&gt;21.30h - Lavar os dentes e vestir umas calças&lt;br /&gt;21.50h - Sair para a tasca&lt;br /&gt;22.00h - Beber cerveja&lt;br /&gt;00.00h - Sair da tasca para outro local&lt;br /&gt;00.20h - Chegar à Sociedade Harmonia Eborense&lt;br /&gt;00.30h - Pedir uma cerveja e uma macieira&lt;br /&gt;01.30h - Pensar em ir embora&lt;br /&gt;02.00h - Ir embora&lt;br /&gt;02.15h - Chegar a casa&lt;br /&gt;02.16h - Lavar os dentes&lt;br /&gt;02.20h - Dormir&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111904198550868811?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111904198550868811/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111904198550868811&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111904198550868811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111904198550868811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/arremedos-de-tdio.html' title='Arremedos de tédio'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111904183645615677</id><published>2005-06-13T15:05:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:42.476Z</updated><title type='text'>O roupeiro escangalhado</title><content type='html'>Dou por mim a empacotar tudo de novo. A vida que acumulei durante quatro anos volta a caixotes. Os mesmos em que veio. Lixo, lixo, lixo. Desfaço-me daquilo que tenho sem o menor pejo, deito fora coisas que em tempo achei importante guardar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfaço-me de uma vida que já pouco me diz. No armário perto do computador está um documento de trezentas e dezanove páginas que me vai levar daqui para fora. No chão espalha-se lixo, maioritariamente papeis e postais, na parede um sinal roubado numa noite de bebedeira. Começa tudo a ficar despido, também eu me sinto despido e meio acabrunhado: vou deixar uma fase de quatro anos. Uma fase que não me leva à idade adulta, apenas ao pós-adolescentismo. Mas não é mau estarmos despidos, temos sempre a possibilidade de vestir uma nova roupa, ou uma mais confortável, tudo depende onde queremos chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E instala-se a dúvida, minha pelo menos. Que roupa vestir? O roupeiro abre-se à nossa frente e não nos conseguimos decidir pela roupa que queremos usar, a pose que queremos assumir. A mais confortável é a mais comodista, a mais independente é a mais interessante, a mais formal é a mais empertigada e por aí afora. No cantinho do roupeiro está uma roupa que nunca gostámos muito. Aquela, que muitas vezes experimentamos em casa e nunca saímos com ela. Aquela, que todos nos dizem que nos fica bem, mas que nunca temos bem a certeza e não arriscamos; mas às vezes dizem-nos a mesma coisa tantas vezes que nós acabamos por acreditar. Quer para o bem, quer para o mal.&lt;br /&gt;Vesti umas calças de ganga, um t-shirt com um boneco verde e uns sapatos vermelhos. Aquela roupa já não está no cantinho do roupeiro, está no lugar de honra, bem ao centro. À espera do dia em que vou ter coragem para a vestir porque já sei que me fica bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111904183645615677?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111904183645615677/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111904183645615677&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111904183645615677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111904183645615677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/o-roupeiro-escangalhado.html' title='O roupeiro escangalhado'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111853789499566432</id><published>2005-06-12T01:55:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:42.098Z</updated><title type='text'>A pergunta mais difícil do mundo do mundo</title><content type='html'>Posso fazer-te uma pergunta?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111853789499566432?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111853789499566432/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111853789499566432&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111853789499566432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111853789499566432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/pergunta-mais-difcil-do-mundo-do-mundo.html' title='A pergunta mais difícil do mundo do mundo'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111850780082188404</id><published>2005-06-11T16:31:00.001+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:41.800Z</updated><title type='text'>O fim das minhas papoilas</title><content type='html'>Sinto as pernas doridas, sinto o corpo a queixar-se dos abusos dos últimos dias. Sinto que os olhos se querem fechar a cada momento, nas horas seguintes ao almoço, em que a conversa e o café encaminham para dolência das tardes alentejanas. Ganhei uma nova vista da janela do meu quarto, em vez da cidade que se entregava a meus pés, tenho agora uns quantos quintais nos quais vejo mães gordas a estender a roupa.&lt;br /&gt;“Olá vizinho” gritam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou nada bem disposto, estou cansado. Respondo:&lt;br /&gt;“Vá à merda, deixe-me em paz!”&lt;br /&gt;Mentira, faço um sorriso amarelo e respondo “Olá” timidamente. Idiota, mal sabes que há dez anos atrás te roubava laranjas e tu me ameaçavas com a vassoura. Deixa-me em paz. Mas respondi:&lt;br /&gt;“Olá, está boa? Que me diz deste calor?” Idiota sou eu, iniciei uma conversa de ocasião que detesto. E lá vou ficar debruçado da marquise a conversar e a pensar nas caixas fechadas que estão atrás de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu quarto ficou arrumado, algumas caixas nem sequer foram abertas a pensar numa outra mudança, aquela que me vai levar para longe do alentejo.&lt;br /&gt;Hoje de manhã deixei-me ficar deitado a rebentar bolinhas de ar daquele plástico que envolve o conteúdo das caixas que dizem “FRÁGIL” e a pensar numa mensagem que há dias enviei; dizia que arrumar caixas era uma boa metáfora para a minha vida actual, também me estou a arrumar por dentro. E não é que era mesmo verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vizinha já percebeu que eu não quero conversar mais, que só me encontro debruçado por boa educação. Diz-me adeus e vira as largas ancas, protuberante barriga e as mamas de amamentar para o alguidar da roupa lavada. Eu volto para dentro, triste porque já não posso ver as minhas papoilas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111850780082188404?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111850780082188404/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111850780082188404&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111850780082188404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111850780082188404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/o-fim-das-minhas-papoilas.html' title='O fim das minhas papoilas'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111850384298357496</id><published>2005-06-07T11:45:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:41.280Z</updated><title type='text'>Audio Slave</title><content type='html'>&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/g08197ps8he.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;The New Pornographers - Mass Romantic (2000)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/c078427v193.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;The Amps - Pacer (1995)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/d80692p7bvg.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Lemonheads - Lick (1988)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111850384298357496?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111850384298357496/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111850384298357496&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111850384298357496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111850384298357496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/audio-slave.html' title='Audio Slave'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111796852837468377</id><published>2005-06-05T11:36:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:41.140Z</updated><title type='text'>As duas papoilas que vejo da minha janela</title><content type='html'>Voltei a espreitar pela minha janela e ver a papoilas que ali nasciam. Olhei duas desgarradas e cerca de quarenta, cinquenta juntas.&lt;br /&gt;Isto é um pouco elucidativo de tudo, da minha forma de viver também, acho. Quando sobraa apenas uma papoila, vou saber que sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois de ter escrito sobre as papoilas que da minha janela via, enviaram-me uma fotografia a uma reprodução de um quadro de papoilas.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/papoilasvermelhas.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado C.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111796852837468377?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111796852837468377/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111796852837468377&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111796852837468377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111796852837468377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/as-duas-papoilas-que-vejo-da-minha.html' title='As duas papoilas que vejo da minha janela'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111796775809363050</id><published>2005-06-05T11:23:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:40.929Z</updated><title type='text'>Dois dedos de conversa e uma mão de amizade</title><content type='html'>Ontem fumei de mais.&lt;br /&gt;Estive encontado ao cantinho de um balcão, de um café pequenino a conversar com um amigo.&lt;br /&gt;Programas de computador, trabalho, mestrados, carros, homossexualidade, cultura popular, Lisboa, Évora, Portalegre, mães, avós, África, racismo, vinhos, whiskey, garrafeiras caseiras dos pais, simpatia, pessoas com quem conseguimos conversar, sorrisos, vizinhos atenciosos, droga, mercearias, viagens de avião, namoradas, amigos e amigas, casamentos, possíveis filhos, ex-namoradas, situações embaraçosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regado com cerveja, bem regado. Decidi-me a ir embora já o café fechava. Passaria pouco das duas horas da manhã. Cambaleante e trôpego encaminhei-me até ao carro. Sentei-me e olhei-me pelo retrovisor. Senti-me bem numa noite em que queria ter ido para casa às onze horas. A conversa fui fluindo, eu fui ficando, soube-me bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guiei até casa; deitei-me e dormi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111796775809363050?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111796775809363050/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111796775809363050&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111796775809363050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111796775809363050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/dois-dedos-de-conversa-e-uma-mo-de.html' title='Dois dedos de conversa e uma mão de amizade'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111776225501343955</id><published>2005-06-01T03:06:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:40.723Z</updated><title type='text'>As coisas que não me acontecem por acaso</title><content type='html'>Chegado de um bar a que não queria ir. Encontrei uma pessoa que não esperava encontrar.&lt;br /&gt;Há alguns meses atrás tinha o hábito de ir a um clube, uma espécie de sociedade resistente dos tempos da ditadura. Hoje em dia não tem nada a ver com isso; transformou-se no extremo oposto, é um local onde se encontram os pretensos intelectuais e artistas, drogados que não têm onde cair. Gosto de lá ir, pelo ambiente, pelas fotografias, pelos bancos e pelos sofás, pela convidativa varanda que cheira flores quando chega a Primavera.&lt;br /&gt;Houve uma altura, há alguns meses atrás que fechou. Obras, edifício antigo - com capela e balneário - remendos no tecto e numas outras salas que estão vedadas aos não-sócios, tal é a minha condição. Continua a ser um clube, os critérios de admissão é que se alteraram.&lt;br /&gt;Quando fechou passei a ir a outro bar. Uma espécie de tertúlia de esquerda, onde mais uma vez se encontram os pretensos intelectuais e artistas, despejados do anterior local. Nesse mês de interregno, reparei numa das barwoman. Uma mulher bem mais velha. Sorria-me sempre e eu sorria-lhe de volta. Uma vez teve a ousadia de me piscar o olho; dessa vez eu sorri e tive a ousadia de lhe responder ao piscar de olho.&lt;br /&gt;Arrastaram-me a um bar a que não queria ir. Não porque estivesse embriagado ou que quisesse beber mais. Não tinha sono e apetecia-me continuar na rua, eis as razões pelas quais acedia entrar em tal antro. Encontrei essa mulher que me piscou o olho; respondi. Estivemos alguns minutos de conversa, entre sorrisos.&lt;br /&gt;E fui-me embora, prometeu pagar-me um copo no local onde trabalha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111776225501343955?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111776225501343955/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111776225501343955&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111776225501343955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111776225501343955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/06/as-coisas-que-no-me-acontecem-por.html' title='As coisas que não me acontecem por acaso'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111776206506162504</id><published>2005-05-30T12:36:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:40.499Z</updated><title type='text'>O Calor</title><content type='html'>Era noite-meia e estava frio. Ontem. Vinha da casa de um amigo a subir uma avenida. Dentro de casa estava um calor ansioso, um calor que entrava dentro de nós, que nos entorpecia movimentos e pensamentos. Um calor que nos derretia a vontade. Na rua estava frio.&lt;br /&gt;Quando se deu o choque térmico eu tinha um casaco vestido. Estava daquelas noites que parece que está frio, mas mal vestimos um abafo ou qualquer peça de roupa semelhante, voltamos a ter em nós o calor. O suor espalha-se pelo corpo, tornando-nos dolentes e pegajosos. Assim andei vinte minutos e quando cheguei à minha casa a roupa colava-se ao corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou cansado. Ontem à noite sonhei muito. Sonhei com os meus amigos do secundário, com um amigo que está na Turquia, com outro que há muito já não falo, com aquele que já nada tenho a dizer; também estavam as amigas desse tempo, as namoradas dos amigos e todos esses efémeros parentescos: pessoas que emudeceram para mim, pessoas que olham para mim com desdém superior, pessoas que tenho pena de já não me serem próximas. Haverá alguma despedida próxima?&lt;br /&gt;Será uma despedida condigna, cada um com sua consorte a lembrar os velhos tempos, as coisas que se fizeram, os planos para o futuro, os diferentes rumos. Lembro-me de alguém de gravata e fato escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje e ontem estive a arrumar o meu quarto. Vou deixa-lo dentro de trinta dias. Vou ser licenciado, mudar de cidade, arranjar um trabalho e continuar a estudar.&lt;br /&gt;Dentro de trinta dias só já os amigos me ligam a Évora. Dentro de trinta dias vou estar aterrorizado.&lt;br /&gt;Dentro de trinta dias penso nisso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111776206506162504?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111776206506162504/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111776206506162504&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111776206506162504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111776206506162504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/o-calor.html' title='O Calor'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111721822740523090</id><published>2005-05-27T19:10:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:40.075Z</updated><title type='text'>Irritações Temporárias</title><content type='html'>É engraçado ver como uma única palavra consegue sumarizar todos os nossos sentimentos: irritação. Tenho andado a sentir-me irritado com tudo, comigo, com as pessoas, com a minha situação actual.&lt;br /&gt;Mas parer entender isto é também necessário dizer em voz alta a palavra irritado; a sequência de «rrrr» parece que deixa na boca um sabor a raiva, uma espécie de vibrato que faz com que estejamos ainda mais chateados; não é só o significado óbvio que ligamos à palavra, mas também a forma como a dizemos, como a pronunciamos e deixamos fluir na nossa língua que lhe dá essa carga de aborrecimento, impaciência e irritação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há-de passar a irritação. Não é especialmente dirigida a alguém, muito pelo contrário. Irritam-me os comportamentos, as infantilizações constantes. Mas terei mudado assim tanto para que isto me faça diferença? Não sei ao certo, mas já me disseram que me não reconhecem. Acredito que isso seja bom, pois não é muito bom ficar parado no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pende-me a cabeça para a frente, sinto o meu cérebro empastado. Alturas houve em que achei isto bom, mas não consigo deixar de pensar no tempo em que tudo isto terminará. Falta pouco, tão pouco para terminar esta fase.&lt;br /&gt;Felizmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111721822740523090?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111721822740523090/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111721822740523090&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111721822740523090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111721822740523090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/irritaes-temporrias.html' title='Irritações Temporárias'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111666900152139921</id><published>2005-05-21T10:49:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:39.898Z</updated><title type='text'>As quatro papoilas que vejo da minha janela</title><content type='html'>Hoje reparei em quatro papoilas que são agitadas pelo vento calmo que se atravessa nas traseiras do meu prédio. Hoje decidi que também ia gravar para mim a banda sonora do "Ocean's Eleven". Contrariamente ao que ontem se passava, hoje o dia levantou um céu cinzento que oculta o sol; de quando em vez as nuvens deixam-no dar uma espreitadela, só para confirmar que não houve gotejamento algum, que não houve lágrimas olímpicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem decidi que não me apetecia sair. Fiquei em casa. Arrumei caixas, arrumei pensamentos. Pensei que devia começar por arrumar os cds, depois os pequenos objectos decorativos que nos são oferecidos ou que se trazem de viagens daqui e dali. Ou então aqueles que têm algum significado sentimental e que não queremos deitar fora. Quer dizer, eu ando a guardar a lã do laço de um embrulho que me deram no natal.&lt;br /&gt;Ontem terminei também os meu trabalho como educador. Passei por ali e pronto. Deixo saudades, mas não sei se as vou sentir. Com este final de trabalho, encerro mais uma fase da minha vida; bem, não é certo que seja uma fase, quase como se estivesse a começar a escrever o último da capítulo de um livro. Depois, mais livros virão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa mais uma rajada de vento e as minhas papoilas abanam-se, abanicam-se ao sabor da melodia cálida que o vento traz no ventre que roça nas sua vermelhidão. Levantei agora um pouco mais a cabeça e descobri uma nova colónia de papoilas, dezassete, estas últimas, separadas por um muro. Já descobri porque é que gosto tanto só daquelas quatro. Porque são as desgarradas, porque estão do lado de fora, porque não foram com a maré. Optaram por seguir outro caminho, e agora são roçadas pelo ventre cálido do vento; as outras, essas ficam imóveis na sua invejosa altivez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há umas noites atrás, já semi-embriagado pelo calor, pela primavera, pelo álcool, olhava fixamente para uma fotografia exposta na parede de um bar. Olhava para a Manuela Azevedo. Mas ela estava de lado, não reparou bem que eu estava a olhar para ela. Estava sentada numa cadeira branca, com os cotovelos apoiados numa mesa à sua frente. E não olhava para mim; comecei a desligar-me das conversas em redor, queria mesmo que ela reparasse que estava olhar para ela, que a estava a observar de uma forma incomodativa para todos; de certeza que não se importou muito, afinal era uma fotografia. Não resisti a dizer "Pst, vamos embora daqui?" "Está bem, mas depois" respondeu-me ela.&lt;br /&gt;Eram três da manhã na Sé e eu fiquei à espera, porque nunca chegou a vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem decidi não sair e não sai. As quatro papoilas que vejo da minha janela decidiram que eram desgarradas e foram-no.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111666900152139921?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111666900152139921/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111666900152139921&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111666900152139921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111666900152139921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/as-quatro-papoilas-que-vejo-da-minha.html' title='As quatro papoilas que vejo da minha janela'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111663051392339730</id><published>2005-05-20T23:59:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:39.690Z</updated><title type='text'>Fotografias de Rua</title><content type='html'>"A Vingança das All-Star"&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/Imagem48.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Évora, 20 de Maio de 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Monkey Gone To Heaven"&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/Imagem57.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 03 de Abril de 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Exército Vermelho"&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/Imagem30.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Évora, Fevereiro de 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111663051392339730?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111663051392339730/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111663051392339730&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111663051392339730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111663051392339730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/fotografias-de-rua.html' title='Fotografias de Rua'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111615296343084062</id><published>2005-05-15T11:17:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:39.477Z</updated><title type='text'>Madrugada Sentimental</title><content type='html'>Não quero ver as horas, sei que é cedo. Merda, é demasiado cedo. Dorme que consegues, força-te a dormir. Agora não te podes mexer até a dormeceres. Nem um dedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mesmo cedo. São nove horas da manhã. Dormi seis horas, melhor que ontem, acordei às sete, dormi menos uma hora. E acordei igualmente cansado. Nessa altura já o cérebro manda e comanda: fazem-se listas de afazeres, de telefonemas, pessoas, recados, gravações, escritas. Listagem cerebral precisa, já que a caneta e o papel disso não se encarregaram. O cérebro desperto atenta à inèrcia do corpo que se não mexe: um funcionário público descontente e incompetente. Ainda é cedo, não chegou a hora de picar o ponto, faltam quinze minutos: já me levanto, diz o corpo, já vou fazer café para bebermos junto ao computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje de manhã pousei a caneta e rasguei a lista. Pensei que hoje não faria nada do que estada listado, planeado, planificado, tudo pronto a ser avaliado caso fosse concretizado. Hoje tiveram folga, corpo e cérebro. Apesar de já acordado não me mexi da cama, nem tão pouco deixei que o cérebro fervilhasse de ideias que obriga o corpo a escrever no papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encolhido na cama quente, entre lençóis e cobertores, dediquei a manhã a quem mais quero. Discorri com a doçura primaveril, cada momento passado, cada risada, cada toque de lábios. Ter-me-ei entregue ao corpo com o corpo. Ter-me-ei entregue ao amor com tudo o que preenche as minhas entranhas, acho que é assim que o amor deve ser.&lt;br /&gt;Falei-lhe ao ouvido, cheirei-lhe os lóbulos, passeei no corpo, fizemos amor. Isto no momento em que o cérebro dormitava, o corpo languescia e eu pensava em ti.&lt;br /&gt;Na minha madrugada, às nove horas da manhã de hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111615296343084062?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111615296343084062/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111615296343084062&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111615296343084062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111615296343084062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/madrugada-sentimental.html' title='Madrugada Sentimental'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111607945147561321</id><published>2005-05-14T14:20:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:39.307Z</updated><title type='text'>Óculos de Sol Sinápticos</title><content type='html'>Hoje o dia acordou de sol; ficou tímido lá para meio da manhã e escondeu-se atrás das nuvens.&lt;br /&gt;Hoje a minha internet está nmuito rápida; já saquei seis álbuns novos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que ainda não acordei bem, que ainda me encontro no dia de ontem. Tenho tido os mesmo problemas de sono e sonhos, someço a perceber a sensação de quem me dizia que acordava mais cansada do que quando se deitava. Hoje sinto-me assim, totalmente subtraído de mim; a soma foi para os sonhos que tomaram conta da noite que seria de descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música tem-me ajudado, como sempre a manter esta disposição estranha com que fico nestes dias. Duas bandas sonoras, fenomenalmente organizadas e inteligentemente colocadas no "Repeat All" do iTunes. A do "Garden State" e a do "Before Sunset /Before Sunrise". Parece que este fim de semana vai tudo dar à vaca fria, mas ainda não me recompus bem daquilo que vi, sozinho no quarto, quarta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A disposição, a ausência de sono, o excesso de sonhos, anda tudo ligado: ao filme, ao fim de uma fase de quatro anos de inutilidade absoluta. Vejo o fim e um novo início. Abri a janela da sala de onde escrevo e à minha frente há um pequeno olival, onde pássaros chilreiam.&lt;br /&gt;Levei um pontapé e estou a dar uma cambalhota, quase como se estivesse dentro de um carro a capotar e não soubesse quando irá ele parar. Sei que quando sair vou ficar bem, estou bem; isso eu sei, mas o capotanço é tão longo, não haverá forma de o travar? Nos solavancos não acerto com os pedais nem com o travão de mão, tenho apenas que esperar. Esperar para sair pela janela do lado de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente dei por mim a ficar nostálgico; as matreirices hormonais primaveris funcionam hoje de forma perversa, ao invés de darem para a alegria desmedida, dão para uma tristeza infindável, uma saudade que me aperta o peito por estar apartado de quem mais tenho saudades. E tudo isto tão junto, com o refrão do "The Human Pump" do Harald Waiglein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que tenho estampado aquele sorriso de tristeza de tempos passados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111607945147561321?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111607945147561321/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111607945147561321&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111607945147561321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111607945147561321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/culos-de-sol-sinpticos.html' title='Óculos de Sol Sinápticos'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111603289794324421</id><published>2005-05-14T01:45:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:39.115Z</updated><title type='text'>Quando ela disse...</title><content type='html'>Já em muito locais li críticas a este filme, no entanto não resisto a falar mais um pouco sobre ele. Não por ser um filme bonito, ou especialmente bem realizado ou bem escrito, mas por ser um filme que atravessou a minha adolescência toda. "Before Sunset". Naturalmente este não foi o filme que a atravessou, foi a primeira parte "Before Sunrise".&lt;br /&gt;Vi a primeira parte na vulnerável idade de quinze anos. Fiquei fascinado e muito atraído por ambas as personagens; recriavam aquilo que ambicionava ser, as ideias que gostaria de poder chamar minhas, o modo de raciocínio e ideias tolas que gostaria um dia de ter; enfim, coisas de quem tem quinze anos. Passados nove anos, Céline e Jesse encontram-se em Paris. Passados quase oito anos, reencontro-me com o filme deitado na minha cama em Évora. Ele é o escritor que eu espero ser, ela é a desancantada com a vida e com o mundo. Vejo no crescimento deles o meu também, este hiato temporal que existe, estes anos de crescimento. Simplesmente eles tinham vinte e três e agora trinta e dois e eu tinha quinze e agora quase vinte e três. Há também aqui uma grande diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme funcionou para mim quase como uma viagem ao fututro onde me vejo a mim como escritor; não coleccionei nenhum amor semelhante ao longo dos anos. Suponho que essa parte a tenho melhor resolvida que eles, pelo menos aos vinte e quase três. Não interessa muito para o caso.&lt;br /&gt;Acontece que se sabe o que se passou no encontro passados seis meses na gare fria de Viena, sabe-se que ambos ficaram eternamente apaixonados um pelo outro. Para mim normal, eu acredito nestas coisas, sério que acredito. No final ela canta-lhe uma valsa que compôs, doce, simples. Sempre ouvi dizer "small is beautiful".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele achega-se ao sistema de stereo dela, põe um disco. Ela fala da artista que já morreu. E como já não se preocupasse ela disse, dançando ao som do jazz, balanceando as ancas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Céline - Baby, you'll never catch that plain...&lt;br /&gt;Jesse - I Know...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;THE END&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111603289794324421?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111603289794324421/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111603289794324421&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111603289794324421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111603289794324421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/quando-ela-disse.html' title='Quando ela disse...'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111554627491329666</id><published>2005-05-08T10:31:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:38.955Z</updated><title type='text'>Vodka, Vinho e Aspirinas</title><content type='html'>Duas horas e nove minutos, três aspirinas, meio litro de café com leite e uma fatia de pão com manteiga mais tarde, volto aqui, com um olho já aberto e outro ainda fechado.&lt;br /&gt;Causas de tamanha desgraça; duas garrafas de vinho a dividir por três pessoas, temperada com uma salpicos de vodka aqui e ali. Caramba, acho que ainda não acabei com a dose de aspirinas; não tarda, já marchou a palete toda e eu nem sequer sei como, nem dou fé disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou com um jantar em casa de uns amigos dos meus pais, não que estivesse muito encantado de ir, mas gosto muito do D. e da I., não se diz que não assim a pessoas de quem nós gostamos. Estava lá o cão deles que aproveitou o facto de eu estar de calções para me dar uma trinca nos calcanhares. Mal sabia eu que essa trinca se ia propagar até à cabeça doze horas mais tarde. O problema é que agora é repetidamente, uma trinca cerebral no "Repeat 1".&lt;br /&gt;Fugi o mais rápido que soube, para uma quinta na encosta da serra onde fui encontrar alguns amigos a ver futebol. Não sei como, o jogo acabou, a equipa por quem todos torcíamos perdeu; acabámos três dos nove a tocar guitarra, bateria e cantar e beber: deixaram por lá duas garrafas de vinho, que fomos bebendo. Quando as coisas acalmavam, golinhos de vodka sobejada da passagem de ano para aquecer. Só dei conta do que se passava quando trôpego, tentei levar a guitarra para o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje não tive ensejo de experimentar a minha voz, mas também tenho medo de abrir a boca, não vá de lá sair algo indesejável. Sei que me lembro de andar aos saltos a cantar o "Swallowed" dos Bush, o "Cão Muito Mau" dos Boite Zuleika entre outros hits.&lt;br /&gt;Pior, a ver o Bon Chic na TVI com músicas da Madonna, a minha infância musical revisitada num programa pimba de sábado à noite. Acho que não quero continuar esta autoscopia para não descobrir mais sobre mim, pelo menos em estado embriagado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro muito bem de chegar a casa, mas trouxe o carro.&lt;br /&gt;Trouxe!? Bem, isso passa com outra aspirina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111554627491329666?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111554627491329666/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111554627491329666&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111554627491329666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111554627491329666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/vodka-vinho-e-aspirinas.html' title='Vodka, Vinho e Aspirinas'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111554426352876134</id><published>2005-05-08T08:22:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:38.783Z</updated><title type='text'>Música para Ressacados e Apaixonados</title><content type='html'>&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/nancy_sinatra.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Nancy Sinatra - Boots (1966)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/the_concretes.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;The Concretes - The Concretes (2004)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111554426352876134?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111554426352876134/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111554426352876134&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111554426352876134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111554426352876134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/msica-para-ressacados-e-apaixonados.html' title='Música para Ressacados e Apaixonados'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111546807315922705</id><published>2005-05-07T12:38:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:38.519Z</updated><title type='text'>Soda Cáustica e Soluções Caóticas</title><content type='html'>Bem, há probelmas que eu tive mesmo que resolver sozinho, já que Deus não me ajudou. Por questões de tempo não fui a Fátima, e em abono da verdade também acho que não valeria a pena. Ora, como desatar novelos se tenho as unhas roídas? Como desentupir canos se não tenho daqueles desentupidores com cabo de madeira e aquela-espécie-de-cilindro-de-borracha-que traz-de-volta-os-cabelos-dos-ralos?&lt;br /&gt;Como o título diz, "Soda Cáustica", mas a verdade é que isso queima tudo e pode até queimar coisas das quais eu não quero abrir mão. Optei por resolver da forma mais difícil, da mais dolorosa, no entanto, mais saudável: pegar numa garra de aço e revolver as minhas entranhas, perceber o que iria ser ou que era suposto ser. E assumi-o, sou-o. Mas esta solução não foi caótica, há-de o ser, pois se para alguns era por demais óbvio - o resultado - para outros não, porque continuam completamente fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de ter desfeito os nós, apenas começou o meu desnovelo mental.&lt;br /&gt;Não consigo fazê-lo rápido por várias razões: um, é impossível assumir o que somos tão rapidamente; dois, ainda tenho que esperar que as unhas cresçam para começar a desnovelar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111546807315922705?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111546807315922705/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111546807315922705&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111546807315922705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111546807315922705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/soda-custica-e-solues-caticas.html' title='Soda Cáustica e Soluções Caóticas'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111541109365995763</id><published>2005-05-06T20:50:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:38.197Z</updated><title type='text'>Indie Is The New Cool</title><content type='html'>Nunca fui muito à bola com tribos sociais; acho demasiado redutor, demasiado palas-de-burros-para-gente-que-tem-necessidade-de-afirmação-e-não-sabe-o-quê. Quase como as correntes literárias em que se tem que seguir determinados trâmites ou então já não fazemos parte dessa corrente.&lt;br /&gt;O título deste post podia ser o de um álbum dos Kings Of Convenience, em vez de "Quiet Is The New Loud", "Indie Is The New Cool", foi por aí que me lembrei.&lt;br /&gt;Há uma nova corrente, talvez até tribo social, que é ser Indie, gostar de música Indie, ver cinema Indie, vestir roupas Indie, ter cortes de cabelo Indie, em suma, ser Indie. Mas o que é ser Indie? Quais os trâmites para sermos considerados Indie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum, acho que vamos começar pela etimologia, Indie: diminutivo de Independente. Pelo menos no meu entendimento de pessoa especial. (Sim, eu sou um homem especial, eu e o Mourinho.)&lt;br /&gt;Ora, todas as pessoas que se assumem, directa ou indirectamente Indie não são independentes. Dependem do dinheiro dos pais ou do afecto da namorada/o, nem sequer sabem o que é a vida; julgam que a vida de universitários que levam é semelhante à de trabalhador, ná ná ná ná ná. Sim, porque só se assume Indie quem ainda é universitário com tendências de secundário residuais. A partir dos trinta, já toda a gente se está a cagar para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente eu sou Indie; escrevo de uma forma intelectual, com piadas inteligentes, ouço música Indie (como aliás está no meu profile), a minha escrita está cheia de estrangeirismos; mas não uns quaisquer, aqueles que são cool, como este último. E visto-me à Indie - o que quer que isso seja - mas acho que andar com as calças rotas é um ponto a meu favor. Só o cabelo é que destoa, é uma amiga minha que mo corta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está na moda ser Indie, quem o não é, é porque não é cool, porque não sabe onde estão as coisas interessantes, é retro, old-fashioned, não conseguiu acompanhar o comboio. É teres internet e não teres um blog. Eu tenho, eu sou Indie.&lt;br /&gt;Além de tudo isto temos que ir contra a corrente, ter um emprego cool, aliás, Indie, de preferência fotógrafo, tradutor, crítico, escritor, cineasta, designer, actor, profissões liberais, que tenham a ver com criatividade. Mas há uma variante muito boa que é: quem não é fotógrafo tira fotos muito boas, isso é imperativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém preenche a maioria destes items, associe-se, pois faz parte de mais uma moda portuguesa que é ser Indie. E isso é cool apenas por uma estação, não se apegue demasiado à sua nova pele, está avisado.&lt;br /&gt;Tendências para a próxima estação, ser Retro-Futurista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111541109365995763?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111541109365995763/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111541109365995763&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111541109365995763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111541109365995763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/indie-is-new-cool.html' title='Indie Is The New Cool'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111494241186107354</id><published>2005-05-01T10:41:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:37.924Z</updated><title type='text'>Deus é a nossa mulher a dias</title><content type='html'>O cigarro que me entrou nos pulmões, o ar quente e adulterado, ampliou o negrume que sobre a minha cabeça já existia. Saí da varanda a medo, da pequena tontura que sucedeu ao primeiro bafo. Consegui acabar tudo e deixei-me cair na cama a arfar, a recuperar do choque que me teria feito cair de uma altura de três andares para as pernas da porta da garagem.*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem carreguei a cruz de nada ter feito; a total e absoluta inêrcia de quem fica em casa a não ver o sol. Apenas uma vez, quando fui fumar um cigarro à varanda do meu quarto.&lt;br /&gt;Estiquei pelo corredor de dez metros toda a minha languidez e lassidão, o atrito trabalhador, o semi-sono da inutilidade. Pesou-me a inconsciência de bom cristão, o entregar-me aos mais pequenos afazeres, ao pecado da preguiça; poderia, na meia luz em que deixei a casa, dissolver-me nos lençóis da cama, nas paredes da cozinha, nos pratos do armário. Podia ter ficado nu, que não faria diferença alguma.&lt;br /&gt;Não conversei com ninguém, apenas abri a boca para comer duas torradas e uma maçã. Algures no computador ainda conversei, sem abrir a boca, apenas um frenético gesticular de dedos de volta do teclado, a tentar acompanhar a velocidade do pensamento Velocidade que, por vezes, nem mesmo a boca consegue acompanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Na altura em que o fumo subia rapidamente até às minhas sinapses, Deus entrou. Trazia um lenço na cabeça, uma vassoura e um aspirador de água que tinha comprado na TV-Shop. Andou às turras com os meus novelos. Para desfazer uns quantos simples embrulhou uns que já por si eram complicados. Mas limpou-me as janelas, afastou o nevoeiro com o seu aspirador. Grandessíssimo cabrão, não queria que lá andasses a mexer:&lt;br /&gt;- Estúpida mulher a dias, vai-te embora fazer aquilo que fazes bem, o que quer que isso seja.&lt;br /&gt;- Oh, desculpa, mas se fores a Fátima de certeza que a Nossa Senhora te faz um arranjinho.&lt;br /&gt;A minha vontade era de o mandar à merda, mas tendo em conta que era com Deus que estava a falar, achei melhor ser prudente.&lt;br /&gt;E ainda tive que pagar a limpeza que me fodeu, com gorjeta. Ele há dias em que nem sequer um olho devia abrir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111494241186107354?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111494241186107354/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111494241186107354&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111494241186107354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111494241186107354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/05/deus-nossa-mulher-dias.html' title='Deus é a nossa mulher a dias'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111480180908916575</id><published>2005-04-29T19:51:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:37.614Z</updated><title type='text'>Sexta-Feira, 07 a.m.</title><content type='html'>Há muito, muito tempo que me não aventurava nesses antros que se dão pelo nome de discoteca; pior, duas noites seguidas.&lt;br /&gt;Por consequência da queda do tecto do sítio onde trabalho - nem digo onde, nem em quê -  esta semana estive de férias. Aproveitei para fazer algo que não fazia há algum tempo; sair sem pensar que me tenho que levantar às oito e onze, sem pensar que tenho que ter imensas coisas preparadas, soluções instantâneas, entre muitas coisas outras que tenho que habitualmente fazer. Não me vesti a rigor, umas calças de ganga rotas, uns ténis perfeitamente normais, uma t-shirt e um abafo, para o caso da madrugada fazer das suas e levantar aquele frio que apanha os mais incautos hedonistas pelo fim-da-noite-início-da-da-manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa sempre da mesma forma; a saltitar de bar em bar, ver pessoas, mais pessoas, comer pipocas salgadas para puxar a cerveja. Conversar, rir. De há algumas noites a esta parte, têm surgido novos conhecimentos de todos os lados, pessoas que apenas conhecemos de vista, metem conversa e ficam e pagam copos e vêem conosco e pedem para que os cumprimentemos na manhã seguinte, quando o álcool estiver lentamente a abandonar as veias.&lt;br /&gt;Entrei na discoteca por volta das três e meia; saí por volta das cinco e quarenta. Sei que há um hiato espacial do qual não me recordo muito bem. A música gritava, fez com que os meus ouvidos fizessem bzzz quando saí duas horas e dez mais tarde. As luzes psicadélicas, a música, as pessoas que dançavam apenas nos momentos em que havia luz, o freneticismo dos engates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o sol clareava a manhã e corríamos para uma tasca, comer qualquer coisa. Pediram-me para enrolar dois cigarros. Disse que sim e sorriram-me, o mesmo sorriso que tinham enviado a todos os outros rapazes na discoteca; não acho isso muito lisonjeador. Marcava o meu telemóvel sete horas e treze minutos quando fechei o estore e os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta noite guardo mais umas ideias, entre elas a vontade de não voltar a sair assim tão depressa; não gosto da sensação de estomago cheio, nem da tosse da manhã seguinte. Tive ainda que fazer um pouco de terapia antes de dormir, um pouco de Marlango, a Leonor Watling a cantar só para mim. Não ouvi mais que a primeira canção, mas ficou-me o verso "there's a choreography in traffic jams".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a.m. = antes do movimento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111480180908916575?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111480180908916575/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111480180908916575&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111480180908916575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111480180908916575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/04/sexta-feira-07-am.html' title='Sexta-Feira, 07 a.m.'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111435143172693727</id><published>2005-04-26T03:01:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:37.419Z</updated><title type='text'>Matemática Óbvia</title><content type='html'>&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/gotan_project.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;+&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/a_naifa.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;=&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/donna_maria.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111435143172693727?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111435143172693727/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111435143172693727&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111435143172693727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111435143172693727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/04/matemtica-bvia.html' title='Matemática Óbvia'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111434330902043332</id><published>2005-04-24T12:44:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:36.937Z</updated><title type='text'>Música de fim de semana</title><content type='html'>De manhã:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/nouvelle.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Nouvelle Vague - Nouvelle Vague&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não mais que treze graus, céu cinzento e ameaça de chuva. Para consumir na cama, com torradas com doce de amora e café fresco. Entre beijos e carinhos e terminar a fazer amor. Em Nova Iorque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tarde:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/pink_martini.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Pink Martini - Hang On Little Tomato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esplanada de praia com pouca gente. Com mazagrin, óculos de sol e conversa amena, a condizer. Sentir o cheiro do mar, o som do casino a ser limpo, nunca a mais de vinte e sete graus. Em Havana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De noite:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/enon.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Enon - High Society&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num clube muito underground, de copo e cigarro na mão, levemente embriagado. Consumir com luzes roxas, vermelhas e azuis a piscar incessantemente. Sair para rua, apanhar a ar e ver os néons. Trinta graus no interior, seis no exterior. Em Londres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111434330902043332?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111434330902043332/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111434330902043332&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111434330902043332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111434330902043332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/04/msica-de-fim-de-semana.html' title='Música de fim de semana'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111425327763422315</id><published>2005-04-23T10:43:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:36.626Z</updated><title type='text'>Fumble</title><content type='html'>Pensei que era meio dia quando eram ainda nove; e quando julguei que tinha ultrapassado todos os limites do aceitável, que era uma da tarde, levantei-me. Eram dez e vinte da manhã.&lt;br /&gt;Encontro-me em sonhos muito estranhos ultimamente, algumas cidades desconhecidas nas quais eu ando como se de há muito fossem amigas do peito. No entanto as pessoas tinham a cara esfumada, algo bem mais forte e intenso do que a técnica em que Da Vinci tão bom se tornou. Parecia, de certa forma, que vivia nesse ambiente, uma espécie de poluição a preto e branco, em que as pessoas, eu incluído, nos dissolvíamos no ambiente por  este ser tão denso e carregado. Custava-me ver os meus próprios dedos quando esticava os braços para a frente e só percepcionávamos os objectos quase em cima deles. Mas isso não era problemático porque todos andávamos a pé, não havia o perigo de carros ou outros meios de transporte. As pessoas sabiam, intuitivamente, quando alguém se aproximava, e desviavam-se sempre para o lado correcto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana fui a um jardim onde fumei um cigarro; um jardim ao pé de um templo romano, coloquialmente chamado o jardim dos namorados. É verdade, havia mesmo muitos casais de namorados que se beijavam sofregamente sob a copa de árvores cujo nome desconheço; casais de quinze, dezasseis, dezassete anos. Olharam para mim com desconforto, porque estava sem par, porque vinha fumar um cigarro e sentir o vento na cara. Suponho que entre eles haja um acordo tácito, de que se podem beijar a cinco metros de distância, mas que não se podem cobiçar uns aos outros, nem sequer olhar. Não conversam uns com os outros, apenas se beijam sofregamente, porque não há mais lugar algum em que o possam fazer.&lt;br /&gt;Unem-se, olham para mim com os olhos coruscando quando irrompo pelo jardim, interrompendo os seus momentos de desabrida paixão, para fumar um cigarro e sentir o vento na cara. Mas não quis saber de os interromper, quis fumar e sentir o vento na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem aprendi uma palavra nova, em inglês: fumble. Há muito que a já conhecia, de uma canção que gosto muito. Gosto do som da palavra, parece que se enrola na língua, é muito sensual. Aprendi ontem à tarde, deitado na cama a ver um filme do Woody Allen. Acariciar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111425327763422315?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111425327763422315/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111425327763422315&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111425327763422315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111425327763422315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/04/fumble.html' title='Fumble'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111373924163384979</id><published>2005-04-17T12:55:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:36.449Z</updated><title type='text'>Deli Delux</title><content type='html'>"Abriu um paraíso em terras olisiponenses. Chama-se Deli Delux e é mercearia, charcutaria e cafetaria. A mistura faz todo o sentido, sobretudo quando mesmo ao lado há um cabeleireiro que vende ténis.&lt;br /&gt;A Deli Delux fica à frente da estação de Santa Apolónia. Nas prateleiras estão produtos estupendos como: barras de "dulce con leche", massas Cipriani, pesto, polenta com instruções, San Pellegrino de litro e meio, variadíssimos tipos de "fois gras" e garrafinhas de Underberg, substituto natural do Guronsan ou do Alka-Seltzer. Na cafetaria vendem-se bons "brunches" e a esplanada com o Tejo tão azul à frente promete bonitas manhãs, tardes e até noites (sextas e sábados, abertos até às dez). Fecha às segundas"&lt;br /&gt;Carla Hilário Quevedo in Única, Expresso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço das suas palavras minhas também, não porque tenha visitado o espaço mas porque vi a maquete, vi fotografias, vi o "render". Estive também para ir à inauguração.&lt;br /&gt;Este espaço não ésó um espaço interessante para mim, é também algo que me faz lembrar o final de Março em Lisboa. Com recordações tão boas. Com o bar dos Artistas de permeio e o Bairro Alto ali bem perto.&lt;br /&gt;Consumir com restaurante italiano, portas -quase-meias com o Chapitô, onde sitiava a Cozinha de Fusão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111373924163384979?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111373924163384979/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111373924163384979&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111373924163384979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111373924163384979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/04/deli-delux.html' title='Deli Delux'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111367778342653007</id><published>2005-04-16T19:29:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:36.148Z</updated><title type='text'>Hermenêutica do Crescimento</title><content type='html'>Às vezes nem sabemos bem porque é que estamos tristes. Damos voltas e voltas à cabeça e não chegamos a lugar algum. É preciso vir alguém que nos comece a perguntar coisas, a questionar, a puxar por nós bem de lá do fundo para que nós próprios, com o decorrer da conversa consigamos entender o que conosco se passa.&lt;br /&gt;Não estou triste, nem nada que se pareça: sinto até que estou bastante desperto para tudo, sinto que me começo a desembaraçar de muitas coisas antigas, qe começo a desfazer nós que há muito estavam atados - e que força tinham eles. Fico feliz por me estar a resolver a fazer todas estas coisas. ê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há no entanto algo que muito me preocupa: quanto mais desfaço nós e me desembaraço deles, mais descubro. Descubro que muitas coisas tenho para resolver, que há muito mais que isto, que estas pequenas mudanças são apenas do início de algo que há-de ser bem grande. O quê? Não sei!, bem talvez já saiba uma coisa ou outra. No entanto é assustadora a dimensão a que deixei isto chegar, o efeito bola de neve acompanha-me desde os doze anos; e se algumas vezes dei sete passos para a frente outras tantas dei doze trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que percebo é que à vezes crescer é muito mais complexo que acumular anos. Sempre me dei mal com a mudança, nunca fui muito adepto desta prática, adiando-a sempre que possível. E quando percebemos que a não queremos mais adiar. quando com ela nos sentimos bem; quando com isto percebemos que já tão diferentes somos. Há alguns dias escrevi sobre há quatro anos, ontem conversei sobre há um ano atrás; foi tão complicado reviver um período tão conturbado, tão nebulado e inebriado. Não foi um bom período, fui um período de adiamento, agora vejo-o. Na altura não. felizmente já foi há um ano e daqui a quatro terá sido há cinco. è bom olhar para trás e perceber que bom não foi.&lt;br /&gt;É bom olhar para trás e sentirmo-nos melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom poder ter conversas difíceis e depois sentirmo-nos mais leves.&lt;br /&gt;É bom que  os lambam as cicatrizes; mas melhor é lamber as de quem gostamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111367778342653007?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111367778342653007/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111367778342653007&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111367778342653007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111367778342653007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/04/hermenutica-do-crescimento.html' title='Hermenêutica do Crescimento'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111340429406211075</id><published>2005-04-13T15:38:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:35.918Z</updated><title type='text'>Perversa é a linha do pensamento</title><content type='html'>Dei por mim numa fila, apenas há poucas horas atrás. Depois dessa fui para outra e por fim, uma última fila. Parece-me natural pensar que oiço a conversa dos outros, não por natural curiosidade à vida alheia, mas sim porque ando sempre sozinho e não tinha ninguém com quem partilhar a minha solidão vespertina.&lt;br /&gt;Pouco tempo tive com atenção à conversa dos três rapazes que à minha frente se encontravam. Preversa é a linha do pensamento; reparei na marca das calças que em dos rapazes usava. Nada de mais, simplesmente era um marca que eu usei, que me levou de volta a um período da minha, período que teve lugar há pouco menos de quatro anos. Passei a tarde de volta de recordações, de atitudes, de formas de pensar, de música que ouvia. Daquilo que considerava prioritário e agora é obsoleto, da forma como eu mudei nestes anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das filas passaram-me à frente com a justificação que tinham chegado à loja primeiro que eu, mas que não tinham entrado porque estavam a ver a montra. Quase nem dei conta de isto ter acontecido - e se tivesse dado mudaria alguma coisa? - estava mesmo absorvido naquilo que foi a minha vida até agora.&lt;br /&gt;Desde o tempo em que andava de baloiço no quintal de trás da minha avó, quando fui para escola primária, o ciclo, o primeiro beijo, o secundário, a primeira vez que tive sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo perceber até que ponto é que estou feliz com o que a minha vida foi, simplesmente estou feliz com o que ela é. Mas em cada momento que passei, sempre pensei que estava a viver as coisas de acordo com aquilo que era realmente importante, com as prioridades muito bem definidas. Realizo agora que o não fazia. Fál-lo-ei agora? Acho que sim, mas poderei não achar o mesmo daqui a quatro anos, assim é agora, passados quatro anos. Há quatro anos atrás tinha dezanove anos.&lt;br /&gt;Em meses cresci anos, não sou o primeiro a dizer-me isto. Talvez daqui a quatro anos ache que há quatro anos atrás não tomei as decisões erradas e esteja mais feliz do que agora estou, talvez não seja necessário esperar tanto tempo para perceber que as minhas opções de agora são as correctas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perversa é a linha do pensamento, tão perversa.&lt;br /&gt;Fui puxado à realidade com um «O que deseja?» ao qual respondi «Modelo 54 por favor.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111340429406211075?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111340429406211075/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111340429406211075&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111340429406211075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111340429406211075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/04/perversa-linha-do-pensamento.html' title='Perversa é a linha do pensamento'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111310413353189589</id><published>2005-04-10T04:31:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:35.666Z</updated><title type='text'>All Star</title><content type='html'>Noites de hotel e ténis novos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/allstar1.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Com movimento de fuga à mistura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/allstar2.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;Um exibicionismo exacerbado&lt;br /&gt;                                                       "Os ténis são mesmo giros!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta esperar pelos ténis pretos, simples mas com uns pequenos caracteres que dizem&lt;br /&gt;                                                    "I love Tokyo"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111310413353189589?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111310413353189589/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111310413353189589&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111310413353189589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111310413353189589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/04/all-star.html' title='All Star'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111304945223187023</id><published>2005-04-09T13:17:00.000+01:00</published><updated>2006-11-11T10:15:35.155Z</updated><title type='text'>O  meu casaco de pelo de carneiro em Amesterdão</title><content type='html'>Tantas peripécias passadas em Bremen, despedidas de amigos recentes. Enfim, o desgaste emocional é algo tão bom como doloroso; engraçado como nós somos, procuramos a dor nas relações, quer estas sejam de amizade ou de outra índole. Enfim, mas só dói porque gostamos e sentimos falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto sou eu em Amesterdão com o meu casaco de pele de carneiro e um ar grunge. Acho que tenho o ar de quem está a ver a cidade e à noite vai tocar no Amsterdamer Dome,o que, a bem dizer, não era nada mau.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/3cc2ff5a.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A deambulação que naquele momento levava a cabo levar-me-ia ao Museu Van Gogh. Não só lá encontrei os seus quadros, como uma exposição de um pintor austríaco, Egon Schiele, que levou uma vida muito perturbada. Pedófilo, amante de prostitutas, quando se resolve a casar tem que ir combater na primeira guerra mundial; quando volta a mulher adoece e morre. Três dias depois morre ele. Aos vinte e oito anos.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/6693495b.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta cidade pula de vida, as pessoas são todas muito fashion, vestem-se bem e não são totalmente desprovidas de beleza; é tão bom andar na rua, olhar para as pessoas. Além de que são muito, muito saudáveis, ao contrário de nós que nos enchemos de enchidos e gordura e essas coisas todas. Ao menos comemos muita sopa, isso é bom.&lt;br /&gt;Bicis:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSCN1914.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E encontra-se de tudo na rua: já na zona do Red Light District encontram-se todos os tipos de bares e casas de amásias; no entanto, em ocasião alguma, nos sentimos inseguros. Quer dizer, em termos de frequentadores faz lembrar o Bairro Alto - saudosa Lisboa - mas sem a violância que npode explodir a qualquer momento. Anda-se em segurança. &lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00049.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E bares e bares e bares e bares.&lt;br /&gt;Rhythm' n' Blues&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/70d5aad4.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois, casualmente, encontra-se o carro dos nossos sonhos, ali à mão de semear, com matrícula portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/44b18e61.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui sozinho. Compras e mais compras, muita comida. E sempre a rir.&lt;br /&gt;Agora, em Portugal, apertam as saudades. Tantas, Tantas&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/87b7cb6d.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos por S e M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111304945223187023?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111304945223187023/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111304945223187023&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111304945223187023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111304945223187023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/04/o-meu-casaco-de-pelo-de-carneiro-em.html' title='O  meu casaco de pelo de carneiro em Amesterdão'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111158957488697585</id><published>2005-03-23T14:36:00.000Z</published><updated>2006-11-11T10:15:34.819Z</updated><title type='text'>O meu casaco de pelo de carneiro</title><content type='html'>As meninas indie que me acompanharam ontem:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00056.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei, säo e salvo de Bremen. Estar numa cidade que totalmente desconheco é complicado, mas estar numa cidade que totalmente desconheco e näo saber absolutamente nada da língua é ainda pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00060.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri a parte velha, após me ter perdido duas vezes - algo já calculado - e gostei imenso. Ruas muito estreitas, janelas sem cortinados, pessoas com lojas dentro de casa. Näo havia uma pessoa antipática, mesmo näo sabendo eu falar alemäo, tentavam encontrar um idioma comum para que pudéssemos entabular conversa, nem que por breves dois minutos. A loja de modelagem ficou com o meu coracäo, e apesar de eu näo gostar muito de o fazer, sei quem gosta e quem vai adorar os presentes (sorriso grande). As fotos ficaram todas mui, mui bonitas, e isto sem falsas modéstias. Apanhei uma feira de flores, mas já estava no fim.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00073.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei-me a perder: mas näo me importo, estava feliz por ir ao sabor dos ténis e das várias línguas que ouvi falar. Obrigacäo, comprar um casaco. Numa das lojas conheci um equatoriana com quem conversei em espanhol durante algum tempo, acho que ficou feliz por ter alguém que soubesse arranhar a sua própria língua.&lt;br /&gt;Näo havia casaco para ninguém, näo encontrava loja alguma; casualmente entrei numa loja de música, maldito hábito este de comprar cd's, e descobri no primeiro andar uma loja de roupa dps 70's e dos 80's. Estava salvo, descobri o casaco da minha vida, um casaco de bombazina castanha com o forro de pelo de carneiro, näo mais passaria frio aqui. O casaco fica-me um pouco apertado e um pouco curto nas mangas, mas gostei tanto dele, e disfarca bem (sorriso maroto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00058.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma foto com dedicatória, ao Oki pela t-shirt e pelo sushi:&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00052.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi triunfalmente que saí da zona velha, com o meu novo casaco vestido, uma amiga equatoriana e os ténis a encaminharem-me para a Hauptbanhof. Entrei no comboio, uma ou duas fotos, os The Amps a cantar para mim. Encostei a cabeca ao vidro e cochilei.&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00077.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;br /&gt;O sol escondia-se atrás das nuvens e eu atrás das pálpebras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Num dia de sol, a passear de bicicleta no dique...&lt;br /&gt;&lt;img src="http://img.photobucket.com/albums/v331/cao_afiado/DSC00021.jpg" alt="Image hosted by Photobucket.com"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111158957488697585?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111158957488697585/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111158957488697585&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111158957488697585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111158957488697585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/03/o-meu-casaco-de-pelo-de-carneiro.html' title='O meu casaco de pelo de carneiro'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9035997.post-111142441221223512</id><published>2005-03-21T16:28:00.000Z</published><updated>2006-11-11T10:15:34.619Z</updated><title type='text'>Malas, Frio, Comida, Vícios, Tim Burton, The Cure e as Meninas Indie</title><content type='html'>Está frio. Não trouxe roupa. Durante alguns dias fiquei com mala presa em Munique. O Oki emprestou-me uma t-shirt. Não foi bem o começo de férias que esperava, mas as coisas são assim. Estava tudo a correr tão bem, tenho que sempre ter algum a azar, mas foram só dois dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As primeiras impressões ficam muito por uma cidade industrial, mas não poluída o que é, totalmente, uma antítese. Mas até se respira ar muito fresco, demasiado fresco. Há muita água, há um porto enorme. Muitos barcos, gaivotas e uma praia. Andei de bicicleta no dique: com isto gelei as orelhas, o nariz e fiquei com as pontas dos dedos roxas. Felizmente havia uma garrafa de vinho de Portalegre para aquecer por dentro e por fora, mas acho que não fez grande sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os menus: massa com vegetais, sushi, frango tostado no forno, legumas salteados.&lt;br /&gt;Ingestões frequentes: chá, soya sauce, cenouras, legumes de nome desconhecido.&lt;br /&gt;Tabaco: o típico amsterdamer, mas com mortalhas pequenas OCB e filtros zig-zag.&lt;br /&gt;Álcool: dois copos de vinho espanhol, uma cerveja de trigo, 9/10 de uma Beck's e um copo e meio de Terras de Baco de 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o fim-de-semana acabou hoje fiquei por mim. Fui procurar um bar que vende cd's muito baratos,ou seja, Ella Fitzgerald por dois euros. Estranho. Não encontrei. Voltei tudo para trás e fui para o parque. Árvores nuas atiram-se para o caminho, fazendo lembrar as envolventes florestas que o Tim Burton cria; e os corvos, saídos de um livro do Edgar A. Poe. Arrepiante, mas aos ouvidos levava as minhas meninas indie a cantar melodias estivais. Começaram-me a doer os ouvidos e voltei para trás.&lt;br /&gt;No retorno encontrei uma loja de discos em segunda mão, com dois fulanos ao balcão que pareciam saídos de um filme americano dos anos setenta, daqueles meio hippies e completamente charrados; e a loja não enganava ninguém. Comprei o «Boys Don't Cry», viva os The Cure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã vou-me perder em Bremen, vou passear sozinho, de comboio e a pé.&lt;br /&gt;Mas as meninas indie vêem comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9035997-111142441221223512?l=lalenteur.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://lalenteur.blogspot.com/feeds/111142441221223512/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9035997&amp;postID=111142441221223512&amp;isPopup=true' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111142441221223512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9035997/posts/default/111142441221223512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lalenteur.blogspot.com/2005/03/malas-frio-comida-vcios-tim-burton.html' title='Malas, Frio, Comida, Vícios, Tim Burton, The Cure e as Meninas Indie'/><author><name>mfc</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-6lXAuX9RsZI/TVqA4L4hEaI/AAAAAAAAAUk/OIhg3rM4y8A/s220/l%2527homme_a_tete_de_chou.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry></feed>
